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Mamíferos - Callicebus lucifer- Zogue zogue

Avaliação do Risco de Extinção de Callicebus lucifer (Thomas, 1914) no Brasil

Amely Branquinho Martins1



1Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. <amely.martins@icmbio.gov.br>. 


 Callicebus lucifer Stephen Nash CPB Callicebus lucifer

Ordem: Primates
Família: Pitheciidae

Nomes comuns por região/língua:
Português
– Zogue-zogue
Inglês – Widow Monkey, Yellow-handed Titi Monkey
Outros – Conticillo Negro O De Manos Amarillos, Viudita

Notas taxonômicas: Callicebus é o gênero de primatas neotropicais mais diverso e sua taxonomia foi revisada por vários autores (Groves 2001, Hershkovitz 1988, 1990, Kobayashi 1995, Kobayashi & Langguth 1999, van Roosmalen et al. 2002). O gênero foi inicialmente dividido em quatro grupos de espécies (Hershkovitz 1988), mas as revisões taxonômicas mais recentes (Kobayashi & Langguth 1999, van Roosmalen et al. 2002) reconhecem cinco grupos de espécies de Callicebus: donacophilus, cupreus, moloch, torquatus e personatus. Van Roosmalen et al. (2002) adotaram basicamente o arranjo proposto por Hershkovitz (1990) mas reconheceram todas as formas deste gênero como espécies plenas e, portanto, de acordo com estes autores, fazem parte do Grupo torquatus as seguintes espécies: C. torquatus, C. lugens, C. lucifer, C. purinus, C. regulus e C. medemi. Heymann et al. (2002) questionaram a validade do uso de mãos laranja como um caracter diagnóstico para C. lucifer. Aqui está sendo seguida a taxonomia proposta por Rylands (2012).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Menos Preocupante (LC).

Justificativa: Callicebus lucifer ocorre na Colômbia, Equador, Peru e Brasil, onde é registrada no estado do Amazonas, no interflúvio Solimões-Japurá. Não foram identificadas ameaças significativas. Por esses motivos, C. lucifer foi categorizada como Menos Preocupante (LC).

Histórico das avaliações nacionais anteriores: Táxon não consta na última avaliação nacional.

Avaliações em outras escalas:
Avaliação Global (IUCN): Menos Preocupante (LC).

História de vida

Maturidade sexual (anos)
Fêmea 2 – 3 (para C. torquatus) (Robinson et al. 1987).
Macho 2 – 3,5 (para C. torquatus) (Robinson et al. 1987).
Peso Adulto (g)
Fêmea 1151-1462 (para C. torquatus) (Kinzey 1981).
Macho 1500 (Hershkovitz 1990).
Comprimento Adulto (mm)
Fêmea Cabeça-corpo: 349, 410 cauda: 456, 450 (Hershkovitz 1990).
Macho Cabeça-corpo: 376 (360-390), cauda: 474 (465-480) (Hershkovitz 1990).
Tempo geracional (anos)
8 (IUCN/SSC 2007)
Sistema de acasalamento Monogâmico (Kinzey et al. 1977, Kinzey & Wright 1982, Wright 1986).
Intervalo entre nascimentos 1 ano (para C. torquatus) (Easley 1982).
Tempo de gestação (meses)
Desconhecido.
Tamanho da prole 1 (Rowe 1996).
Longevidade Desconhecido.
Características genéticas
Cariótipo: Não existem informações sobre o cariótipo de C. lucifer, entretanto, o número diplóide de cromossomos para C. torquatus foi identificado como sendo 2n= 22 (Barros et al. 2000) e para C. lugens 2n=16 (Bonvicino et al. 2003).

Callicebus lucifer não é endêmica ao Brasil, ocorrendo também na Colômbia, Equador e Peru. No Brasil esta espécie ocorre no estado do Amazonas onde possui registros de ocorrência no interflúvio Solimões-Japurá (Hershkovitz 1990) e, portanto, acredita-se que a distribuição da espécie no Brasil seja circunscrita a este interflúvio.

O tamanho da população total remanescente e o número de indivíduos maduros de C. lucifer não são conhecidos. O tamanho médio dos grupos varia entre 2 e 5 ind./grupo (Kinzey et al. 1977, Kinzey & Wright 1982, Aquino et al. 2008).
Não há informações sobre o aporte de indivíduos de fora do Brasil ou da contribuição relativa de populações estrangeiras para a manutenção das populações nacionais.

Informações sobre abundância populacional: 5 grupos/Km2 - Colômbia (Palacios et al. 1997); 2,5 e 2,8 ind./km² - Peru (Aquino et al. 2008).

Tendência populacional: Desconhecida.

Resultados preliminares na Reserva de Cuyabeno no Equador sugerem que a espécie tem preferência por floresta ombrófila de terra firme nesta região (de la Torre et al. 1995), enquanto no Peru, Aquino et al. (2008) sugerem que a espécie habita florestas abertas e secas de solo arenoso (capinarana ou varillal). Defler (1994) relatou a presença de espécies do grupo torquatus em uma maior variedade de hábitats no Brasil e Colômbia, indicando que as espécies deste grupo não são necessariamente restritas a florestas de solo arenoso. Não se sabe se a espécie é restrita a hábitats primários ou se apresenta tolerância a modificações/perturbações no ambiente.
A área de vida do táxon foi estimada em 22,25 ha na Estação Ecológica Caparú - Colômbia (Palacios et al. 1997) entre 1,4 e 30 ha para o gênero (Norconk 2007, Veiga et al. 2008).

Não foram identificadas ameaças significativas para o táxon.
A espécie está listada no Apêndice I da CITES.

ESEC Juami-Japura (831524,72 ha) e RDS Mamirauá (1310802,21 ha) (Rylands & Bernardes 1989).



Desconhecida.


Aquino, R.; Terrones, W.; Cornejo, F. & Heymann, E.W. 2008. Geographic distribution and possible taxonomic distinction of Callicebus torquatus populations (Pitheciidae: Primates) in Peruvian Amazonia. American Journal of Primatology, 70(12): 1181–1186.

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Citação:
Martins, A. B. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de de Callicebus lucifer (Thomas, 1914) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/7304-mamiferos-callicebus-lucifer-zogue-zogue.html

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros.
Data de realização: 30 de julho a 03 de agosto de 2012.
Local: Iperó, SP.

Avaliadores:
Alcides Pissinatti, Amely B. Martins, André C. Alonso, André de A. Cunha, André Hirsch, André L. Ravetta, Anthony B. Rylands, Armando M. Calouro, Carlos E. Guidorizzi, Christoph Knogge, Fabiano R. de Melo, Fábio Röhe, Fernanda P. Paim, Fernando de C. Passos, Gabriela Ludwig, Gustavo R. Canale, Ítalo Mourthé, Jean P. Boubli, Jessica W. Lynch Alfaro, João M. D. Miranda, José Rímoli, Júlio C. Bicca-Marques, Leandro Jerusalinsky, Leandro S. Moreira, Leonardo G. Neves, Leonardo de C. Oliveira, Líliam P. Pinto, Liza M. Veiga, Maria Adélia B. de Oliveira, Marcos de S. Fialho, Mariluce R. Messias, Mônica M. Valença-Montenegro, Rosana J. Subirá, Renata B. Azevedo, Rodrigo C. Printes, Waldney P. Martins e Wilson R. Spironello.

Colaboradores:
Amely B. Martins (Ponto Focal), André C. Alonso (Apoio), Bruna M. Bezerra, Camila C. Muniz (Apoio), Carlos E. Guidorizzi (Facilitador), Emanuella F. Moura (Apoio), Fabiano R. de Melo (Coordenador de táxon), Gerson Buss (Apoio), Jean P. Boubli, Liza M. Veiga (Coordenador de táxon), Marcos de S. Fialho (Coordenador de táxon), Rosana J. Subirá (Facilitadora), Taissa Régis (Apoio) e Werner L. F. Gonçalves (Apoio).

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