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Répteis - Chelonoidis carbonarius - Jabuti-piranga

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824) NO BRASIL.

Richard Carl Vogt1, Camila Kurzmann Fagundes2, Yeda Soares de Lucena Bataus2, Rafael Antônio Machado Balestra2, Flávia Reina de Queiroz Batista2, Vívian Mara Uhlig2, Adriano Lima Silveira3, Alex Bager4, Alexandre Milaré Batistella5, Franco Leandro de Souza6, Gláucia Moreira Drummond7, Isaías José dos Reis2, Rafael Bernhard1, Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça2, Vera Lúcia Ferreira Luz2.


1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
2Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
3Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
4Universidade Tecnológica Federal de Lavras - UFLA
5Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso
6Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
7Fundação Biodiversitas

Vogt, R. C.; Fagundes, C. K.; Bataus, Y. S. L.; Balestra, R. A. M.; Batista, F. R. W.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Bager, A.; Batistella, A. M.; Souza, F. L.; Drummond, G. M.; Reis, I. J.; Bernhard, R.; Mendonça, S. h. S. T.; Luz, V. L. F. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio.http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7399-repteis-chelonoidis-carbonaria-jabuti-piranga.html


 Chelonoidis carbonaria site  Chelonoidis carbonaria site
Foto: Rafael Valadão
Elaboração: NGeo-RAN/ICMBio

Ordem: Testudines
Família: Testudinidae

Nomes comuns:  Jabuti-piranga, Jabuti-vermelho, Red-footed tortoise, Morrocoy, Motelo, Motolo, Morrocoy negro, Morrocoy pata roja, Wayamo, Yaimoro.

Sinonímias:  Geochelone carbonaria, Chelonoidis carbonaria.

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Menos preocupante (LC).

Justificativa: Chelonoidis carbonaria é amplamente distribuída na América do Sul, ocorrendo na Guiana, Venezuela, Bolívia, Colômbia Paraguai, Brasil e Argentina, e na América Central, ocorre no Panamá, Antilhas e ilha de Trinidad. É elegível para a avaliação regional. No Brasil, ocorre nos biomas Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica, nos estados do Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Sua extensão de ocorrência calculada no país é de 5.750.511,31 km². A espécie é comumente encontrada nesses estados. Embora seja intensamente utilizada de forma ilegal como animal de estimação e na alimentação humana, essas atividades parecem não afetar significativamente sua população. Por essas razões, Chelonoidis carbonaria foi categorizada como Menos preocupante (LC).
       
Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não é o caso.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não se aplica.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  Na Convenção Sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres – CITES, a espécie consta no apêndice II (Cites 2012).
Listas estaduais: Não se aplica.


Na América do Sul, Chelonoidis carbonaria distribui-se amplamente a leste dos Andes, ao longo da Guiana, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Brasil e Argentina. São conhecidas também populações no sudeste do Panamá, na costa do caribe, e nas Antilhas e ilha de Trinidad (Rueda-Almonacid et al. 2007).
Apesar de esparsos, os registros para a espécie estão distribuídos em uma grande extensão do território brasileiro (Pritchard & Trebbau 1984, Jerozolimski 2005), nos Estados do Amazonas (AM), Pará (PA), Mato Grosso (MS), Maranhão (MA), Piauí (PI), Pernambuco (PE), Bahia (BA), Alagoas (AL), Roraima (RR) (Emysystem 2010, Rafael Balestra, comunicação pessoal, 2010), Rondônia (RO) (Vanzolini, 1994), Goiás (GO) (Silva et al., 2005) e Mato Grosso do Sul (MS) (Emysystem 2010, Bruno Ferronato observação pessoal, 2010). No Sudeste do Brasil, há um único registro antigo no litoral do Rio de Janeiro, no município do Rio de Janeiro (RJ), Recreio dos Bandeirantes (Emysystem 2010) que necessita de confirmação (Adriano Lima Silveira, comunicação pessoal, 2010).
A extensão de ocorrência calculada da espécie no Brasil é de 5.750.511,31 km², via mínimo polígono convexo, a partir dos pontos de registro.

Vogt (2008) relata que a espécie é relativamente comum no Brasil. Bruno Ferronato (comunicação pessoal, 2010) afirma que a espécie é facilmente encontrada na Fazenda Caiman (MS), sendo observada mais frequentemente durante a época de chuvas. Moskovits (1985) registrou uma densidade de 1,05 indivíduos/ha em Maracá (RR). No Pará, a densidade pode chegar a 0,30 indivíduos/ha (Jerozolimski 2005). No entanto, a tendência populacional é desconhecida.

A espécie prefere campos abertos e áreas de gramíneas, mas também ocorre dentro de florestas (Vogt 2008), na Caatinga, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica (Jerozolimski 2005, Adriano Lima Silveira, comunicação pessoal, 2010). É mais ativa durante a temporada de chuvas e gosta de se enterrar no lodo (Rueda-Almonacid et al. 2007). Consome grande quantidade de espécies vegetais, atuando como importante dispersor de semente (Wang et al. 2011).
O tamanho da carapaça das fêmeas ao atingir a maturidade sexual varia entre 15-18 cm de comprimento retilíneo. Os machos atingem mais de 55 cm de comprimento retilíneo da carapaça. Acredita-se que vivam mais de 50 anos (Vogt 2008). Não há informação sobre o tempo geracional. 
A reprodução da espécie acontece no período de agosto-janeiro, com maior frequência entre setembro-novembro (Vogt 2008). A espécie desova no mínimo duas vezes por ano (Rocha et al. 1988). Em uma única estação reprodutiva foram observadas múltiplas desovas, entre duas e cinco (Castaño & Lugo 1981, Tonge 1988, Rocha et al. 1988, Rueda-Almonacid et al. 2007). O intervalo entre as desovas varia de 30 a 40 dias (Rueda-Almonacid et al. 2007). O tempo de eclosão é de 05 meses.
Vogt (2008) compilou vários trabalhos sobre a espécie, verificando que a desova contém em média 06 ovos (1-15), esféricos (45 x 40 mm), os quais são postos dentro de um ninho raso.
Ainda não existem informações seguras sobre a temperatura pivotal e condições que determinam o sexo dos embriões para C. carbonaria. Há apenas indicações de que a determinação sexual é dependente da temperatura de incubação (Franco 1994).

As principais ameaças à espécie são atividades agropecuárias e uso ilegal. No Brasil, muitas populações têm sido exploradas tanto para alimentação humana quanto para o comércio de animais de estimação (Jerozolimski 2005, Vogt 2008, Pezzuti et al. 2010).
Em Duque de Caxias (RJ), a espécie também é utilizada em rituais religiosos e indígenas (Salles e Silva-Soares 2010, Adriano Lima Silveira, comunicação pessoal, 2010). Em Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso existe a crença de que criar jabuti em casa cura a asma (Alexandre Milaré Batistella, Yeda Soares de Lucena Bataus,  Franco Leandro Souza, comunicação pessoal, 2010).

Para diminuir a pressão sobre as populações selvagens dessa espécie foram registrados no IBAMA oito criadouros comerciais da espécie. Cinco desses criadouros com objetivo de suprir o mercado de animais de estimação, que já estão em fase de comercialização (01 em Pernambuco, 02 na Bahia, 01 no Paraná e 01 em São Paulo), e três com o objetivo de comercialização de carne, localizados no Acre. De acordo com informações da Superintendência do IBAMA no Acre só um dos criadouros está funcionando, mas ainda não está em fase de comercialização. Os outros dois tiveram seus registros cancelados (Isaias José dos Reis, comunicação pessoal 2010).
Os plantéis desses criadouros foram formados a partir do recebimento de animais das duas espécies de jabutis (C. carbonaria e C. denticulata) e de híbridos, provenientes de criações particulares, zoológicos e apreensões do IBAMA (Isaias José dos Reis, comunicação pessoal 2010).

Floresta Nacional do Tapajós (PA), Reserva Biológica do Rio Trombetas (PA), Estação Ecológica de Maracá (RR), Área de Proteção Ambiental do Pratagy (AL), Parque Nacional dos Campos Amazônicos (RO/MT/AM).


Deve-se discutir a elaboração e a implementação de um programa de incentivo do uso legal da espécie. Também são necessárias ações de fiscalização em toda a sua extensão de ocorrência para diminuir a apanha e comércio ilegal da espécie.
Recomendam-se mais estudos populacionais e de avaliação dos impactos das ameaças sobre o estado de conservação da espécie.

Castaño-Mora, O.V. & Lugo-Rugeles, M. 1981. Estudio comparativo del comportamiento de dos especies de morrocoy: Geochelone carbonaria y Geochelone denticulata y aspectos comparables de su morfologia externa. Cespedesia, 10(37-38): 55-122.

Cites. 2012. (Convenção Sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres). <http://www.cites.org>. (Acesso em: 07/08/2012).

Emysystem. 1999. World Turtle Database. Disponível em: <http://emys.geo.orst.edu>. Acesso em 10/06/2010.

Franco, M.T.O.M. 1994. Influência da temperatura de incubação na determinação sexual de Geochelone carbonaria (Spix, 1824) (Reptilia, Testudines, Testudinidae). Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 76p.

Jerozolimsk, I.A. 2005. Ecologia de populações silvestres dos jabutis Geochelone denticulata e G. carbonaria (Cryptodira: Testudinidae) no território da aldeia A´Ukre, TI Kayapó, sul do Pará. Dissertação (Pós Doutorado em Biologia Animal). University of São Paulo. 82p.

Moskovits, D. K. 1985. The behavior and ecology of the two Amazonian tortoises, Geochelone carbonaria and Geochelone denticulata, in northwestern Brasil. Thesis (PhD in Animal Science). University of Chicago, Illinois. 49p.

Pezzuti, J.C.B.; Lima, J.P.; Silva, D.F. DA & Begossi, A. 2010. Uses and taboos of turtles ans tortoises along Rio Negro, Amazon Basin. Journal of Ethnobiology, (30)1: 153–168.

Pritchard, P.C.H. & Trebbau, P. 1984. The turtles of Venezuela. SSAR. 403p.

Rocha, M. B.; Molina, F. B. & Correa, M. L. C. A. 1998. O comportamento de nidificação de Geochelone carbonaria (Spix, 1824), jabuti, em cativeiro (Testudines, Testudinidae). In: Resumos do Encontro Anual de Etologia, R15.

Rueda-Almonacid, J.V.; Carr, J. L.; Mittermeier, R. A.; Rodríguez-Mahecha, J. V.; Mast, R. B.; Vogt, R. C.; Rhodin, A. G. J.; Ossa-Velásquez, J. DE LA; Rueda, J. N. & Mittermeier, C. G. 2007. Las tortugas y los cocodrilianos de los países andinos del trópico. Serie de guías tropicales de campo Nº 6. Conservación Internacional. Editorial Panamericana, Formas e Impresos. Bogotá, Colombia, 538p.

Salles, R.O.L. & Silva-Soares, T. 2010. Répteis do município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, Sudeste do Brasil. Biotemas, 23(2): 135-144.

Silva JR., N.J.; Silva, H.L.R.; Rodrigues, M.T.; Valle, N.C.; Costa, M.C.; Castro, S.P.; Linder, E.T.; Johansson, C.; Sites, J.W. JR. 2005. A fauna de vertebrados do vale do alto rio Tocantins em áreas de usinas hidrelétricas. Estudos, 32: 57-101.

Tonge, S. 1988. An analysis of the reproduction of a pair of red-footed tortoises (Geochelone carbonaria) over a twenty-year period. Dodo, 25:82-90.

Vanzolini, P.E. 1994. On the Distribution of Certain South American Turtles (Testudines: Testudinidae and Chelidae). Smithsonian Herpetological Information Service, 97:1-10.

Vogt, R.C. 2008. Tartarugas da Amazônia. Lima. 104p.

Wang, E.; Donatti, C.I.; Ferreira, V.L.; Raizer, J. & Himmelstein, J. Food Habits and notes on the biology of Chelonoidis carbonaria (Spix 1824) (Testudinidae, Chelonia) in the Southern Pantanal, Brazil. South American Journal of Herpetology, 6(1):11-19, 2011.

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Quelônios Continentais Brasileiros
Local e Data de realização: Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador: Alessandro Santana dos Santos (Fundação Pró-Tamar).

Avaliadores: Richard Carl Vogt (INPA), Gláucia Moreira Drummond (Fundação Biodiversitas), Alex Bager (UFLA), Adriano Lima Silveira (UFRJ), Alexandre Milaré Batistella (SEMA/MT), Rafael Bernhard (INPA), Franco Leandro de Souza (UFMS), Isaías José dos Reis (RAN/ICMBio),Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio), e Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio).

Colaborador(es): Rafaella de Carvalho Garbin (UFRJ) e Isaías José dos Reis (RAN/ICMBio).

Apoio:
Camila Kurzmann Fagundes (consultora, RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Flávia Regina Batista Queiroz (RAN/ICMBio), Richard Carl Vogt (INPA).

  _cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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