Áreas Prioritárias para a Conservação do Patrimônio Espeleológico

A priorização de áreas para a conservação do Patrimônio Espeleológico, Ação 7.2 do PAN Cavernas do São Francisco, utilizou-se da metodologia do Planejamento Sistemático para a Conservação, a qual requer a subdivisão da área de interesse em Unidades de Planejamento – UPs onde serão espacializadas as informações a serem analisadas.

A análise dos dados é feita com processamento de informações espaciais sobre o patrimônio espeleológico e espécies associadas (Alvos de conservação), ameaças e oportunidades para a sua conservação no software Marxan. As UPs são avaliadas quanto a sua importância [espeleológica], tornando-se áreas passíveis para a seleção de prioridades.

A definição dos Alvos de conservação do meio biótico, do meio físico e dos aspectos sócio-histórico-culturais ocorreu em oficinas participativas. Após o levantamento e sistematização das informações, os seguintes alvos de conservação foram utilizados para a priorização de áreas destinadas à conservação do Patrimônio Espeleológico:

Meio biótico

· Presença de espécies da fauna subterrânea;
· Presença de espécie da fauna subterrânea ameaçada de extinção constante na portaria MMA nº 444/2014 e portaria MMA 445/2014;
· Presença de espécie troglóbia e de espécie troglomórfica;
· Ocorrência de grandes congregações de morcegos;
· Singularidade dentro do grupo taxonômico (número de autapomorfias); e
· Presença de espécie relictual (geográfico ou filogenético).

Meio Físico

· Ocorrência de caverna;
· Litologia da caverna separada por grandes grupos de predominância de rochas carbonáticas, rochas siliciclásticas, rochas granitoides, rochas ferruginosas, rochas vulcânicas e pela associação entre elas;
· Registros paleontológicos representativos (paleotocas, jazigos fossilíferos);
· Caverna com importância científica;
· Extensão da caverna (por litologia e região); e
· Cavernas ou feições de morfogênese peculiar.
Aspectos sócio-histórico-culturais
· Sítio arqueológico (abrigo ou gruta considerado como caverna, sob o ponto de vista da Espeleologia);
· Caverna com uso ou presença histórico-cultural-religiosa confirmado;
· Caverna com visitação pública;
· Caverna com potencial turístico, educacional ou esportivo; e Ω Caverna com uso para dessedentação humana.

Ameaças potenciais

· Em relação às ameaças potenciais, foram utilizadas as seguintes camadas de dados geoespaciais:
· Desmatamento: derivado do mapeamento das áreas de vegetação de remanescentes dos
· Biomas brasileiros (LAPIG/UFG);
· Áreas dos processos minerários do DNPM: apenas as fases de concessão de lavra, lavra garimpeira, licenciamento, requerimento de lavra (SIGMINE);
· Estradas: camada do OpenStreetMap para o Brasil, de 2015, com buffer de 2 km (Open Street Maps); e
· Aerogeradores: camada de aerogeradores com buffer de 3 km (Portal de Geoprocessamento
· da ANEEL).

Oportunidades

· Quanto às oportunidades, foram utilizadas as áreas protegidas do Brasil (CNUC/MMA, 2018; FUNAI, 2017; Instituto Chico Mendes, 2018; IEF/MG, 2018). Entretanto, para a finalização desse relatório utilizou-se um arquivo vetorial contendo apenas as unidades de conservação (estadual/distrital, federal e municipal), em formato shapefile, de fontes diversas, sistematizado em 05/07/2018 pela analista ambiental Débora Campos Jansen, do CECAV/Instituto Chico Mendes.

Ao todo foram selecionadas 1.469 Unidades de Planejamento (UPs) categorizadas em quatro classes de ações prioritárias:

CATEGORIA 1 (776 UPS) - Áreas com ações prioritárias voltadas para:

i) criação ou ampliação de unidades de conservação;
ii) fiscalização e monitoramento;
iii) educação ambiental e patrimonial.

CATEGORIA 2 (303 UPs) - Áreas com ações prioritárias voltadas para:

i) criação ou ampliação de unidades de conservação;
ii) manejo (inclui elaboração e implantação de plano de manejo espeleológico ou de plano de manejo de unidades de conservação, bem como demais ações de manejo para conservação);
iii) educação ambiental e patrimonial.

CATEGORIA 3 (251 UPs) - Áreas com ações prioritárias voltadas para:

i) fiscalização e monitoramento;
ii) ampliação do conhecimento (pesquisa, prospecção espeleológica, validação de coordenadas);
iii) educação ambiental e patrimonial.

CATEGORIA 4 (139 UPs) - Áreas com ações prioritárias voltadas para:

i) ampliação do conhecimento (pesquisa, prospecção espeleológica, validação de coordenadas);
ii) educação ambiental e patrimonial.

Equipe Técnica:

Lindalva Ferreira Cavalcanti, Maristela Felix Lima, Débora Campos Jansen, Jocy Brandão Cruz, André Afonso Ribeiro, Diego de Medeiros Bento, Daniel Reis Maiolino de Mendonça, Tiago Castro Silva, Júlio Costa Neto, José Guilherme Aires Lima.

 


 

Arquivos para dowload:

- Áreas prioritárias para conservação do patrimônio espeleológico;

- Dados vetoriais em formato shapefile das áreas prioritárias;

- Dados vetoriais em formato shapefile das cavernas conhecidas (CANIE/CECAV, atualização de 18/04/2018);