PROJETO MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE IMPACTOS SOBRE O PATRIMÔNIO ESPELEOLÓGICO

O Projeto de Monitoramento e Avaliação de Impactos sobre o Patrimônio Espeleológico, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas – CECAV, iniciado em 2010, atende à demanda do Programa Nacional de Conservação do Patrimônio Espeleológico – PNCPE (MMA, 2009).

O PNCPE propôs a estruturação de um sistema complexo de monitoramento, que depende de ações primárias bastante escassas no Brasil como o mapeamento das áreas vulneráveis do Patrimônio Espeleológico (PE) e consequentemente das áreas onde estão inseridos. O Patrimônio Espeleológico brasileiro é o objeto de proteção e manejo do PNCPE, devido a interesses socioeconômicos nas regiões onde está localizado, sobretudo as regiões cársticas e as de ocorrência de minério de ferro, sendo alvo de graves problemas ambientais e conflitos sociais, provocados por impactos advindos da mineração, urbanização, desmatamento, adaptação ao turismo e ao uso religioso, obras de infraestrutura, entre outros.

O objetivo principal do Projeto de Monitoramento é definir uma metodologia para mapeamento de áreas vulneráveis associadas ao Patrimônio Espeleológico, prioritariamente as regiões cársticas, tanto em litologias carbonáticas quanto em não carbonáticas. A proposta visa estabelecer um sistema de monitoramento, avaliação, prevenção e mitigação de impactos sobre o Patrimônio Espeleológico, apoiando, inclusive, processos de recomposição e recuperação dos ecossistemas cavernícolas. Em resumo, considerando este contexto, o projeto busca o estabelecimento de normas e procedimentos de suporte à gestão do Patrimônio Espeleológico capazes de identificar soluções e propor medidas adequadas de conservação, uso sustentável e recuperação desse ecossistema.

Dessa forma, a primeira etapa do Projeto estabeleceu proposta metodológica para identificar áreas onde o Patrimônio Espeleológico encontra-se mais vulnerável de ocorrência do Patrimônio Espeleológico, utilizando-se técnicas de geoprocessamento. A primeira aplicação da metodologia foi realizada por Gomes (2010) na APA do Carste de Lagoa Santa, escolhida como área-piloto, considerada berço da Espeleologia brasileira e que possui cavernas formadas a partir de rochas carbonáticas, integrantes de um carste tropical bem desenvolvido. Os resultados apresentados atenderam às expectativas iniciais, apontando que a reaplicação da metodologia em outras áreas seria possível, porém com ajustes.

Em 2011, o Projeto de Monitoramento deu início à busca por um maior embasamento teórico de sua metodologia. Os primeiros ajustes e adequações à metodologia definida por Gomes (2010) foram feitos por Jansen (2013) na área da APA Morro da Pedreira e no PARNA da Serra do Cipó, região com ocorrência de cavernas em litologias carbonáticas e não carbonáticas. Com isso, o primeiro objetivo do Projeto em definir uma metodologia preliminar para mapeamento de áreas vulneráveis associadas ao Patrimônio Espeleológico e às regiões cársticas, em litologias carbonáticas e não carbonáticas, foi alcançado.

Também foi em 2011, que o Projeto de Monitoramento passou a executar as suas ações na mesma área de atuação do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Patrimônio Espeleológico nas Áreas Cársticas da Bacia do rio São Francisco - PAN Cavernas do São Francisco, agregando esforços da equipe técnica do CECAV. A princípio foram trabalhadas 09 áreas, consideradas conflituosas entre os empreendimentos (mineração, agricultura, ocupação urbana, rodovia, turismo, etc.) e áreas de ocorrência do Patrimônio Espeleológico, situadas dentro da região de abrangência e atuação do PAN Cavernas do São Francisco conforme estabelecido por Cavalcanti et. al (2012).

A etapa seguinte do Projeto foi à definição de uma proposta para a realização de atividades de monitoramento do Patrimônio Espeleológico (Figura 1) (GOMES; SANTOS; JANSEN, 2014). Essa proposta metodológica visa estabelecer medidas para prevenir e mitigar os impactos causados ao Patrimônio Espeleológico, apoiando os processos de recomposição e recuperação dos ecossistemas cavernícolas degradados e, permitindo, assim, a elaboração de normas para regulamentação do uso desse Patrimônio com base no diagnóstico espeleológico brasileiro.

diagrama bloco

Figura 1: Proposta metodológica para realização de atividades de monitoramento de impactos ambientais sobre o Patrimônio Espeleológico brasileiro - Diagrama em bloco.

Com o inventário das áreas vulneráveis realizado, os passos seguintes são identificar as principais ameaças ao Patrimônio Espeleológico, relacionar essas ameaças com sinais vitais e definir os itens de controle e verificação a serem monitorados.

As unidades de conservação localizadas no Estado de Minas Gerais, definidas para aprofundamento dessa proposta metodológica, foram:

- Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e sua zona de amortecimento;

- Parque Nacional das Sempre Vivas e sua zona de amortecimento;

- Área de Proteção Ambiental do Carste de Lagoa Santa;

- Parque Estadual da Serra do Rola-Moça e sua zona de amortecimento.

Desde 2010, a metodologia vem sendo aprimorada e utilizada no mapeamento de áreas vulneráveis associadas ao Patrimônio Espeleológico, o que permitiu a equipe elaborar os seguintes produtos:

A) Mapa de Uso do Solo e Cobertura Vegetal da Área 8 (Peruaçu–Montes Claros) do Projeto de Monitoramento e Avaliação de Impactos sobre o Patrimônio Espeleológico - 1ª Aproximação. Revista Brasileira de Espeleologia, Volume 1, Número 3, Ano 2013. <http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/RBEsp/article/view/364>. (GOMES; SANTOS; JANSEN, 2013).

B) Análise ambiental da Área de Proteção Ambiental do Morro da Pedreira e do Parque Nacional da Serra do Cipó para a Proteção do Patrimônio Espeleológico. 2013. 149f. Dissertação (Mestrado em Geografia – Tratamento da Informação Espacial) - PUC Minas. Belo Horizonte.  <http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/TratInfEspacial_JansenDC_1.pdf>.  Acesso em: 13 ago. 2013 (JANSEN, 2013).

C) Mapa de Vulnerabilidade Natural do Patrimônio Espeleológico na Bacia do rio São Francisco. Anais do 2º Simpósio Mineiro do Carste - Carste e cavernas: Minas de informações. UFMG/Instituto de Geociências. Belo Horizonte – MG, novembro de 2013; p.37. <http://www.cnek.org/IMG/pdf/SPELEO-TRACT_no_8_-_complet.pdf>. (JANSEN et. al, 2013).

D) Aplicação do Índice para Avaliação de Segmentação (IAVAS) no Mapeamento de Uso do solo e Cobertura Vegetal. Revista Brasileira de Espeleologia, 2013.  http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/RBEsp/article/view/413/pdf (GOMES et. al, 2013).

E) Avaliação da Vulnerabilidade Ambiental das Áreas Cársticas da Região entre os municípios de Lagoa Santa e Monjolos – MG. Monografia (Especialização) – Instituto de Geociências. Departamento Cartografia, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte. 2013, VII, 30 f (SANTOS, 2013).

F) Mapa de Vulnerabilidade Natural do Patrimônio Espeleológico da Região de Abrangência do PAN Cavernas do São Francisco. Aceita pela Revista Brasileira de Espeleologia em 19 de maio de 2014. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/RBEsp/article/view/428. (JANSEN et. al, 2014), (Figura 2).

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Figura 2: Mapa de Vulnerabilidade Natural do Patrimônio Espeleológico da Região de Abrangência do PAN Cavernas do São Francisco. Cartografia: Débora Jansen. (Download do shapefile)

G) Proposta metodológica para realização de atividades de monitoramento de impactos ambientais sobre o patrimônio espeleológico brasileiro. Caderno de Geografia, v.24, n.41, 2014. ISSN 2318-2962.  http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/view/6802/6252 (GOMES; SANTOS; JANSEN, 2014).

H) Perfil Geoecológico da Área de Proteção Ambiental (APA) do Morro da Pedreira e do Parque Nacional (PARNA) da Serra do Cipó / MG. Caderno de Geografia, v.24, n.41, 2014. ISSN 2318-2962. http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/view/P.2318-2962.2014v24n41p66/5993 (JANSEN, 2014).

I) Análise Preliminar dos Mapas de Vulnerabilidade do Patrimônio Espeleológico para as Áreas Cársticas Prioritárias da Região de Abrangência do PAN Cavernas do São Francisco. Aceita pela Revista Brasileira de Espeleologia em 05 de maio de 2014. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/RBEsp/article/view/421/pdf_2. a) GOMES et. al, 2014).

J) a) Avaliação Multicritério da Vulnerabilidade Ambiental e Natural na Identificação de Áreas Prioritárias para Conservação do Patrimônio Espeleológico. Campinas, SeTur/SBE. Pesquisas em Turismo e Paisagens Cársticas, 7(1/2), 2014. Disponível em: http://www.cavernas.org.br/ptpc/ptpc_v7_n1-2_029-042.pdf . (SANTOS; RUCHKYS; GOMES, 2014).

K) JANSEN, D.C. Análise Ambiental para a Proteção do Patrimônio Espeleológico. Área de Proteção Ambiental do Morro da Pedreira e do Parque Nacional da Serra do Cipó, Minas Gerais, Brasil. 2015. Editora: Novas Edições Acadêmicas, 124p, ISBN- 1 0:3639751264. Disponível em: https://www.morebooks.de/store/pt/book/an%C3%A1lise-ambiental-para-a-prote%C3%A7%C3%A3o-do-patrim%C3%B4nio-espeleol%C3%B3gico/isbn/978-3-639-75126-0.

L) JANSEN, D.C; PEREIRA, K.N. Distribuição e Caracterização das Cavernas Brasileiras Segundo a Base de Dados do CECAV. Revista Brasileira de Espeleologia – RBEsp, v. 2, n. 4, 2014, publicado em 2015. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/RBEsp/article/view/511/pdf_7.

M) SANTOS, D.J; GOMES, M; FONSECA, S. N.; COSTA, F. N.; TIMBÓ, M. A. E. Inventário preliminar do Patrimônio Espeleológico do Parque Nacional das Sempre Vivas. Caderno de Geografia, v.26, n.46, 2016. ISSN 2318-2962. Disponível em: http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/ article/view/P.2318-2962.2016v26n46p486.

N) GOMES, M. Caracterização da paisagem no entorno de cavidades naturais subterrâneas em geossistemas ferruginosos do Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. 2017. 136f. Dissertação (Mestrado em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais) Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

O) SANTOS, D.J. A geodiversidade do Parque Nacional da Serra do Gandarela: análise potencial de uso didático, com ênfase no patrimônio espeleológico. 2017. 188f. Dissertação (Mestrado em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais) Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

O mapeamento dos vários graus de vulnerabilidade do Patrimônio Espeleológico às ações antrópicas é mais uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, possibilitando a integração de políticas públicas em espaços geográficos sob predominância cárstica, aperfeiçoando, consideravelmente, a gestão.

No caso de unidades de conservação com ocorrência de cavernas, por exemplo, poderia contribuir tanto na elaboração quanto na revisão dos planos de manejo, bem como na emissão de anuência das unidades nos processos de licenciamento ambiental. Outra aplicação possível para esta metodologia seria subsidiar ações de planejamento e gestão das atividades de vistoria e fiscalização, entre outros.

Consolidada a metodologia apresentada identificou-se a necessidade de direcionar o Projeto de Monitoramento para a execução de atividades mais específicas e que pudessem ser desenvolvidas de maneira independente. A opção adotada foi à elaboração de subprojetos.

Até o momento foram definidas linhas de ação do Projeto de Monitoramento em consequência dos dados levantados durante o inventário de áreas vulneráveis e da identificação das principais ameaças e sinais vitais do Patrimônio Espeleológico, todos estruturados em parceria com a PUC Minas, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA):

I. O Subprojeto "Monitoramento Microclimático de Grutas Turísticas no Estado de Minas Gerais" tem o objetivo de identificar a relação existente entre a atividade turística e as possíveis alterações no microclima das cavidades naturais subterrâneas abertas ao turismo. (CONTEMPLADO PELA COMPENSAÇÃO ESPELEOLÓGICA).

O projeto Monitoramento Microclimático de Grutas Turísticas no Estado de Minas Gerais trata-se de uma pesquisa desenvolvida em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e a Universidade Federal de Minas Gerais, elaborado utilizando como referência a proposta de Leão e Travassos (2013).

A dificuldade na captação de recursos para aquisição dos equipamentos inviabilizou a execução do projeto até o ano de 2016, quando através do Termo de Compromisso Ambiental - TCA nº 01/2016 (ICMBIO, 2016) foram disponibilizados recursos para aquisição de todo material e equipamentos necessários ao seu desenvolvimento.

O aporte de recursos proporcionado pelo TCA e a parceria com as instituições de pesquisa proporcionaram um aumento na área de abrangência do projeto que passou a considerar em seu escopo um total de sete cavidades no PNCP além da cavidade existente no Monumento Natural Municipal Gruta Nossa Senhora da Lapa – MNMGNSL (Lapa de Antônio Pereira) na cidade de Ouro Preto.

Também está relacionada como área piloto para execução do projeto a Lapa Nova de Maquiné, no Monumento Natural Estadual Peter Lund – MNEPL. Entretanto, devido à possibilidade de se ampliar a quantidade de cavidades a serem pesquisadas no PNCP e considerando a condição de que esta unidade de conservação ainda não está recebendo um número elevado de turistas em função de ainda não estar oficialmente aberta a esta atividade, os estudos a serem conduzidos no MNEPL foram deixados para uma etapa posterior da execução do projeto ainda a ser definida.

A definição dos equipamentos foi elaborada adaptando-se a proposta apresentada por Leão e Travassos (2013). A esta relação foram acrescidos outros itens julgados pertinentes à execução do projeto. Após isto, foram elaboradas as especificações técnicas de cada equipamento e sempre que possível incluído um modelo de referência.

Foram realizadas expedições de campo ao PNCP e ao MNMGNSL com o objetivo de definir os melhores locais para a instalação dos equipamentos responsáveis pela medição contínua dos dados (Dataloggers - DL, estações meteorológicas e registrador da concentração de CO2).

No Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (PNCP) foram visitadas as cavernas Lapa Bonita, Lapa do Índio, Lapa do Carlúcio, Lapa do Caboclo, Lapa do Rezar, Lapa dos Desenhos e Gruta do Janelão. Ao todo foram definidos 39 pontos para a instalação dos DL nas sete cavidades a serem monitoradas no PNCP.

Optou-se inicialmente pela instalação de duas estações meteorológicas no parque, uma na sede e outra no CAV Janelão para que fosse possível a coleta de dados considerando duas unidades climáticas locais distintas (SERAFINI-JÚNIOR, 2005). Na definição do local para este equipamento foi considerada a instalação do conjunto de sensores (termo-higrômetro, anemômetro e pluviômetro) e também do console que armazena os dados.

No Monumento Natural Municipal Gruta Nossa Senhora da Lapa (MNMGNSL), Paula et al (2007) destacam que esta cavidade recebe visitação desde meados do século XVII. Em função disto, observa-se que a gruta apresenta um estágio avançado de alterações antrópicas. Outra característica deste local é que, diferentemente do que acontece nas cavernas do PNCP, a visitação no MNMGNSL não é realizada com a presença de condutores.

Estas características, aliadas ao fato de existirem poucas opções de locais para a instalação dos DL utilizando-se apenas cabo de aço e presilhas metálicas dificultou a definição dos pontos, pois foi verificado que aqueles considerados ideais também eram acessíveis aos visitantes e passíveis de sofrer algum tipo de vandalismo.

Esta cavidade possui suprimento de energia elétrica o que viabiliza a instalação do registrador de concentração de CO2. A instalação da estação meteorológica se dará em local próximo à entrada da cavidade, dispensando a colocação de DL para medição de temperatura e umidade do ar externos.

Alguns resultados preliminares já foram possíveis de alcançar durante as expedições de instalação dos equipamentos já foram realizadas coletas de dados pontuais de temperatura, umidade, direção e intensidade do vento e também da iluminação em diversos pontos. De posse desses dados foi possível elaborar um mapa de temperatura e umidade relativa do ar da Lapa Bonita (Figura 3), que poderá servir de subsidiar a estudos específicos, como a coleta de material biológico, fornecendo uma informação "instantânea" e detalhada da temperatura e umidade na cavidade durante o desenvolvimento de uma determinada atividade.

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Figura 3: Mapas de temperatura e umidade relativa do ar referentes à coleta de dados pontuais na Lapa Bonita em 15/08/2017 e 07/11/2017.

Parte da equipe do Projeto (Base do CECAV Minas) foi convidada a participar do Seminário de Pesquisas Científicas das áreas protegidas do vale do rio Peruaçu, que foi realizado nos dias 09 e 10 de novembro de 2017 e reuniu pesquisadores, instituições de ensino, estudantes e a comunidade local para discutir o potencial de desenvolvimento de pesquisas científicas no PNCP e entorno ocasião em que teve a oportunidade de divulgar, através de um banner, o projeto de monitoramento microclimático e também alguns resultados preliminares já alcançados (Figura 4).

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Figura 4: Banner apresentado no 1º Seminário de pesquisas científicas das áreas protegidas do vale do rio Peruaçu.

A primeira reunião de acompanhamento do projeto foi realizada no dia 14/12/17 e contou com a presença dos parceiros da PUC Minas e UFMG. Nesta oportunidade foi apresentada a evolução do projeto até o mês de dezembro de 2017 e discutidas e ajustadas às metodologias de coleta e processamento de dados. Foram apresentados os resultados parciais do projeto tanto os relativos à execução financeira, quanto ao processamento dos dados coletados. Também fez parte deste encontro a apresentação de possíveis desdobramentos do projeto a serem realizados concomitantemente ao projeto inicial ou em projetos futuros também atrelados ao Projeto de Monitoramento e Avaliação de Impactos sobre o Patrimônio Espeleológico.

As propostas de pesquisa, ainda incipientes, envolvem estudos que objetivem verificar as relações das características microclimáticas das cavernas com a fauna cavernícola e também com as variáveis espeleométricas e com a paisagem no entorno das cavidades. Também se vislumbra a possibilidade de realizar estudos envolvendo parâmetros objetivos de definição de zona afótica, bem como pesquisa envolvendo as características microclimáticas e a qualidade da água presente no ambiente subterrâneo.

As cinco expedições realizadas até o momento ao PNCP em função deste projeto também propiciaram uma maior aproximação entre as equipes da Base Avançada do CECAV em Minas Gerais e do Parque Nacional e APA Cavernas do Peruaçu. Esta situação favorece a identificação preventiva de possíveis problemas na operação dos equipamentos, bem como permite a visualização de possíveis desdobramentos deste projeto.

Considerando a evolução do projeto até o mês de dezembro de 2017, foi proposto um cronograma de atividades a ser utilizado para a realização da coleta de dados até Janeiro de 2020, levando em consideração capacidade de armazenamento de dados dos equipamentos.

I. O Subprojeto "Modelagem do Potencial de Uso Didático da Geodiversidade presente no Parque Nacional da Serra do Gandarela com ênfase no Patrimônio Espeleológico" visa avaliar a geodiversidade presente no PARNA Serra do Gandarela, especialmente quanto ao patrimônio espeleológico e contribuir para geoconservação de áreas de ocorrência desse Patrimônio.

II. O Subprojeto "Caracterização da paisagem no entorno de cavidades naturais subterrâneas em geossistemas ferruginosos do Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais" tem como objetivo identificar a relação que existe entre os impactos ambientais e a composição e configuração da cobertura vegetal do entorno das cavidades e sua consequente influência na cadeia trófica deste tipo de ambiente cavernícola.

III. O Subprojeto "Uso de Cavidades Naturais por Vertebrados" tem por objetivo determinar o uso e ocupação dos vertebrados em cavidades naturais, nas cavernas do PARNA do Gandarela, interligando suas necessidades e relações comportamentais inter e intraespecíficas neste ambiente e seu entorno, em áreas protegidas e antropizadas.

Equipe técnica: (Analistas Ambientais)

Darcy José dos Santos;

Débora Campos Jansen;

Mauro Gomes;

Maurício Carlos Martins de Andrade;

Julio César Rocha Costa.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAVALCANTI, L. F.; LIMA, M. F. de; MEDEIROS, R. C. S.; MEGUERDITCHIAN, I. [et. al] Plano de ação nacional para conservação do Patrimônio Espeleológico nas áreas cársticas da bacia do Rio São Francisco. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, 2012. 140 p.: il. color; 24 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 27).

GOMES, M. Metodologia para identificação de áreas vulneráveis para a conservação do patrimônio espeleológico brasileiro. 2010. 54 f. Monografia (Especialização) - Universidade Federal de Minas Gerais. Instituto de Geociências. Departamento Cartografia. Belo Horizonte, 2010. 54 f. Disponível em: <http://www.csr.ufmg.br/geoprocessamento/publicacoes/MAURO.pdf>. Acesso em: jun/2014.

GOMES, M.; SANTOS, D.; JANSEN, D.C. Proposta metodológica para realização de atividades de monitoramento de impactos ambientais sobre o patrimônio espeleológico brasileiro. Caderno de Geografia, v.24, n.41, 2014. ISSN 2318-2962. Disponível em: <http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/view/6802>. Acesso: jun/2014.

ICMBIO. Termo de Compromisso Ambiental 01/2016. Brasília, DF: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2016.

GOMES, M.; JANSEN, D.C.; SANTOS, D.; CAVALCANTI, L.F. [et. al]. Análise Preliminar dos Mapas de Vulnerabilidade do Patrimônio Espeleológico para as Áreas Cársticas Prioritárias da Região de Abrangência do PAN Cavernas do São Francisco. Revista Brasileira de Espeleologia, Volume 1 – Número 4 – Ano 2014. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/RBEsp/article/view/421>. Acesso em: 18 set 2014.

JANSEN, D.C. Análise ambiental da Área de Proteção Ambiental do Morro da Pedreira e do Parque Nacional da Serra do Cipó para a Proteção do Patrimônio Espeleológico. 2013. 149f. Dissertação (Mestrado em Geografia – Tratamento da Informação Espacial) - PUC Minas. Belo Horizonte. Disponível em: <http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/TratInfEspacial_JansenDC_1.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2013.

LEÃO, M.; TRAVASSOS, L. E. P. Monitoramento Microclimático da Gruta Rei do Mato, Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato, Sete Lagoas, Minas Gerais. . Belo Horizonte, MG: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2013.

MMA - MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. 2009. Gabinete do Ministro. Portaria nº 358, de 30 de setembro de 2009. Institui o Programa Nacional de Conservação do Patrimônio Espeleológico. Diário Oficial da União, Brasília, 1 out. 2009, Seção 1, n. 188, p. 63-64.

PAULA, H. C. DE et al. Caracterização, diagnóstico e cadastramento da Lapa de Antônio Pereira - MG. 2007, Ouro Preto, MG: Sociedade Brasileira de Espeleologia, 2007. p. 221–229.

SERAFINI-JÚNIOR, S. Delimitação de unidades climáticas locais no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. 2005. 190 f. Dissertação (Mestrado em Climatologia). Departamento de Geografia. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, 2005.