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Répteis - Trachemys adiutrix - Pininga

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995  NO BRASIL.

Richard Carl Vogt1, Camila Kurzmann Fagundes2, Yeda Soares de Lucena Bataus2, Rafael Antônio Machado Balestra2, Flávia Reina de Queiroz Batista2, Vívian Mara Uhlig2, Adriano Lima Silveira3, Alex Bager4, Alexandre Milaré Batistella5, Franco Leandro de Souza6, Gláucia Moreira Drummond7, Isaías José dos Reis2, Rafael Bernhard1, Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça2, Vera Lúcia Ferreira Luz2.


1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
2Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
3Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
4Universidade Tecnológica Federal de Lavras - UFLA
5Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso
6Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
7Fundação Biodiversitas

Vogt, R. C.; Fagundes, C. K.; Bataus, Y. S. L.; Balestra, R. A. M.; Batista, F. R. W.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Bager, A.; Batistella, A. M.; Souza, F. L.; Drummond, G. M.; Reis, I. J.; Bernhard, R.; Mendonça, S. h. S. T.; Luz, V. L. F. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995  no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7429-repteis-trachemys-adiutrix-pininga.html

 Trachemys adiutrix site  Trachemys adiutrix site
Foto: www.animalia.xpg.com.br
Elaboração: NGeo-RAN/ICMBio

Ordem: Testudines
Família:Emydidae

Nomes comuns:  Pininga, Juraraca, Jurará, Capininga, Cágado, Carvalho´s slider, Brazilian Slider

Sinonímias:  Não há.

Notas taxonômicas:  Ernst et al. (2000) consideram que Trachemys adiutrix pode ser uma subespécie de Trachemys dorbigni. Fritz & Havas (2006) sugeriram que a população descrita por Vanzolini (1995) pode ser uma população introduzida ou naturalmente isolada de T. dorbigni. Estão sendo realizadas comparações genéticas a fim de determinar a validade desta espécie (Vianna & Vogt, in prep. apud Ernst et al. 2010, Vogt & Batistella 2010).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Quase ameaçada (NT).

Justificativa:  Trachemys adiutrix é endêmica do Brasil, comumente encontrada em pequenos trechos de bacias da região hidrográfica do Atlântico Nordeste. Embora a extensão de ocorrência calculada da espécie seja de 24.441,43 km², os especialistas acreditam que seja menor que 20.000 km2 (B1), tendo em vista que todos os registros de ocorrência são restritos às áreas de vegetação de restinga, entre dunas ou em áreas de campos abertos no litoral dos estados do Maranhão e Piauí. A espécie sofre várias ameaças como perda de hábitat devido à ocupação urbana [b(iii)], morte pelo fogo utilizado para renovar pastagens, além de ser usada, em toda sua extensão de ocorrência, como animal de estimação e na alimentação humana [b(v)]. No entanto, faz-se necessário implementar estudos populacionais de longo prazo que possibilitem avaliar com segurança a fragmentação, declínio ou flutuação decorrente dessas ameaças, por isso, Trachemys adiutrix foi avaliada como Quase ameaçada (NT), aproximando-se da categoria Vulnerável (VU).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Dados insuficientes (DD) (Machado 2005).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: A mudança do estado de conservação da espécie é real e deve-se à obtenção de informações recentes ou mais confiáveis e à aplicação mais acurada dos critérios de avaliação.

Avaliações em outras escalas:
Internacional: A espécie foi categorizada como Em perigo (EN) - B1+2c, pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) (Tortoise & Freshwater Turtle Specialist Group 1996).
Listas estaduais: Não há.


Trachemys adiutrix é endêmica do Brasil, da região litorânea dos estados brasileiros do Maranhão e Piauí, restrita a pequenos trechos de bacias da região hidrográfica do Atlântico Nordeste.  Foi descrita na localidade de Santo Amaro, nas bordas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Batistella (2008) e Batistella et al. (2008) registraram a sua ocorrência em outras 25 localidades. Segundo Larissa Barreto (comunicação pessoal, 2010), a espécie também ocorre na ilha do Caju, no Maranhão. A extensão de ocorrência da espécie é de 24.441,43 km², calculada via mínimo polígono convexo a partir dos pontos de registro.  Considerando seu hábitat de distribuição, estima-se que a extensão de ocorrência da espécie seja menor que 20.000 km².

T. adiutrix é considerada comum, indivíduos da espécie são facilmente encontrados, no entanto, a tendência populacional é decrescente. Batistella (2008) capturou na região dos Pequenos Lençóis Maranhenses 140 indivíduos de T. adiutrix, encontrando uma densidade de 0,010 indivíduos/ha. As coletas foram realizadas em uma área de aproximadamente 3,7 ha, com coletas mensais por um ano e com esforço de coleta de 36 horas, com 03 pessoas por coleta. Alexandre Milaré Batistella (observação pessoal, 2010), através de entrevistas com residentes na extensão de ocorrência da espécie, identificou decréscimo das populações de T. Adiutrix. Ele também identificou uma valorização do preço pago por indivíduo e um aumento do esforço de coleta nos últimos 10 anos.   
Em estudo populacional, Larissa Barreto (comunicação pessoal, 2010), verificou que a população na ilha de Curupu (MA) apresenta grandes variações desde 2000. Apesar de em alguns anos ter sido observada uma queda no número de indivíduos, essa queda não foi significativa.

Todas as 26 localidades de registro de ocorrência desta espécie estão em áreas de vegetação de restinga, entre dunas ou em área de campos abertos (Batistella 2008). As regiões dos Lençóis Maranhenses, Pequenos Lençóis Maranhenses e ilhas do Delta do Parnaíba, apresentam áreas desérticas com predomínio de formações arenosas, pouca cobertura vegetal e inúmeras lagoas sazonais de água doce entre as dunas. Nessas regiões, T. adiutrix procura abrigo terrestre no período de estiagem, o que causa redução na sua taxa de crescimento (Ernst et al. 2010). O período de estiagem nesta região inicia-se em julho e se estende até fevereiro, quando as lagoas começam a encher novamente (Batistella 2008).
Batistella (2008) observou que populações de T. adiutrix que ocorrem em lagos permanentes, não experimentam sazonalidade de hábitat ou restrição alimentar. Estas populações não estivam durante as estações secas e possuem uma taxa de crescimento maior do que as populações que estivam.
As menores fêmeas em idade reprodutiva mediram (medida linear) entre 10,1 cm e 12,8 cm e machos 9,9 cm, do comprimento da carapaça (Batistella 2008, Barreto et al. 2009). O tamanho máximo (medidas lineares) encontrado para fêmeas foi 25,1cm (Batistella 2008) e 22,0 cm para machos, do comprimento da carapaça (Barreto et al. 2009).
As fêmeas realizam desova de maneira isolada (Alexandre Milaré Batistella, comunicação pessoal, 2010), com apenas um período reprodutivo por ano, porém constata-se a necessidade de mais estudos relacionados ao assunto (Barreto et al. 2009). Fêmeas grávidas foram encontradas entre os meses de junho e setembro (Barreto et al. 2009, Alexandre Milaré Batistella (comunicação pessoal, 2010). O número de ovos por postura variou entre 2 e 14 ovos (n=15). Filhotes da espécie foram capturados em janeiro e fevereiro, medindo em média 3,5 ± 0,2 cm (2,79-3,78) (Barreto et al. 2009). Faltam estudos com relação aos mecanismos de determinação sexual dessa espécie (Ferreira Junior 2009).

O fogo utilizado para renovação das pastagens nativas é uma grande ameaça às populações de T. adiutrix que ocorrem nas áreas de restinga do Maranhão e Piauí. Esta técnica é amplamente utilizada pelos pastores locais, anualmente, no fim do período de seca. Isso ocasiona a morte de indivíduos da espécie que estão em repouso entre as áreas de capim. Alexandre Milaré Batistella (comunicação pessoal, 2010) comenta que 5% dos indivíduos da população estudada na região dos Pequenos Lençóis Maranhenses apresentaram cicatrizes de queimaduras.
No litoral do Maranhão, nas proximidades da capital São Luis, em cidades turísticas como Barreirinhas, Paulino Neves e Santo Amaro, e nas cidades de Parnaíba e Fernando Correia no Piauí, a ocupação urbana decorrente da especulação imobiliária está reduzindo o hábitat de T. adiutrix (Alexandre Milaré Batistella, comunicação pessoal, 2010).
Praticamente em toda a sua extensão de ocorrência, a espécie é utilizada na alimentação humana (Batistella 2008, Barreto et al. 2009) e como animal de estimação pelos moradores rurais e urbanos (Batistella 2008).  Barreto et al. (2009) relatam que na Ilha Curupu a caça desses animais faz com que os maiores indivíduos sejam removidos da população.
A espécie também é utilizada como moeda em escambos realizados entre pescadores seminômades na região dos Pequenos e Grandes Lençóis Maranhenses e moradores do interior. O casco torrado e moído de T. adiutrix é utilizado na medicina popular como cicatrizante na região dos Lençóis Maranhenses. Em algumas localidades do Maranhão a espécie é utilizada para realizar suposta limpeza de poços de água potável. Em Paulino Neves e Santo Amaro, respectivamente, 40% e 10% das residências com poços como principal fonte de água potável, possuem ao menos um indivíduo de T. adiutrix no seu interior, funcionando como um suposto filtro biológico (Alexandre Milaré Batistella, comunicação pessoal, 2010).
No Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ainda hoje existem moradores em seu interior que utilizam a espécie como alimento.

Não há.

Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (MA/PI/CE), Reserva Extrativista Marinha do Delta do Parque Nacionalíba (MA/PI), Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (MA), Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (MA), Área de Proteção Ambiental Upaon-Açu/ Miritiba/ Alto do Rio Preguiças (MA), Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio Preguiças / Pequeno Lençois (MA), Área de Proteção Ambiental Upaon-Açu/ Miritiba/ Alto do Rio Preguiças (MA) e Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses (MA).

A efetividade das unidades de conservação existentes voltada para essa espécie, só será alcançada com a implementação de programas específicos de conservação para a espécie nos planos de manejos das unidades.
Monitorar as populações naturais de T. adiutrix e estudar o efeito da caça sobre essas populações;
Realizar estudos sobre a biologia reprodutiva da espécie e comparações genéticas com T. dorbigni a fim de aferir a validade de T. adiutrix;
Promover um incremento no efetivo de técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade- ICMBio lotados nas unidades de conservação existentes na área de ocorrência da Espécie;
Implantar programa de boas práticas agropastoris nas áreas de restinga do Maranhão e Piauí que utilizam o fogo como forma de manejo de pastagens naturais;
Implantar um programa de educação ambiental com moradores locais nas áreas de ocorrência da espécie, com o objetivo de diminuir a pressão de uso sobre a mesma, e;
Coagir o comércio ilegal nas cidades, aumentando a fiscalização e protegendo as áreas costeiras.


Barreto, L.; Lima, L.C. & Barbosa, S. 2009. Observations on the ecology of Trachemys adiutrix and Kinosternon scorpioides on Curupu Island, Brazil. Herpetological Review, 40: 283-286.

Batistella, A.M. 2008. Biologia de Trachemys adiutrix (VANZOLINI, 1995) (Testudines, Emydidae) no litoral do nordeste - Brasil. Tese. (Doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior). Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA. 82p.

Batistella, A.M.; Potter, C. & Vogt, R.C. 2008. Geographic distribution. Trachemys adiutrix. Herpetological Review, 39: 108.

Ernst, C.H.; Altenberg, R.G.M & Barbour, R.W. 2000. Turtles of the World. Multimedia Interactive CD-ROM. Biodiv. Ctr., Exp. Ctr.Taxon. Ident., Amsterdam. Springer Verlag, UNESCO, Heidelberg.

Ernst, C.H.; Batistella, A.M. & Vogt, R.C. 2010. Trachemys adiutrix. Catalogue of American Amphibians and Reptiles, 869: 1-4.

Ferreira Júnior, P.D. 2009. Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas. Acta Amazônica, 39(1): 139-154.
 
Fritz, U. & Havas, P. 2006. Checklist of chelonians of the world. Vertebrate Zoology (Dresden), 57: 149-368.

Machado, A.B.M. 2005. Lista da Fauna brasileira ameaçada de extinção: incluindo as espécies quase ameaçadas e deficientes de dados. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas. 157 p.

Tortoise & Freshwater Turtle Specialist Group 1996. Trachemys adiutrix. The IUCN Red List of Threatened Species 1996. <http://www.iucnredlist.org/details/40762/0>. (Acesso em: 14/08/2012).

Vanzolini, P.E. 1995. A new species of turtle, genus Trachemys, from the state of Maranhão, Brazil (Testudines, Emydidae). Revista Brasileira de Biologia, 55: 111-125.

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Quelônios Continentais Brasileiros
Local e Data de realização: Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador: Alessandro Santana dos Santos (Fundação Pró-Tamar).

Avaliadores: Richard Carl Vogt (INPA), Gláucia Moreira Drummond (Fundação Biodiversitas), Alex Bager (UFLA), Adriano Lima Silveira (UFRJ), Alexandre Milaré Batistella (SEMA/MT), Rafael Bernhard (INPA), Franco Leandro de Souza (UFMS), Isaías José dos Reis (RAN/ICMBio),Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio), e Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio).

Colaborador(es): Larissa Nascimento Barreto (UFMA).

Apoio:
Camila Kurzmann Fagundes (consultora, RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Flávia Regina Batista Queiroz (RAN/ICMBio), Richard Carl Vogt (INPA).

  _cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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