Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Fauna Brasileira > Fauna Brasileira > Estado de Conservação - Lista > Répteis - Mesoclemmys tuberculata - Cágado-do-nordeste
Início do conteúdo da página

Répteis - Mesoclemmys tuberculata - Cágado-do-nordeste

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926) NO BRASIL.

Richard Carl Vogt1, Camila Kurzmann Fagundes2, Yeda Soares de Lucena Bataus2, Rafael Antônio Machado Balestra2, Flávia Reina de Queiroz Batista2, Vívian Mara Uhlig2, Adriano Lima Silveira3, Alex Bager4, Alexandre Milaré Batistella5, Franco Leandro de Souza6, Gláucia Moreira Drummond7, Isaías José dos Reis2, Rafael Bernhard1, Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça2, Vera Lúcia Ferreira Luz2.


1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
2Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
3Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
4Universidade Tecnológica Federal de Lavras - UFLA
5Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso
6Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
7Fundação Biodiversitas

Vogt, R. C.; Fagundes, C. K.; Bataus, Y. S. L.; Balestra, R. A. M.; Batista, F. R. W.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Bager, A.; Batistella, A. M.; Souza, F. L.; Drummond, G. M.; Reis, I. J.; Bernhard, R.; Mendonça, S. h. S. T.; Luz, V. L. F. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7416-repteis-mesoclemmys-tuberculata-cagado-do-nordeste.html

 Mesoclemmys tuberculata site  Mesoclemmys tuberculata site
Foto: Adriano Silveira
Elaboração: NGeo-RAN/ICMBio

Ordem: Testudines
Família: Chelidae

Nomes comuns:  Cágado-do-nordeste, Cágado-caramujeiro, Cangapara, Tuberculate toadhead turtle.

Sinonímias:  Phrynops tuberculatus tuberculatu, Batrachemys tubercalata nutaphand.

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Menos preocupante (LC).

Justificativa:  Mesoclemmys tuberculata é endêmica do Brasil, ocorrendo ao longo da bacia do rio São Francisco, em áreas de Cerrado e Caatinga, nos estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Piauí e Maranhão. Sua extensão de ocorrência calculada é de 1.079.735,10 km². Nos estados do Maranhão e Piauí, em áreas de restinga, é utilizado o manejo de fogo para a renovação de pastagens naturais afetando as áreas de repouso e nidificação dessas subpopulações. No entanto, não há evidências de ameaças que possam afetar a população ao ponto de colocá-la em risco de extinção. Por essas razões, Mesoclemmys tuberculata foi categorizada como Menos preocupante (LC).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:  Não se aplica.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  Não há.
Listas estaduais:  Não há.


Mesoclemmys tuberculata é uma espécie endêmica do Brasil, ocorrendo ao longo da bacia do rio São Francisco, em áreas de Cerrado e Caatinga, ao longo das bacias do Atlântico Nordeste e Leste, incluindo ecossistemas litorâneos de Mata Atlântica. Há registros para os estados do Ceará, Pernambuco e Bahia (Emysystem 2010), Piauí (Loebmann et al. 2005), Maranhão (Batistella et al. 2008), Alagoas (Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010) e Minas Gerias (Alex Bager, comunicação pessoal, 2010). Sua extensão de ocorrência calculada é de 1.079.735,10 km², via mínimo polígono convexo, a partir dos pontos de registro de ocorrência da espécie.

A espécie é raramente encontrada nos Lençóis Maranhenses, onde a densidade da população é de 0,003 indivíduos por hectare (Batistella 2008). No entanto, a espécie é comum no Parque Nacional da Serra das Confusões no Piauí (Bour & Zaher 2005). Não existem estimativas da tendência populacional da espécie.

No Cerrado a espécie ocorre em planícies de campo ou savana com lagoas naturais temporárias e permanentes (Adriano Lima Silveira, comunicação pessoal, 2010). Na Caatinga foram reportadas migrações da espécie em busca de locais apropriados (Vanzolini et al. 1980).
Na região dos Pequenos Lençóis Maranhenses, M. tuberculata procura abrigo terrestre no período de estiagem. Normalmente, o período de estiagem inicia-se em julho e se estende até fevereiro, quando as lagoas começam a encher novamente (Batistella 2008).
Pouco se conhece sobre a biologia reprodutiva (Vanzolini et al. 1980). Em cativeiro, o acasalamento foi observado principalmente entre janeiro e julho. Desovas foram observadas em junho e julho no Maranhão (Alexandre Milaré Batistella, observação pessoal, 2010). As desovas são isoladas e pode ocorrer mais de uma vez por período reprodutivo (Corazza & Molina 2004). As ninhadas da espécie são de tamanho semelhante às de outras espécies de Mesoclemmys (Corazza & Molina 2004). As ninhadas observadas variaram entre 2 e 10 ovos (Grossmann & Reimann 1991).
O tamanho máximo observado para as fêmeas da espécie é de 23,5cm de comprimento da carapaça (McCord et al. 2001) e 9 cm de comprimento linear da carapaça (Corazza & Molina 2004).
Faltam estudos com relação aos mecanismos de determinação sexual dessa espécie (Ferreira Júnior 2009).

Nos estados do Maranhão e Piauí, o uso desta espécie para alimentação humana é difundido entre os moradores rurais de baixa renda (Alexandre Milaré Batistella, observação pessoal, 2010). A espécie também é usada na medicina tradicional e, eventualmente, como animal de estimação (Alexandre Milaré Batistella, observação pessoal, 2010).
O fogo utilizado para a renovação das pastagens nativas é uma grande ameaça às populações de M. tuberculata que ocorrem nas áreas de restinga do Maranhão e Piauí. Esta técnica é amplamente utilizada pelos agricultores locais no fim do período de seca, o que ocasiona a morte de indivíduos da espécie que estão em repouso entre as áreas de forragem e suas áreas de desovas (Alexandre Milaré Batistella, observação pessoal, 2010). No litoral do Piauí a ocupação urbana decorrente da especulação imobiliária é uma grande ameaça às áreas de vida M. tuberculata (Alexandre Milaré Batistella, observação pessoal, 2010).

Não há.

Reserva Particular do Patrimônio Natural Reserva Caroá (BA), Reserva Particular do Patrimônio Natural Fazenda Não me Deixes (CE), Parque Nacional das Sempre-Vivas (MG), Parque Nacional da Serra das Confusões (PI), Área de Proteção Ambiental Delta Parnaíba (MA/PI/CE), Área de Proteção Ambiental do Pratagy (AL), Área de Proteção Ambiental do Lago do Sobradinho (BA), Área de Proteção Ambiental Upaon-Açu/ Miritiba/Alto do Rio Preguiças (MA) e Área de Proteção Ambiental Serra de Minas (MG).

Recomenda-se priorizar estudos de distribuição e/ou abundância para a espécie. Consolidar a implementação das unidades de conservação com registro de ocorrência desta espécie. É importante implementar um programa de boas práticas agropastoris nas áreas de restinga do Maranhão e Piauí, onde o fogo é utilizado como forma de manejo de pastagens naturais (Alexandre Milaré Batistella, observação pessoal, 2010).
É necessária a implementação do zoneamento das áreas de uso no interior de Unidades de Conservação e do reconhecimento dos planos de manejo para uma efetiva proteção da espécie. Deve haver também um aumento no número de técnicos de agências ambientais lotados nestas áreas.


Batistella, A.M. 2008. Biologia e Conservação de Trachemys adiutrix, Vanzolini, 1995 (Testudines, Emydidae) no estado do Maranhão. Tese (Doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior). Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA. 112p.

Batistella, A.M.; Pötter, C.; Barreto, L. & Vogt, R.C. 2008. Mesoclemmys tuberculata. Herpetological Review, 39(1): 107-108. 

Bour, R. & Zaher, H. 2005. A new species of Mesoclemmys, from the open formations of northeastern Brazil (Chelonii, Chelidae). Papéis Avulsos de Zoologia (São Paulo), 45(24): 48-53.

Corazza, S.S. & Molina, F.B. 2004. Biologia reprodutiva e conservação ex-situ de Batrachemys tuberculata (Testudines, Chelidae): primeiras observações. Arquivos do Instituto de Biologia, 71: 1-749.

Emysystem. 1999. World Turtle Database. http://emys.geo.orst.edu/. (Acesso em: 10/06/2010).

Ferreira Júnior, P.D. 2009. Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas. Acta Amazônica, 39(1): 139-154.

Grossmann, P. & Reimann, M. 1991. Beiträge zum Verhalten und Nachzucht von Phrynops tuberculatus (Lüderwaldt 1926) im Aqua-Terrarium. Sauria, 13(2): 3-6.

Loebmann, D; Mai, A.C.G. & Garcia, A.M. 2005. Notes on geographic distribution: Reptilia, Chelidae, Mesoclemmys tuberculata: geographical distribution extension. Check list, 2(1): 32-33.

McCord, W.P.; Joseph-Ouni, M. & Lamar, W.W. 2001. A taxonomic reevaluation of Phrynops (Testudines: Chelidae) with the description of two new genera and a new species of Batrachemys. Revista de Biologia Tropical, 49(2):715-764. 

Vanzolini, P. E.; Ramos-Costa, A. M. M. & Vitt, L. J. 1980. Répteis das caatingas. Academia Brasileira de Ciências.160 p.

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Quelônios Continentais Brasileiros
Local e Data de realização: Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador: Alessandro Santana dos Santos (Fundação Pró-Tamar).

Avaliadores: Richard Carl Vogt (INPA), Gláucia Moreira Drummond (Fundação Biodiversitas), Alex Bager (UFLA), Adriano Lima Silveira (UFRJ), Alexandre Milaré Batistella (SEMA/MT), Rafael Bernhard (INPA), Franco Leandro de Souza (UFMS), Isaías José dos Reis (RAN/ICMBio),Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio), e Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio).

Colaborador(es): Não é o caso.

Apoio:
Camila Kurzmann Fagundes (consultora, RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Flávia Regina Batista Queiroz (RAN/ICMBio), Richard Carl Vogt (INPA).

  _cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
Fim do conteúdo da página