Morcegos e edificações urbanas

Medidas de controle e manejo

A presença de morcegos em edificações, principalmente de insetívoros, pode ocasionar acúmulo de fezes, causando odores desagradáveis e característicos, além de poder causar doenças como as citadas acima. As ações recomendadas para auxiliar na solução de problemas causados por morcegos em áreas urbanas envolvem um monitoramento constante e adequação das edificações para evitar os problemas decorrentes da instalação de colônias. A seguir, são sugeridas algumas medidas que podem auxiliar no controle e manejo de morcegos, aplicáveis nas diversas situações encontradas.

Vedação de aberturas

Quando não existirem morcegos no telhado, recomenda-se vedar todas as juntas de dilatação de prédios, espaços existentes entre telhas e parede, cumeeiras, pontos de luz, chaminés, bem como qualquer abertura no telhado que possa permitir a instalação de colônias. O revestimento de forros em alvenaria e colocação de vidros ou telas em portas nos porões, também é muito importante para evitar a queda de fezes para o interior das escolas. Segue abaixo orientações de como proceder de acordo com cada caso:

- Telhado - não permita vãos entre as telhas e as paredes com largura superior a 1cm, vedando todas as aberturas com cimento, massa de calafetação ou outro material de vedação; prenda todas as telhas firmemente. No caso de telhas de amianto onduladas, deve-se fechar cuidadosamente os vãos com passarinheiras ou telas milimétricas evitando a entrada de morcegos para dentro do forro do telhado.

Já existem no mercado telas especiais para vedar os espaços entre as telhas onduladas e o forro ou chapa de concreto. No entanto, a instalação dessas telas pode se tornar cara, dependendo da disponibilidade de recursos e do tamanho do telhado. Uma alternativa barata é a colocação de garrafas pet nesses vãos.

- Porão, Cisterna e Casa de Máquinas - providencie porta. Se necessário manter ventilação empregue tela de arame com malha inferior a 1,0 cm.

- Vão entre o condicionador de ar e a parede - feche com alvenaria ou madeira pelo lado externo da construção.

- Pontos de luz ou chaminés de aquecedores que se comunicam com o sótão ou forro - isole as arestas com material resistente, como placas de aço.

- Forro ou sótão - prefira utilizar lajes de cimento ao revestimento de madeira para evitar a queda de fezes, restos e animais no interior da escola.

Removendo colônias

Ao detectar uma colônia de morcegos no forro da escola ou em fendas de paredes, e que seja considerado um risco à saúde da comunidade escolar, utilize procedimentos seguros para expulsá-los e fazer com estes não retornem. A seguir são descritos alguns procedimentos utilizados no mundo inteiro para a retirada dos morcegos em ambientes urbanos que podem ser aplicaveis a construções escolares.

1 - Identifique o local por onde os morcegos entram e saem. A melhor hora para fazer isso é no cair da tarde, pois este é o momento em que os morcegos saem para buscar alimento.

2- Depois de localizar o ponto de passagem, coloque tela ou rede protetora sobre a abertura e vede todos os lados da tela, exceto a parte de baixo, de forma que os que estiverem dentro poderão sair mas nenhum conseguirá voltar.

3- Outra alternativa, pode ser a instalação de tubos nos locais de entrada dos animais, estes devem ser rígidos (por ex., pvc ou garrafas pet), mas com a extremidade voltada para o exterior revestida por plástico ou tela, de forma que consita numa superfície maleável, permitindo a saída dos os morcegos mas impossibilitando o seu retorno. Certifique-se que todas outras possíveis entradas estejam vedadas.

4- Mantenha essas aberturas por uns 10 dias, até que todos os morcegos tenham ido embora. Após esse prazo, feche a abertura, vedando bem.

5- Em locais em que o ponto de passagem dos morcegos identificado é de fácil acesso, é possível realizar a remoção dos indivíduos pelo seguinte procedimento: realizar contagens sucessivas do número de animais que saem pela abertura no final da tarde com auxílio de uma lanterna. Após a saída dos morcegos vedá-la provisoriamente com um tampão. Após 1 ou 2 dias, retirar o tampão antes do final da tarde, para possibilitar a saída dos que permaneceram, vedando novamente a noite. Repetir a operação até que se tenha a certeza de que todos os indivíduos deixaram o recinto e então fechá-la definitivamente. A contagem e o acompanhamento poderá ser feito em conjunto com alunos voluntários. Em caso superior a 100 é recomendável solicitar o apoio de um especialista em morcegos.

6 -  Antes de fazer qualquer um dos procedimentos sugeridos acima, certifique-se de que todos os outros acessos  ao abrigo estejam vedados e que não existam filhotes no local. O período de reprodução ocorre de outubro a fevereiro (época das chuvas), quando os pais entram e saem a todo momento em busca de alimento, enquanto os filhotes permanecem no abrigo.  Ao vedar a entrada, é comum nessa época permanecerem os filhotes, que morrem lá dentro, deixando um cheiro forte de carniça. Dessa forma, Os meses mais indicados para a remoção dos morcegos é de março a agosto, quando todos os filhotes já deixaram o abrigo.
A Vigilância Ambiental do DF realiza visitas domiciliares para orientação quanto aos procedimentos para desalojar morcegos de telhados e forros.
É possível agendar visitas com os técnicos pelo tel: (61) 3343-1268 / 3341-1682. (lembrando que os técnicos apenas ORIENTAM quanto aos procedimentos, eles não realizam a retirada dos animais).

7- Não utilize repelentes químicos. O risco de intoxicação com estes produtos é grande, além, de não serem eficientes para solucionar o problema, pois não há a vedação do local, ocorrendo à ocupação por novas colônias, posteriormente. Além disso, você estará contribuindo para que um morcego intoxicado caia na calçada e possa causar um acidente com crianças, idosos e animais domésticos.

Limpeza dos ambientes após a remoção

Após a remoção das colônias é necessário realizar a limpeza do local. Ao limpar locais com acúmulo de fezes de morcegos é preciso tomar certos cuidados para evitar a contaminação:

- Proteger o nariz e a boca com pano úmido;

- Utilizar luvas de couro ou de borracha;

- Umedecer bem as fezes com solução desinfetante antes de removêlas, para evitar inalação de poeira contaminada;

- Embalar bem a sujeira removida, para evitar dispersão dos agentes patogênicos.

FOLDER DA SECRETARIA DE SAÚDE DO GDF