Potencialidade de Ocorrência de Cavernas

MAPA BRASILEIRO DE POTENCIALIDADE DE OCORRÊNCIA DE CAVERNAS

 VERSÃO FINAL

Grande parte do território brasileiro é composta por terrenos propícios à ocorrência de ambientes cársticos em diferentes litologias. Conforme Piló e Auler (2011), apesar de o potencial espeleológico brasileiro situar-se na faixa de algumas centenas de milhares de cavernas, menos de 5% das cavidades naturais subterrâneas brasileiras são conhecidas.

Dessa forma, os autores acima citados defendem a adoção de um referencial para a construção de modelo do potencial espeleológico no país (baseado em dados estimados), a partir da relação entre o número de cavernas conhecidas nas principais litologias, com o provável potencial ainda não conhecido (Tabela 1).

Tabela 1- Estimativa do potencial espeleológico brasileiro em relação às cavernas conhecidas por litologia.

Litologia

Número de cavernas conhecidas

Provável potencial (cavernas ainda não conhecidas)

Percentagem de cavernas conhecidas

Carbonatos

7.000

> 150.000

< 5%

Quartzitos

 510(*)

> 50.000

< 1%

Arenitos

510(*)

> 50.000

< 1%

Minério de Ferro

2.000

> 10.000

< 20%

Outras litologias

200

> 50.000

< 0,5%

Fonte: Piló e Auler (2011, p. 9), modificado por Jansen et al., 2012.

(*) Valores aproximados, extraídos da base de dados do CECAV de 01 de junho de 2012.

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV), do Instituto Chico Mendes, tem como competência e objetivo produzir - por meio da pesquisa científica, do ordenamento e da análise técnica de dados - o conhecimento necessário à conservação do Patrimônio Espeleológico, além de executar e auxiliar ações de manejo para a conservação desse Patrimônio (Portaria nº 78, de 03/09/2009, do Instituto Chico Mendes).

O cadastro de cavernas do CECAV, atualizado mensalmente, abrange dados provenientes de outras bases, estudos e prospecção espeleológicos, material bibliográfico e trabalhos de campo realizados por seus técnicos. Em 2010, esse cadastro recebeu um número significativo de registros de cavernas em áreas de minério de ferro e de canga, provenientes de estudos espeleológicos ligados a processos de licenciamento ambiental federal, o que demonstra alto grau da ocorrência de cavernas nessas litologias. Em junho de 2012, o CECAV disponibilizou 10.476 registros de cavernas em sua base de dados

Diante da necessidade evidente de dados geoespacializados que pudessem aprimorar a gestão do Patrimônio Espeleológico e, principalmente, auxiliar a análise de processos de licenciamento ambiental de atividades lesivas aos ambientes cársticos, analistas ambientais do CECAV iniciaram em 2005, o desenvolvimento de metodologia para mapear áreas do território brasileiro favoráveis à ocorrência de cavernas, a partir do Mapa Geológico do Brasil, na escala 1:2.500.000, elaborado, em 2003, pela CPRM.

A partir do conhecimento acumulado, esse mapa foi atualizado pela mesma equipe técnica. Dessa forma, em 2008 e 2009, respectivamente, foram disponibilizadas na página do CECAV, a 2ª e 3ª aproximações. Porém, a metodologia de elaboração somente foi descrita na 4ª aproximação do Mapa, por JANSEN (2011).

Em setembro de 2012, foi publicado o artigo com a versão final do Mapa de Potencialidade de Cavernas no Brasil, na escala 1:2.500.000, na Revista Brasileira de Espeleologia – RBEsp, com o objetivo de desenvolver metodologia que pudesse aperfeiçoar o mapeamento anteriormente realizado e finalizar essa série de mapas, na escala 1:2.500.000.

Na nova metodologia, para gerar a classificação litológica que estabelece o grau de potencialidade de ocorrência de cavernas no Brasil foram utilizados, além da revisão bibliográfica sobre as principais formações litológicas das cavidades registradas na base de dados do CECAV, os seguintes dados em formato shapefile: 1) localização das províncias espeleológicas brasileiras; 2) Mapa Geológico do Brasil, com ênfase nas “Litologia1”, “Litologia2” e “Nome da Unidade”, na escala de 1:2.500.000 (CPRM, 2003); 2) localização de 10.257 cavidades existentes na base de dados do CECAV em 01/06/2012, gerados a partir da integração de dados oriundos de bibliografia especializada, pesquisas e estudos ambientais, Cadastro Nacional de Cavernas (CNC), da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) e CODEX, da Redespeleo Brasil.

Foram utilizadas as cinco classes de grau de potencialidade anteriormente estabelecidas (JANSEN, 2011): “Muito Alto”; “Alto”; “Médio”; “Baixo”; e “Ocorrência Improvável”.

Para cada classe foram agrupados os tipos de rochas, ponderando seus aspectos e respeitando a frequência de ocorrência de cavidades.

O campo “Litotipo1” foi utilizado exclusivamente na ocorrência de até 04 tipos distintos de litotipos, observando a porcentagem mínima para cada litologia.

O campo “Litotipo2” foi considerando em conjunto com o “Litotipo1” na ocorrência de mais de 04 tipos distintos de litotipos.

Os campos “Nome da Unidade”, “Sigla da Unidade” e “Província”, do mapa geológico da CPRM, foram utilizados após classificação preliminar da litologia, para os ajustes nas áreas limítrofes das províncias espeleológicas, em regiões com alta concentração de cavidades, respeitando as províncias e as unidades geológicas dominantes. Esse ajuste foi necessário uma vez que a escala dos dados (1:2.500.000) não proporciona maior detalhamento dessas unidades, desfavorecendo a precisão da informação.

Como resultado, obteve-se que 78,4% das cavidades estão localizadas em áreas com graus de potencialidade de ocorrência Muito Alto e Alto, ou seja, desenvolvidas basicamente em rochas carbonáticas e em formações ferríferas; 12,8% em áreas com grau de potencialidade Médio, englobando, em especial, os arenitos e quartzitos, com vários registros de ocorrência em todo o Brasil; e 8,7% do total em locais de Baixa potencialidade e Ocorrência Improvável (Quadro 1; Figuras 1 e 2).

Quadro 1- Grau de potencialidade de ocorrência de cavernas no Brasil de acordo com a litologia.

Litotipo

Grau de Potencialidade

Calcário, Dolomito, Evaporito, Metacalcário, Formação ferrífera bandada, Itabirito e Jaspilito.

Muito Alto

Calcrete, Carbonatito, Mármore e Marga.

Alto

Arenito, Conglomerado, Filito, Folhelho, Fosforito, Grauvaca, Metaconglomerado, Metapelito, Metassiltito, Micaxisto, Milonito, Quartzito, Pelito, Riolito, Ritmito, Rocha calci-silicática, Siltito e Xisto.

Médio

Anortosito, Arcóseo, Augengnaisse, Basalto, Charnockito, Diabasio, Diamictito, Enderbito, Gabro, Gnaisse, Granito, Granitóide, Granodiorito, Hornfels, Kinzigito, Komatito, Laterita, Metachert, Migmatito, Monzogranito, Olivina gabro, Ortoanfibolito, Sienito, Sienogranito, Tonalito, Trondhjemito, entre outros litotipos.

Baixo

Aluvião, Areia, Argila, Cascalho, Lamito, Linhito, Turfa e outros sedimentos.

Ocorrência Improvável

 fig mapa potencial a4 web

Figura 1- Mapa de potencialidade de ocorrência de cavernas no Brasil, na escala 1:2.500.000.

Click aqui para fazer o download do mapa de potencialidade no formato PDF.

Elaboração: Lindalva F. Cavalcanti

Click aqui para fazer o download dos dados digitais em formato shapefile

 figura2 cavernas grau ocorrencia

Figura 2- Distribuição das cavidades naturais subterrâneas no Brasil por grau potencialidade de ocorrência.

Elaboração: Débora C. Jansen e Lindalva F. Cavalcanti.

Referências bibliográficas

CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil. Mapa Geológico do Brasil, 2003. Escala 1:2.500.000. CD-ROM.

JANSEN, D.C. Mapa Brasileiro de Potencialidade de Ocorrência de Cavernas. Encontro Nacional da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia, IX, Universidade Federal de Goiás, Goiânia. 8 a 12 de outubro de 2009, 6p.

JANSEN, D.C; CAVALCANTI, L. F. LAMBLÉM, H. S. Mapa de Potencialidade de Ocorrência de Cavernas no Brasil, na escala 1:2.500.000. Revista Brasileira de Espeleologia, Brasília, 2012, v. 2, n.1.

PILÓ, L. B.; AULER, A. Introdução à Espeleologia. In: CECAV. III Curso de Espeleologia e Licenciamento Ambiental. Brasília: CECAV/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2011. Cap. 1, p. 7-23.

Equipe técnica

Débora Campos Jansen, Analista Ambiental

Lindalva Ferreira Cavalcanti, Analista Ambiental

Cristiano Fernandes Ferreira, Analista Ambiental

José Carlos do Reino, Analista Ambiental

Ana Lúcia de Costa de Oliveira Galvão, Analista Ambiental

Julio Ferreira da Costa Neto, Analista Ambiental

Maristela Félix de Lima, Analista Ambiental