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Mamíferos - Aotus infulatus - Macaco da noite

Avaliação do Risco de Extinção de Aotus infulatus (Kühl, 1820) no Brasil

Thieres Pinto1, Jessica W. Lynch Alfaro2, Andre Luis Ravetta3 & Anthony B. Rylands4



1Sertões Consultoria Ambiental, Fortaleza, Ceará, Brasil. <thieres@sertoesconsultoria.com.br>

2Institute for Society and Genetics, University of California, Los Angeles, California, USA. <jlynchalfaro@ucla.edu.>


3
Programa de Pós-Graduação em Zoologia, Museu Paraense Emílio Goeldi / Universidade Federal do Pará. Belém, Pará, Brasil. <andreluis.ravetta@gmail.com>


4
Conservation International - CI, Arlington, Virginia, USA. <arylands@conservation.org.>




Aotus infulatus Stephen Nash CPB  Aotus infulatus

Ordem: Primates
Família: Aotidae
Nomes comuns por região/língua:
Português – Macaco-da-noite, Macaco-da-noite-de-pescoço-vermelho.
Inglês – Feline Night Monkey.
Outros – Mono Nocturno.

Sinonímia/s: 1820. Callithrix infulatus Kühl, H. Beitr. Zool. Vergl. Anat., 1: 38. Brasil, Pará.
1909. Aotus roberti Dollman.

Notas taxonômicas:
As informações até hoje publicadas são insuficientes para caracterizar com fidelidade a diversidade deste gênero (Fernandez-Duque et al. 2008). Hershkovitz (1983) revisou a taxonomia deste gênero basicamente através de análise de cariótipos, reconhecendo A. infulatus como espécie válida. O mesmo estudo sugeriu que novas pesquisas poderiam modificar a taxonomia do grupo. Groves (2001, 2005) considerou este táxon como uma subespécie, Aotus azarae infulatus (Kuhl, 1820), seguindo Pieczarka et al. (1993). Menezes e colaboradores (2010) usaram dados moleculares que suportam a validade de A. infulatus como espécie plena.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Menos Preocupante (LC).

Justificativa:
Aotus infulatus ocorre na Amazônia oriental, no arco do desmatamento. A partir de dados de redução de hábitat, suspeita-se um declínio populacional de 15% nos últimos 24 anos. Apesar disso, a espécie ocorre em áreas protegidas e, portanto, foi categorizada como Menos Preocupante (LC).

Histórico das avaliações nacionais anteriores: Táxon não consta na última avaliação nacional.

Avaliações em outras escalas:
Avaliação Global (IUCN): Avaliação Global (IUCN): Quase ameaçado (NT) (Fernández-Duque et al. 2008).

HISTÓRIA DE VIDA
Maturidade sexual (anos)
Fêmea 4,8 (para A. a. azarae) (Fernandez-Duque & Huntington 2002); 3,3 - 5 (para o gênero) (Fernandez-Duque 2011).
Macho 5 (para A. a. azarae) (Juárez et al. 2003, Fernandez-Duque 2004). 3,3 - 5 (para o gênero) (Fernandez-Duque 2011).
Peso Adulto (g)
Fêmea 1240 (n=1) (Fernandes 1993).
Macho 1190 (n=1) (Fernandes 1993).
Comprimento Adulto (mm)
Fêmea Cabeça-corpo: 341, cauda: 373 (para o gênero) (Napier 1976 citado em Rowe 1996).
Macho Cabeça-corpo: 346, cauda: 354 (para o gênero) (Napier 1976 citado em Rowe 1996).
Tempo geracional (anos)
8 (IUCN/SSC 2007).
Sistema de acasalamento monogâmico (Fernández-Duque et al. 2008).
Intervalo entre nascimentos 1 ano (para o gênero) (Fernandez-Duque 2007).
Tempo de gestação (meses)
122-159 dias (para o gênero) (Fernandez-Duque 2007).
Tamanho da prole 1 (para o gênero) (Fernández-Duque et al. 2008).
Longevidade 20 anos (para o gênero) (Ross 1991, Aquino & Encarnación 1994a).
Características genéticas Cariótipo: Até o momento foram identificados para o gênero 18 cariótipos que variaram de 2N = 46-48 (Ruiz-Herrera et al. 2005).

O táxon é endêmico ao Brasil e está presente nos estados do Amapá, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, sendo residente e nativo em todos estes (Fernandez-Duque et al. 2008; T. Pinto & Roberto, dados não publicados).

Considerando as informações de Fernandez-Duque et al. (2008) Aotus infulatus ocorre em pelo menos uma pequena parcela do sul do Amapá (Carmo de Macacoari, no município de Itaubal), nas Ilhas de Marajó e Caviana (Hill 1960, Fernandes 1993, Silva-Júnior et al. 1995). A partir daí, ocorre ao sul do rio Amazonas, a leste dos rios Tapajós e Juruena, ao sul e ao longo da margem direita do rio Guaporé, a leste do rio Corixá Grande até o rio Itiguira (afluente do rio Paraguai). No leste de sua distribuição a espécie pode ser encontrada além da margem direita do rio Paranaíba, porém esta parece limitar-se com o início e estabelecimento do bioma caatinga em sua forma mais típica. Esse padrão de distribuição foi predito por Silva-Júnior e Fernandes (1999). À sudeste sua distribuição limita-se com rio Manuel Alves Grande (afluente do rio Tocantins) até a margem esquerda do rio Tocantins (limite ocidental) (Fernandez-Duque et al. 2008, T. Pinto & Roberto, dados não publicados). De maneira geral a distribuição compreende a região do arco do desmatamento da Amazônia. No entanto, recentemente esta espécie foi registrada nos municípios de Caxingó e Buriti dos Lopes, Piauí, representando o primeiro registro tanto da espécie como do gênero para o Bioma Caatinga (T. Pinto & Roberto, dados não publicados).

É preciso uma maior amostragem nas ilhas de Gurupá e Mexiana, no Pará, onde possivelmente ocorra.

O tamanho da população total remanescente não é conhecido e não se sabe se o número de indivíduos maduros deste táxon é superior a 10.000.

Aotus infulatus apresenta tamanho médio dos grupos de 4 - 6 ind./grupo, sendo um par de adultos, um infante, um ou dois juvenis e às vezes um subadulto (para o gênero) (Fernandez-Duque et al. 2008).

Informações sobre abundância populacional: Não há informações populacionais para A. infulatus, sendo assim, estão sendo considerados os dados de Aotus azarae azarae, que é um táxon próximo. De 0,8 a 7,4 ind/10km na Reserva de Vida Silvestre Ríos Blanco y Negro – Bolívia (Wallace et al. 2000); 60 ind/km² leste de Formosa, Guaycolec - Argentina (Fernandez-Duque et al. 2001); 12,8 – 29 ind/km² Formosa, Guaycolec - Argentina (Fernandez-Duque 2007). Tendência populacional: Diminuindo. A espécie ocorre no arco do desmatamento e possivelmente está sujeita a pressão de caça nas Terras Indígenas.

Aotus infulatus habita florestas perenes de terras baixas do sul do Pará e norte do Mato Grosso. Também ocorre em manchas de floresta no Cerrado e floresta de galeria no Pantanal do Mato Grosso (Aquino & Encarnación 1994b). O táxon não é restrito a hábitats primários e apresenta certa tolerância a modificações/perturbações no ambiente, ocorrendo em florestas alteradas, incluindo as que tiveram corte seletivo de madeira (Fernandez-Duque et al. 2008). Na Caatinga, foi observado em áreas de capoeiras e pomares em uma região de transição entre este bioma e o Cerrado (Pinto & Roberto, dados não publicados). Esses animais parecem não utilizar as áreas de caatinga típica (Silva-Junior & Fernandes, 1999; Pinto & Roberto, dados não publicados). Essa inabilidade ecológica de ocupar as caatingas parece limitar à distribuição dessa espécie às zonas de transição na borda ocidental desse bioma.

Silva-Junior & Fernandes (1999) registram o uso de babaçuais (bosques de Orbignya sp.) e carnaubais (bosques de Copernicia sp.) como áreas de dormida e alimentação.

A área de vida do táxon é estimada em 5 – 18 ha (para o gênero) (Fernandez-Duque et al. 2008); e 12 ha (A. a. azarae) Guayolec, Formosa – Argentina (Ardit 1992).

As principais ameaças identificadas para o táxon foram: assentamentos rurais, agricultura, pecuária, desmatamento, aumento da matriz energética, aumento da matriz rodoviária, desconexão de hábitat, redução de hábitat e caça. Além destas, há presença de forte desmatamento e fragmentação de hábitat no Maranhão e leste do Pará, usinas hidrelétricas de Jamanxim e Tapajós, expansão do cultivo de soja, asfaltamento da transamazônica e BR-163 e provável caça em Terras Indígenas.

Existentes: A espécie está listada no Apêndice II da CITES.

Tocantins: PARNA Araguaia (555.517,83 ha) (Fernandez-Duque et al. 2008)
Mato Grosso: PARNA Pantanal Matogrossense (135.606,47 ha) (Fernandez-Duque et al. 2008)
Maranhão: REBIO Gurupi (271.197,51 ha) (Fernandez-Duque et al. 2008)
Pará: REBIO Tapirapé (99.271,75 ha), FLONA Tapajós (549.066,87 ha) (Fernandez-Duque et al. 2008).

Não existe pesquisa para essa espécie.

Aquino, R. & Encarnación, F. 1994a. Owl monkey populations in Latin America: field work and conservation. Pp.59-95. In: Baer, J. F.; Weller, R. E. & Kakoma, I. (eds.). Aotus: The Owl Monkey. Academic Press, New York. 380p.

Aquino, R. & Encarnación, F. 1994b. Primates of Peru / Los Primates del Perú. Primate Report, (40): 1-127.

Arditi, S.I. 1992. Variaciones estacionales en la actividad y dieta de Aotus azarae y Alouatta caraya en Formosa, Argentina. Boletin Primatologico Latinoamericano, 3: 11-30.

Fernandes, M.E.B. 1993. New field records of night monkeys, genus Aotus, in northern Brazil. Neotropical Primates, 1 (4): 6-8.

Fernandez-Duque, E. & Huntington, C. 2002. Disappearances of individuals from social groups have implications for understanding natal dispersal in monogamous owl monkeys (Aotus azarai). American Journal of Primatology, 57: 219-225.

Fernandez-Duque, E. 2004. High levels of intrasexual competition in sexually monomorphic owl monkeys (Aotus azarai). Folia Primatologica, 75 (1): 260.

Fernandez-Duque, E. 2007. Aotinae: social monogamy in the only nocturnal haplorhine. Pp.139-154. In: Campbell, C.J.; Fuentes, A.; Mackinnon, K.C.; Panger, M. & Bearder, S.K. (eds.). Primates in Perspective. 1st edition. Oxford University Press. 720p.

Fernandez-Duque, E. 2011. Aotinae: social monogamy in the only nocturnal anthropoid. Pp.140-154. In: Campbell, C.J.; Fuentes, A.; Mackinnon, K.C.; Bearder, S.K. & Stumpf R.M. (eds.). Primates in Perspective. 2nd edition. Oxford University Press, Oxford. 852p.

Fernandez-Duque, E.; Rotundo, M. & Sloan, C. 2001. Density and population structure of owl monkeys (Aotus azarai) in the Argentinean Chaco. American Journal of Primatology, 53: 99-108.

Fernandez-Duque, E.; Wallace, R.B. & Rylands, A.B. 2008. Aotus azarae. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species, Version 2011.2. Disponível em www.iucnredlist.org. Acessado em 16/01/2012.

Groves, C.P. 2001. Primate Taxonomy. Smithsonian Institution Press, Washington, DC. 350p.

Groves, C.P. 2005. Order Primates. Pp. 111-184. In: Wilson, D.E. & Reeder, D.M. (eds.). Mammal Species of the World. The Johns Hopkins University Press, Baltimore, MD. 743p.

Hershkovitz, P. 1983. Two new species of night monkeys, genus Aotus (Cebidae, Platyrrhini): A preliminary report on Aotus taxonomy. American Journal of Primatology, 4: 209-243.

Hill, W.C.O. 1960. Primates: Comparative Anatomy and Taxonomy. IV Cebidae, Part A. Edinburgh University Press, Edinburgh. 523p.

IUCN/SSC Neotropical Primates Species Assessment Workshop (Red List). 2007. Oficina realizada em Novembro de 2007, Orlando, FL.

Juárez, C.; Rotundo, M. & Fernandez-Duque, E. 2003. Behavioral sex differences in the socially monogamous night monkeys of the Argentinean Chaco. Revista de Etologia, 5: 174.

Menezes, A.N.; Bonvicino, C.R. & Seuanez, H.N. 2010. Identification, classification and evolution of owl monkeys (Aotus. Illiger 1811). BMC Evolutionary Biology, 10: 248-263.

Napier, P.H. 1976. Catalogue of Primates in the British Museum (Natural History). Part 1: Family Callitrichidae and Cebidae. British Museum (Natural History), London. 121p.

Pieczarka, J.C.; de Souza Barros, R.M.; de Faria, F.M. Jr. & Nagamachi C.Y. 1993. Aotus from the southwestern Amazon region is geographically and chromosomally intermediate between A. azarae boliviensis and A. infulatus. Primates, 34: 197-204.

Ross, C. 1991. Life history pattern of New World monkeys. International Journal of Primatology, 12: 481-502.

Rowe, N. 1996. The Pictorial Guide to the Living Primates. Pogonias Press, East Hampton. 263p.

Ruiz-Herrera, A.; García, F.; Aguilera, M.; García, M. & Fontanals, M.P. 2005. Comparative chromosome painting in Aotus reveals a highly derived evolution. American Journal of Primatology, 65: 73-85.

Silva-Júnior, J.S.; Nunes, A. & Fernandes, M.E.B. 1995. Geographic distribution of night monkeys, Aotus, in northern Brazil: new data and a correction. Neotropical Primates, 3 (3): 72-74.

Silva-Júnior, J.S.; Fernandes, M.E.B. 1999. A northeastern extension of the distribution of Aotus infulatus in Maranhão, Brazil. Neotropical Primates, 7 (3): 76-80.

Wallace, R.B.; Painter, R.L.E.; Rumiz, D.I. & Taber, A.B. 2000. Primate diversity, distribution and relative abundances in the Rios Blanco y Negro Wildlife Reserve, Santa Cruz Department, Bolivia. Neotropical Primates, 8: 24-28.

Citação:
Pinto, T.; Alfaro, J. W. L.; Ravetta, A. L.; Rylands, A. B. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Aotus infulatus (Kühl, 1820) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7160-mamiferos-aotus-infulatus-macaco-da-noite.html

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros.
Data de realização: 30 de julho a 03 de agosto de 2012.
Local: Iperó, SP.

Avaliadores:
Alcides Pissinatti, Amely B. Martins, André C. Alonso, André de A. Cunha, André Hirsch, André L. Ravetta, Anthony B. Rylands, Armando M. Calouro, Carlos E. Guidorizzi, Christoph Knogge, Fabiano R. de Melo, Fábio Röhe, Fernanda P. Paim, Fernando de C. Passos, Gabriela Ludwig, Gustavo R. Canale, Ítalo Mourthé, Jean P. Boubli, Jessica W. Lynch Alfaro, João M. D. Miranda, José Rímoli, Júlio C. Bicca-Marques, Leandro Jerusalinsky, Leandro S. Moreira, Leonardo G. Neves, Leonardo de C. Oliveira, Líliam P. Pinto, Liza M. Veiga, Maria Adélia B. de Oliveira, Marcos de S. Fialho, Mariluce R. Messias, Mônica M. Valença-Montenegro, Rosana J. Subirá, Renata B. Azevedo, Rodrigo C. Printes, Waldney P. Martins e Wilson R. Spironello.

Colaboradores:
Amely B. Martins (Ponto Focal), André C. Alonso (Apoio), Camila C. Muniz (Apoio), Carlos Eduardo G. de Carvalho (Facilitador), Emanuella F. Moura (Apoio), Fabiano R. de Melo (Coordenador de táxon), Gerson Buss (Apoio), Liza M. Veiga (Coordenadora de táxon), Marcos de S. Fialho (Coordenador de táxon), Rosana J. Subirá (Facilitadora), Taissa Régis (Apoio) e Werner L. F. Gonçalves (Apoio).

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