Regiões Cársticas do Brasil

A primeira proposta de classificação do carste brasileiro surgiu na década 1970, elaborada por KARMANN & SÁNCHEZ (1979) que, a partir da distribuição de rochas carbonáticas, identificaram cinco províncias espeleológicas, isto é, Vale do Ribeira, Bambuí, Serra da Bodoquena, Alto Rio Paraguai e Chapada de Ibiapaba, além de outras nove áreas com fenômenos cársticos mais restritos. Em 1986, as províncias Rio Pardo, Serra Geral e Alto Urubu, as duas últimas de formação arenítica, foram incluídas nessa classificação (KARMANN e SÁNCHES, 1986).

Posteriormente, AULER, RUBBIOLI E BRANDI (2001) caracterizaram geologicamente a distribuição de 14 áreas carbonáticas no Brasil, com base no mapa geológico elaborado por Schobbenhaus et al., 1981 citado por HARDT (2004), adotando a terminologia região cárstica para designar áreas com cavernas.

A diferença entre as classificações de AULER, RUBBIOLI E BRANDI (2001) e KARMANN & SÁNCHEZ (1979; 1986) se deve principalmente às escalas de mapeamento e ao grau de conhecimento à época de elaboração dos trabalhos.

Em 2009, analistas ambientais do CECAV refinaram e ampliaram a classificação de AULER, RUBBIOLI E BRANDI (2001), a partir dos dados constantes do Mapa Geológico do Brasil (CPRM, 2003), da litoestratigrafia do Geobank (CPRM, 2007) e da base de dados do CECAV, que contava à época, com aproximadamente 6.000 cavidades naturais subterrâneas registradas.

Foram identificadas cinco novas regiões cársticas não carbonáticas. Dessa forma, o “Mapa das Regiões Cársticas do Brasil”, elaborado pelo CECAV, contém 19 regiões cársticas: Formação Caatinga, Formação Carajás, Formação Salinas, Formação Vazante, Grupo Açungui, Grupo Apodi, Grupo Araras, Grupo Bambuí, Grupo Brusque, Grupo Corumbá, Grupo Paranoá, Grupo Rio Pardo, Grupo Ubajara, Grupo Una, Grupo Vargem Grande, Grupo Xambioá, Região Cárstica de São João Del Rei, Região Cárstica Quadrilátero Ferrífero e Supergrupo Canudos (Figura 1). Os dados digitais se encontram em formato shapefile para download, no Sistema de Coordenadas Geográficas, Datum SAD69.

O refinamento da delimitação dessas regiões cársticas foi complementado a partir de:

Grupo Açungui

Descobrindo Intervales Atlas Ambiental: aspectos do meio físico (geologia). Disponível em: <http://www.geografia.fflch.usp.br/mapas/Atlas_Intervales/meio_fisico.html>.

Geologia do Escudo. MINEROPAR – Serviço Geológico do Paraná. Disponível em: www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=23>.

Grupo Corumbá

JUSTO, L. J. E. C. Fosfato da Serra da Bodoquena - Mato Grosso do Sul. In: Informe de Recursos Minerais, Série Insumos Minerais para Agricultura, nº 02 (Programa de Avaliação Geológico - Econômica de Insumos Minerais para Agricultura no Brasil - Projeto PIMA). Goiânia: CPRM, 1999. Disponível para download em: <http://www.cprm.gov.br/arquivos/pdf/recmin/pimainforme2.pdf>.

Grupo Rio Pardo

KARMANN, I. O grupo Rio Pardo (Proterozoico médio a superior): uma cobertura paraplataformal da margem sudeste do Cráton do São Francisco. 1987. 127f. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1987.

Grupo Ubajara

CPRM. Geotectônica do Escudo Atlântico (parte 2/3). In: Geologia, Tectônica e Recursos Minerais do Brasil (textos, mapas & SIG). Parte II: tectônica. Disponível em: <http://www.cprm.gov.br/publique/media/cap_V_b.pdf>;. Acesso em: 16 abr. 2012.

Grupo Una

Diamictitos e “Cap Dolomites” Sturtianos sobre o Grupo Jacobina - Araras, Norte de Campo Formoso - Bahia. Geologia USP: Série Científica, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 11-27, 2008. Disponível para download em: <http://geologiausp.igc.usp.br/geologiausp/sc1/art.php?artigo=706>.

LIMA, C. M. de. Estudo ambiental comparativo entre a Bacia do rio Verde/Jacaré e a Bacia do rio Corrente. Disponível em: www.geoambiente.ufba.br/seminário/trab_Cristiane.pdf>.

Região Cárstica Supergrupo Canudos

SANTOS, D. B., MENEZES, H. J. S. de. Aspectos históricos e geográficos sobre a ocorrência de cavernas em Sergipe. Congresso Brasileiro de Espeleologia, 27, Januária. Anais... São Paulo: SBE, 2003. p. 248-252. Disponível para download em www.sbe.com.br/anais27cbe/27cbe_248-252.pdf>.

SANTOS, B. D.; SILVA, S. G. A. Levantamento de sítios com arte rupestre no Domínio Macururé ao longo do Baixo São Francisco – Sergipe. Workshop Arqueológico de Xingó, 2º, Canindé do São Francisco. Anais... Museu de Arqueologia de Xingó, 2002. p. 5-8. Disponível para download em <http://www.max.org.br/biblioteca/Revista/Anais2WS/Sitios-Arte-Rupestre.pdf>.

Região Cárstica do Quadrilátero Ferrífero

CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB). Excursão Virtual pela Estrada Real no Quadrilátero Ferrífero – aspectos geológicos, históricos e turísticos. Disponível em: www.cprm.gov.br/estrada_real/geologia_estratigrafia.html>.

Região Cárstica de São João del Rei

FERNANDES, T. M. G; GODOY, A. M.; FERNANDES, N. H. Aspectos geológicos e tecnológicos dos quartzitos do centro produtor de São Thomé das Letras (MG). Geociências, v. 22, n. 2, p. 129-141, 2003. Disponível para download em: <http://petro.rc.unesp.br/revistageociencias/22_2/3.pdf>.

BRANDÃO, P. F. P. Mercado de rochas calcárias e fosfáticas para nutrição animal. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, 2002.

Grupo Bambuí

CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil.  Banco de Dados GEOBANK. Disponível em: <http://geobank.sa.cprm.gov.br/>.

PORSANI, J. L; FONTES, S. L. O método magnetolúrgico aplicado à Bacia do São Francisco, Minas Gerais. Rev. Bras. Geof. [online]. 2001, v.19, n.2, pp. 145-154. ISSN 0102-261X. Disponível para download em:<http://dx.doi.org/10.1590/S0102-261X2001000200003>.

CASTRO, P. T. A. Características estratigráficas e sedimentológicas dos conglomerados e rochas associadas da Formação Samburá (Grupo Bambuí), Região do Alto rio São Francisco, SW do Cráton do São Francisco. Geo.br, v.4, n. 1, 2004. pp. 1-18. ISSN1519-5708. Disponível para download em: <http://www.degeo.ufop.br/geobr/artigos/artigos_completos/volume4/paulo-tarso.pdf>.

figura regioes carsticas do brasil

Figura 1- Mapa das regiões cársticas do Brasil.
Elaboração: Lindalva F. Cavalcanti

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Referências bibliográficas

AULER, A.; RUBBIOLI, E. L.; BRANDI, R. As grandes cavernas do Brasil. Belo Horizonte: Rona Editora, v. 1, 2001. 230 p.

CECAV - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas. Base digital de dados geoespacializados de cavernas do Brasil (atualização mensal). Instituto Chico Mendes. Disponível em: .

CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil. Banco de Dados GEOBANK. 2007. Disponível em: <http://geobank.sa.cprm.gov.br/>.

CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil. Mapa Geológico do Brasil. Escala 1:2.500.000. 2003. CD-ROM.

HARDT, R. Aspectos da morfologia cárstica da Serra do Calcário - Cocalinho - MT. Dissertação (Mestrado). Rio Claro. Universidade Estadual Paulista, Instituto de Geociências e Ciências Exatas, p. 98. 2004. Disponível em <http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/brc/33004137004P0/2004/hardt_r_me_rcla.pdf>. Acesso em: 9 ago. 2011.

KARMANN, I.; SÁNCHEZ, L. E. Speleological provinces in Brazil. International Congress of Speleology. Anais... Barcelona: UIS. 1986.

KARMANN, I.; SÁNCHEZ, L. H. Distribuição das rochas carbonáticas e províncias espeleológicas do Brasil. Espeleotema, Monte Sião, v. 13, p. 105-167, 1979.

Equipe técnica:

Débora Campos Jansen, Analista Ambiental
Ana Lúcia de Costa de Oliveira Galvão, Analista Ambiental
Maristela Felix de Lima, Analista Ambiental
Lindalva Ferreira Cavalcanti, Analista Ambiental
Júlio Ferreira da Costa Neto, Analista Ambiental