Biodiversidade

Cerrado

O Cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil, cobrindo cerca de 25% do território nacional e perfazendo uma área entre 1,8 e 2 milhões de km2 nos Estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, sul do Mato Grosso, oeste de Minas Gerais, Distrito Federal, oeste da Bahia, sul do Maranhão, oeste do Piauí e porções do Estado de São Paulo. Ainda há porções de cerrado em outros estados da federação (PR) ou em áreas disjuntas dentro de outros biomas (Floresta Amazônica). É a segunda maior formação vegetal do país, após a Floresta Amazônica, concentrando-se principalmente no Planalto Central Brasileiro (Coutinho, 1990; Eiten, 1994; Ribeiro &Walter, 1998).

O Cerrado é uma das regiões de maior biodiversidade do mundo, e estima-se que possua mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves (MMA, 2002). Acredita-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das abelhas sejam endêmicas. Ao lado da Mata Atlântica, é considerado um dos hotspots mundiais, ou seja, um dos biomas mais ricos e ameaçados do mundo (MMA, 2002).

Assim como ocorre nos outros biomas do Brasil, a posição e extensão do Cerrado são determinadas pelo clima, que é do tipo tropical, com precipitação variando de 750 a 2000 mm por ano, em média, embora na maior parte da província ocorram chuvas entre 1100 e 1600 mm por ano. Ocorrem duas estações climáticas por ano, a estação seca, que dura aproximadamente cinco meses (de maio a outubro) e a estação chuvosa, no restante do ano (de outubro a maio) (Eiten, 1994).

Vegetação

A vegetação do Cerrado e sua densidade, entretanto, não dependem do grau de pluviosidade, como ocorre nas savanas da África, mas sim de fatores edáficos (fertilidade, teor de alumínio e grau de saturação do solo) e modificações pelo fogo e corte. Esses fatores produzem diversas formas ou fisionomias para o Cerrado. Os tipos de vegetação que ocorrem no interflúvio são: (1) o cerrado sensu lato; (2) a floresta mesofítica; (3) o campo rupestre; (4) os campos litossólicos miscelâneos; e (5) a vegetação de afloramento de rocha maciça. Há também os tipos de vegetação associadas aos cursos d'água, que são: (1) as florestas galerias ou florestas de encosta; (2) os buritizais e veredas; (3) o campo úmido; (4) os brejos permanentes; (5) o pantanal; (6) as plantas aquáticas e brejeiras (Eiten, 1994).

A vegetação principal do Cerrado é a do cerrado sensu lato, que cobre cerca de 85% da área total. O restante da província do Cerrado é ocupado pelos outros tipos de vegetação e também por corpos d'água. O cerrado sensu lato apresenta ainda categorias fisionômicas baseadas na proporção das três formas de crescimento de plantas: árvores, arbustos e gramíneas. São elas: (a) campo limpo – fisionomia dominada por gramíneas, com baixa cobertura de arbustos e ausência de árvores; (b) campo sujo – fisionomia dominada por gramíneas e arbustos, com baixa cobertura de árvores; (c) cerrado sensu stricto – fisionomia com baixa cobertura de gramíneas e de arbustos, e mediana cobertura de árvores; e (d) cerradão – fisionomia com formações florestais com estrato herbáceo sem gramíneas, e dominado por plântulas e outras ervas e a maior cobertura de árvores do gradiente (até 7m) (Eiten, 1994; Henriques, 2005).

biodiversidade

O bioma Cerrado abriga um número de espécies vegetais e animais semelhante ao encontrado em formações florestais, tendo sido considerado como uma das 27 áreas críticas de biodiversidade do planeta e alto grau de endemismo, principalmente em relação à flora (Marinho-Filho et al. 2010). A grande complexidade de hábitats e paisagens no Cerrado propiciam a existência de uma fauna diversa e abundante, distribuída de acordo com os recursos ecológicos disponíveis, topografia, solo e microclima (Alho, 1981). Segundo Dias (1982), na região de cerrado, devido a sua grande heterogeneidade, podem ocorrer até 5% da fauna mundial, e cerca de um terço da fauna brasileira (Coutinho, 1990). Estimativas apontaram aproximadamente 320.000 espécies da fauna para o Cerrado, distribuídas por 35 filos e 89 classes, sendo 67.000 de invertebrados, correspondendo a 20% da biota desse bioma (Dias, 1992).

invertebrados

As informações sobre a riqueza de invertebrados são dispersas na literatura e os poucos inventários dos grupos taxonômicos para o bioma são localizadas. A dificuldade em obter dados sobre a entomofauna, por exemplo, deve-se à extrema riqueza das espécies e abundância de alguns grupos e às dificuldades taxonômicas (Dias & Morais, 2007). Estudos diversos apontaram pelo menos 10 espécies de minhocas, 7 espécies de escorpiões (Motta apud Dias & Morais, 2007), 13 espécies de louva-deus (Terra, 1995), 139 espécies de vespas sociais (Dias & Morais, 2007), 800 espécies de abelhas (Raw, dados não-publicados) e, só no Distrito Federal (DF), foram listadas 49 espécies de aranhas (Dall'Aglio, 1992; Lucas et al, 1983; Levi & Eickstedt, 1989), 28 espécies de libélulas, 68 espécies de cupins (Coles, 1980; Dias & Morais, 2007), 150 espécies de vespas caçadoras (Dias & Morais, 2007). Em relação às borboletas, um levantamento realizado no Planalto Central produziu uma lista de 604 espécies (Brown & Mielke, 1967). Entretanto, segundo especialistas, estima-se que para essa região haja mais de 900 espécies de borboletas e entre 10.000 e 12.000 espécies de mariposas (Dias & Morais, 2007). Outras estimativas sobre três ordens de insetos juntas (Lepidoptera, Hymenoptera e Isoptera) sugerem a existência de 14.425 espécies, representando 47% da fauna estimada para o Brasil. As regiões mais bem conhecidas são o Distrito Federal e a Serra do Cipó (MG), necessitando de mais estudos áreas como, por exemplo, o leste da Chapada dos Veadeiros e o Vale do Paranã, em Goiás, o norte de Minas Gerais, o oeste da Bahia, o sudeste do Maranhão, grande parte do Tocantins, sul do Mato Grosso e norte do Mato Grosso do sul (MMA, 2002).

avifauna

Em relação à avifauna, 837 são as espécies que ocorrem no Cerrado, sendo 29 espécies endêmicas (MMA, 2002). Sessenta e sete por cento das espécies do Cerrado estão associadas às florestas de galeria e matas secas (Silva 1995). A mastofauna é representada por pelo menos 194 espécies, distribuídas em 30 famílias e nove ordens, dentre elas 14 espécies endêmicas. Cerca de 80% de todos os mamíferos (terrestres, voadores, aquáticos e semi-aquáticos) estão associados às matas de galeria.

Ambientes aquáticos

No cerrado há também uma série de ambientes aquáticos, como nascentes, lagoas efêmeras e ambientes brejosos (buritizais e veredas), assim como rios e riachos, formadores das principais bacias hidrográficas do Brasil. Na sua área nuclear situam-se os Domínios do Paraná, Amazônico e do Leste do Brasil. O Domínio do Paraná abrange as cabeceiras do Rio Paranaíba, seus afluentes da margem esquerda e alguns afluentes da margem direita, como o Rio São Marcos, e também os afluentes da margem direita do alto Rio Paraná. O Domínio do Leste do Brasil inclui as cabeceiras do Rio São Francisco, no Estado de Minas Gerais, e afluentes da margem esquerda, como o Rio Paracatu e o Rio Urucuia. O Domínio Amazônico abrange os cursos do Alto e Médio Rio Araguaia e Rio Tocantins, além de cursos superiores de alguns afluentes dos rios Xingu, Tapajós e Madeira. Há também importantes conexões entre as cabeceiras de rios formadores das bacias hidrográficas do Tocantins, São Francisco e Parnaíba, constituindo áreas conhecidas como "Águas Emendadas", localizadas no Estado de Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal (Ribeiro, M.C.L.B., 2007).

As bacias hidrográficas apresentam uma biota diversificada e rica em invertebrados e vertebrados aquáticos, entretanto grande parte ainda não é totalmente conhecida. Todas essas bacias hidrográficas apresentam uma biota característica. Quanto à ictiofauna, as espécies que ocorrem nas cabeceiras têm relações mais estreitas com a da própria bacia à jusante do que com a de cabeceiras de outras bacias. Entretanto, nas áreas em que há conexões entre as bacias ("Águas Emendadas") pode haver troca entre a ictiofauna de cada uma. No Distrito Federal há conexões entre as bacias de Tocantins e Paranaíba, Tocantins e São Francisco, e São Francisco e Paranaíba, embora somente a primeira conexão encontre-se protegida pela ESEC Estadual de Águas Emendadas e as outras duas estejam seriamente comprometidas pela pressão das atividades humanas (Ribeiro, M.C.L.B., 2007).

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Caatinga

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e compreende 70% da região com clima semi-árido do Nordeste do Brasil, com uma porção no Estado de Minas Gerais e também alguns enclaves em outros biomas, como na Amazônia, Mata Atlântica e no Cerrado. A sua área estende-se por 734.478 km2, representando as regiões do semi-árido conhecidas convencionalmente como o "agreste" e o "sertão" (MMA, 2007).

O Zoneamento Agroecológico do Nordeste (ZANE) dividiu o bioma Caatinga em 10 ecorregiões ou Grandes Unidades de Paisagem: a) Chapadas Altas; b) Chapada Diamantina; c) Planalto da Borborema; d) Superfícies Retrabalhadas; e) Depressão Sertaneja; f) Superfícies Dissecadas dos Vales do Gurguéia, Parnaíba, Itapecuru e Tocantins; g) Bacias Sedimentares; h) Superfícies Cársticas; i) Áreas de Dunas Continentais; e j) Maciços e Serras Baixas (Sá et al, 2004).

A literatura tem atribuído pobreza em biodiversidade e endemismo à Caatinga, no entanto, estudos recentes têm elevado o número de espécies da fauna e flora deste bioma (MMA, 2007). Ao contrário do que se pensava antigamente, é uma região muito heterogênea e diversificada do ponto de vista de seus recursos naturais e contém uma grande variedade de tipos vegetacionais e elevado número de espécies raras e endêmicas, principalmente nas terras mais baixas (Giuletti et al., 2004). Entretanto, é o bioma que tem a biodiversidade mais desconhecida da América do Sul, segundo o que a literatura indica. O conhecimento botânico e zoológico é bastante precário, e várias espécies de animais e plantas estão sendo descritas somente recentemente. O esforço amostral também tem se concentrado em determinadas regiões, e estudos sugerem inúmeras lacunas geográficas e ecológicas de conhecimento (Castelletti et al., 2004; Tabarelli & Vicente, 2004). Há diversos locais com potencial importância científica que devem ser pesquisados, inclusive os enclaves do bioma que ocorrem fora do Nordeste, como em Minas Gerais, na Amazônia e na Mata Atlântica. Isso sugere que a biodiversidade da Caatinga deve ser muito mais numerosa do que se conhece atualmente, e que, conseqüentemente, outras as áreas prioritárias para a sua conservação devam ser reconhecidas futuramente (Tabarelli & Vicente, 2004).

flora

Uma revisão recente sobre o esforço amostral de plantas lenhosas (Tabarelli & Vicente, 2004) indicou que grande parte da informação está concentrada na região central do bioma, correspondendo às áreas de forte pressão antrópica e próximas aos centros de pesquisa. Segundo Gamarra-Rojas & Sampaio (2002) há 1.102 espécies de plantas lenhosas na Caatinga. Harley (1996) havia identificado 7 gêneros de herbáceas endêmicas e Prado (1991) 12 gêneros e 183 espécies de angiospermas endêmicas para a Caatinga. Entretanto, mais recentemente, Giuletti (2002) relacionou 318 espécies endêmicas para esse bioma. As famílias com maior número de espécies endêmicas são: a) Leguminosae (n=80); b) Cactaceae (n=41); c) Euphorbiaceae (n=17); d) Malvaceae (n=15); e) Bromeliaceae (n=14); f) Bignoniaceae (n=12); g) Convolvulaceae (n=11); e h) Scrophulariaceae (n=10).
As espécies vegetais da Caatinga possuem adaptações à deficiência hídrica, como a caducifolia, a suculência e a presença de espinhos e acúleos. Por isso há a predominância de arbustos, cactos e herbáceas anuais. Com base na vegetação e no solo, a Caatinga pode ser dividida nas seguintes zonas: a) domínio da vegetação hiperxerófila (34,3%); b) domínio da vegetação hipoxerófila (43,2%); c) ilhas úmidas (9,0%); e agreste e área de transição (13,4%) (Sá et al., 2004).

fauna

O conhecimento atual da fauna da Caatinga também é reduzido, e para diversos táxons não há informação ou coletas realizadas, como Oligochaeta, Myriapoda, Araneae, Collembola, Opiliones, Odonata, Lepidoptera e Coleoptera. Somente táxons como Orthoptera, Isoptera e Hymenoptera (particularmente as famílias Apidae e Formicidae) possuem coletas e estudos realizados (Brandão & Yamamoto, 2004).
O conhecimento da diversidade e taxonomia de peixes também é incipiente, e há diversas áreas de importância biológica provável e insuficientemente conhecidas, sem dados sobre a diversidade da ictiofauna. As informações existentes reportam a ocorrência de 240 espécies de peixes, distribuídas em 111 gêneros. As principais bacias hidrográficas são a dos rios Paraíba e São Francisco, com o maior volume de dados sobre a ocorrência de peixes. Mesmo assim, essas bacias ainda estão subamostradas. Para a área de abrangência da Caatinga no Rio São Francisco foram registradas 116 espécies de peixes, sendo 24 espécies de peixes anuais da diversa família Rivulidae (Rosa, 2004).

herpetofauna

Diferentemente do conhecimento a respeito de outros táxons, a diversidade da herpetofauna da Caatinga é bem conhecida. Ocorrem 47 espécies de anfíbios anuros, 44 espécies de lagartos de várias famílias (teiús, gecos e iguana), 47 espécies de serpentes, 4 espécies de quelônios (tartarugas e jaboti) e 3 espécies de crocodilianos. A área mais importante de endemismos que se conhece até o momento são as dunas do Rio São Francisco, onde ocorrem gêneros e espécies que não ocorrem em nenhum outro hábitat da região neotropical (Rodrigues, 2004). As duas áreas de dunas do médio Rio São Francisco – Campos de dunas de Xique-Xique e de Santo Inácio e Campos de dunas de Casanova, BA – foram consideradas de extrema importância biológica no levantamento das Áreas Prioritárias para a conservação de anfíbios e répteis da Caatinga realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (Seminário "Avaliação e Identificação de Ações Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade do Bioma Caatinga"). Entretanto, ainda acredita-se que existam outras áreas de grande importância biológica, que ainda não foram amostradas, assim como muitas lacunas de conhecimento para serem preenchidas. Desta forma, o conhecimento atual da diversidade da herpetofauna da Caatinga ainda é considerado fragmentário e incipiente (Rodrigues, 2004).

avifauna

A avifauna da Caatinga está representada por 348 espécies registradas, sendo 15 espécies e 45 subespécies identificadas como endêmicas. Duas das espécies de aves mais ameaçadas do mundo estão presentes: a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) (Pacheco et al, 2004), sendo a primeira categorizada como "criticamente ameaçada" (CR) e a segunda "extinta na natureza" (EW) (Biodiversitas, 2005). No levantamento das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, 11 locais foram considerados de extrema importância biológica para a avifauna, sendo eles: a) Serra da Capivara, no Piauí; b) Ubajara e o entorno da FLONA do Araripe, no Ceará; c) Raso da Catarina, Curaçá, Senhor do Bonfim, Chapada Diamantina e Maracás, na Bahia; d) Serra Negra, em Pernambuco; e e) Itacarambi/Peruaçu e Jaíba, em Minas Gerais (Pacheco et al., 2004).

mastofauna

A mastofauna da Caatinga está representada por 148 espécies, no mínimo, segundo um levantamento recente realizado por Oliveira (2004). São elas: 11 espécies de Didelphimorphia (marsupiais), 5 espécies de Cingulata (tatus), 3 espécies de Pilosa-Myrmecophagidae (tamanduás), 65 espécies de Chiroptera (morcegos), 5 espécies de Primatas (macacos), 37 espécies de Rodentia (roedores), 1 espécie de Lagomorpha (tapiti), 14 espécies de Carnivora (mustelídeos, canídeos e felinos), 4 espécies de Artiodactyla (veados e porcos-do-mato) e 1 espécie de Perissodactyla (anta). A Lista Nacional das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (IN 003, 26 de maio de 2003) relaciona nove espécies de mamíferos ameaçados que ocorrem na Caatinga, das quais oito estão categorizadas como "vulnerável" (VU) e uma como "criticamente ameaçada" (CR), o guigó (Callicebus barbarabrownae) (Biodiversitas, 2005). Considerando o registro da ocorrência do tatu-canastra (Priodontes maximus – categoria "VU") no Parque Nacional da Serra das Confusões, PI, a lista de mamíferos aumentaria para 10 espécies ameaçadas.

Oliveira (2004) dividiu a mastofauna da Caatinga em três grupos principais: a) espécies endêmicas ou que apresentam grande parte da distribuição neste bioma (n=19); b) espécies amplamente distribuídas em outros biomas, mas que apresentam registros esporádicos na Caatinga (n=18); e c) espécies amplamente distribuídas na Caatinga e em outros biomas (n=106). Duas espécies de roedores endêmicos da Caatinga são o rato-de-fava (Wiedomys pirrhorhinus) e o mocó (Kerodon rupestris), encontrados nas formações vegetais abertas. Oliveira (2004) ainda relata que muitos espécimes presentes no Museu Nacional (UFRJ), coletados pelo extinto Serviço Nacional da Peste (SNP) entre 1952 e 1955, ainda não foram estudados em sua totalidade, indicando que a lista de espécies de pequenos mamíferos não-voadores que ocorrem na Caatinga pode ser muito maior. Além disso, ainda há diversas áreas a serem inventariadas.

áreas prioritárias

No levantamento das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade foram estabelecidas 27 áreas prioritárias para a conservação de mamíferos na Caatinga, sendo 12 de extrema importância biológica: a) Base da Chapada de Ibiapaba, Base da Serra de Baturité e Crato, no Ceará; b) PARNA Serra das Confusões, PARNA Serra da Capivara e o corredor ecológico entre essas duas UCs, no Piauí; c) Caruaru e arredores, em Pernambuco; d) Monte Alegre, em Alagoas; e) Médio Rio São Francisco, Base da Chapada Diamantina, Ibipeba, Raso da Catarina e Morro do Chapéu, na Bahia; e f) Norte de Minas Gerais (Oliveira et al. 2004).

Diversas são as recomendações para pesquisa e conservação de áreas prioritárias da Caatinga, tanto devido à importância biológica (alta, muito alta e extrema) como também pelo desconhecimento da biodiversidade de determinados locais. Isso demonstra a necessidade da realização de mais inventários biológicos, principalmente em regiões insuficientemente conhecidas, bem como de fomento à pesquisa desse bioma, que tem sido negligenciado em relação ao desenvolvimento de políticas públicas e conservação de seus recursos naturais (Silva et al., 2004, MMA, 2007). Exemplo da deficiência de conservação é o reduzido número de Unidades de Conservação de Proteção Integral (n=11), e até mesmo de UCs de Uso Sustentável (n=11), em relação ao número existente na Amazônia (36 UCs de Proteção Integral e 68 UCs de Uso Sustentável = 104), mesmo considerando a extensão deste bioma, 5,7 vezes maior do que a Caatinga.

No refinamento das "Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira" (Portaria MMA no. 9, de 23/01/2007) foram identificadas 292 áreas consideradas prioritárias para a conservação da Caatinga, compreendendo cerca de 51% do bioma, e representando um aumento significativo sobre a avaliação de 2000, que havia identificado 82 áreas prioritárias (MMA, 2007).

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