Plantas do Parque Nacional

 

Plantas do Parque Nacional do Itatiaia ganham lista online

A Lista lançada em 29 de março de 2019 conta com 2.642 espécies e é a primeira a integrar o Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação brasileiras.


Os cerca de 30.000 hectares do Parque Nacional do Itatiaia (PNI) abrigam 13% das espécies de plantas com flores (angiospermas) da Mata Atlântica e 37% das samambaias e licófitas desse bioma. Esses números são parte dos resultados do projeto “Redescobrindo espécies ameaçadas em Unidades de Conservação da Floresta Atlântica: bases para gestão, conservação e acesso à informação”, que lançou, em 29 de março, a Lista de Plantas do Parque Nacional do Itatiaia.

O evento aconteceu no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e contou com a presença do diretor de Pesquisas Renato Crespo e da diretora de Conhecimento, Ambiente e Tecnologia do JBRJ, Lidia Vales, bem como do Chefe do PNI, Gustavo Wanderley Tomzhinski, de Katia Torres Ribeiro, coordenadora geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e uma comitiva de servidores dessa instituição, que atualmente administra o PARNA Itatiaia e as outras Unidades de Conservação federais. As apresentações foram feitas pelas pesquisadoras do JBRJ Rafaela Campostrini Forzza – representando a coordenadora do projeto, Tatiana Carrijo (UFES) –, e Marli Pires Morim.

O PNI é uma Unidade de Conservação que se localiza no maciço do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, ao sul dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro administrava a área desde que ela foi criada como Reserva Florestal, em 1914. Ela passou a Estação Ecológica em 1927, ainda sob administração do Jardim Botânico, e foi decretada como primeiro parque nacional do Brasil em 1937.

O naturalista do JBRJ Alexandre Curt Brade publicou, em 1956, uma das primeiras listas das espécies conhecidas do Parque até então, registrando 445 espécies. A nova lista publicada em 2019 traz 2.642 espécies catalogadas até o momento, o que mostra o esforço dos pesquisadores ao longo dos anos para conhecer a flora do PNI. Para chegar a esses números, além da equipe do projeto, o trabalho de verificar e limpar os dados envolveu 46 taxonomistas.

Pelas circunstâncias históricas, a quase totalidade das amostras coletadas no Parque está armazenada no herbário RB, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. “É um sonho de muitos anos lançar esse material, revisitando o trabalho de Brade e de outros importantes pesquisadores”, afirmou Marli Pires Morim.

Para dar uma ideia da riqueza biológica do PARNA Itatiaia, se considerarmos apenas as orquídeas, nele se encontram 216 espécies. Da família das margaridas (Asteraceae), são 183 espécies. Cruzando os dados com os do sistema do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), foram identificadas 92 espécies ameaçadas de extinção no PNI, sendo 18 delas prioritárias, porque foram coletadas pela última vez há mais de 30 anos ou só contam com um registro em herbário.

O projeto também localiza as populações das espécies ameaçadas e faz estudos genéticos e de reprodução voltados à conservação dessas plantas. Os pesquisadores encontraram ainda 41 espécies de plantas não nativas no PNI. “É importante que nós, cientistas, geremos esse tipo de informação que é fundamental para a gestão das Unidades de Conservação”, ressaltou Rafaela Forzza.

Catálogo voltado para gestão das UCs

A lista do PNI está publicada no website Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil, lançado na mesma ocasião. Nele, os dados que já existiam em sistemas concebidos para outras finalidades, como o da Flora do Brasil, o do CNCFlora e o Jabot, estão integrados, organizados e disponibilizados de modo a facilitar o acesso dos gestores das UCs às informações de que eles necessitam em seu trabalho. E além da lista (checklist), os usuários também encontram uma descrição da UC, um banco de fotografias e instruções sobre como citar o sistema em trabalhos acadêmicos.