Conservacionistas analisam a probabilidade de extinção de sete espécies de aves

Entre os dias 10 e 13 de dezembro, vinte especialistas se reuniram no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) em uma oficina com o objetivo de construir modelos de viabilidade populacional para cinco espécies de papagaios: papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis); papagaio-de-peito-roxo (A. vinacea); papagaio-charão (A. pretrei); papagaio-verdadeiro (A. aestiva) e papagaio-chauá (A. rhodocorytha); e para a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) e a jacutinga (Aburria jacutinga).

A Análise de Viabilidade Populacional, também conhecida como AVP, é uma ferramenta para modelar a probabilidade de extinção de espécies e testar alternativas de manejo. Para os papagaios, por exemplo, um dos objetivos foi avaliar como o uso de ninhos artificiais beneficia o sucesso reprodutivo das espécies. Além disso, a AVP pode ajudar a entender quais são as variáveis ambientais, antrópicas ou biológicas mais determinantes na dinâmica de uma determinada população.

Marina Somenzari

A AVP pode ajudar não apenas os pesquisadores, mas também os tomadores de decisão, uma vez que o resultado dessa modelagem pode ser utilizado como um dos critérios para determinar o estado de conservação na Lista Vermelha de espécies ameaçadas. "O workshop vai orientar as estratégias de reintrodução da jacutinga e avaliar as tendências populacionais das espécies, além do efeito dos ninhos artificiais na recuperação das populações dos psitacídeos", comenta Eduardo Barbosa, do Cemave.

A oficina contou com as modeladoras Kathy Traylor-Holzer do Grupo Especialista em Planejamento de Conservação da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN/SSC/CPSG) e Taylor Callicrate do Species Conservation Toolkit Initiative (IUCN/SCTI), buscando também capacitar modeladores brasileiros. A oficina propiciou a aplicação do conhecimento adquirido dos modeladores no curso de AVP realizado em março desse ano. "Capacitar pessoas para conduzir essas análises no Brasil está entre as prioridades de trabalho do CPSG, estamos muito felizes pelo aprimoramento de seis conservacionistas brasileiros", comenta Fabiana Rocha, CPSG Brasil.

O evento foi organizado pelo Cemave, juntamente com o CPSG e o apoio do Parque das Aves e do MZUSP. Contamos com a representatividade de doze instituições: Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), Conservation Planning Specialist Group (CPSG), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), Fundação Neotrópica do Brasil. Instituto Arara-azul, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), Parque das Aves, Projeto-Charão/AMA, SAVE Brasil, Species Conservation Toolkit Initiative (SCTI), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Universidade Estadual Paulista (UNESP).

 

Marina Somenzari