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Répteis - Podocnemis expansa - Tartaruga-da-Amazônia

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Podocnemis expansa (Schweigger, 1812) NO BRASIL.

Richard Carl Vogt1, Camila Kurzmann Fagundes2, Yeda Soares de Lucena Bataus2, Rafael Antônio Machado Balestra2, Flávia Reina de Queiroz Batista2, Vívian Mara Uhlig2, Adriano Lima Silveira3, Alex Bager4, Alexandre Milaré Batistella5, Franco Leandro de Souza6, Gláucia Moreira Drummond7, Isaías José dos Reis2, Rafael Bernhard1, Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça2, Vera Lúcia Ferreira Luz2.


1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
2Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
3Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
4Universidade Tecnológica Federal de Lavras - UFLA
5Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso
6Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
7Fundação Biodiversitas

Vogt, R. C.; Fagundes, C. K.; Bataus, Y. S. L.; Balestra, R. A. M.; Batista, F. R. W.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Bager, A.; Batistella, A. M.; Souza, F. L.; Drummond, G. M.; Reis, I. J.; Bernhard, R.; Mendonça, S. h. S. T.; Luz, V. L. F. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Podocnemis expansa (Schweigger, 1812) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7431-repteis-podocnemis-expansa-tartaruga-da-amazonia2.html

 Podocnemis expansa site  Podocnemis expansa site
Foto: Rafael Valadão
Elaboração: NGeo-RAN/ICMBio

Ordem: Testudines
Família: Podocnemididae

Nomes comuns:  Tartaruga-da-Amazônia, Capitari para os machos, Giant south american river turtle, South american river turtle, Samurita, Charapa (fêmeas), Careta (indivíduos grandes), Chapanera (juvenis), Pocera (filhotes), Jipú, Harra, Arrau, Tortuga, Kuwe, Kubee, Tsapanilu, Tsapeindu.

Sinonímias: Emys amazonica, Emys expansa, Emys arrau, Hydraspis bitentaculata, Testudo arrau.

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil:  Quase ameaçada (NT).

Justificativa:  Podocnemis expansa ocorre na Colômbia, Venezuela, Guianas, Brasil, Peru, Equador e Bolívia.  É elegível para a avaliação regional. No Brasil, ocorre em todos estados da Região Norte e nos estado de Goiás e Mato Grosso, na Região Centro-Oeste. Sua extensão de ocorrência calculada para o país é de 4.073.134,57 km2. Suspeita-se que, no Brasil, nos últimos 90 anos tenha havido um declínio populacional próximo de 30%, principalmente em decorrência da apanha de ovos e de fêmeas reprodutoras, ameaças que ainda persistem (A2). A espécie é facilmente encontrada em sua área de distribuição, sendo que em algumas localidades, quando protegidas da predação humana, é abundante.   A instalação de hidrelétricas nas bacias hidrográficas onde a espécie ocorre (bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia) pode acarretar em declínios populacionais futuros. Trata-se de espécie dependente de ações de proteção (fiscalização e manejo), principalmente nas áreas de reprodução. Por essas razões, Podocnemis expansa foi avaliada com Quase ameaçada (NT), aproximando-se do critério A2d.

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não se aplica.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  A espécie foi avaliada como Menos preocupante (LC) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Tortoise & Freshwater Turtle Specialist Group 1996) e na Convenção Sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres – CITES, a espécie consta no apêndice II (Cites 2012).
Listas estaduais: Não há.


Podocnemis expansa apresenta ampla distribuição nos maiores tributários do Orinoco, Essequibo, e drenagens do rio Amazonas na Colômbia, Venezuela, Guianas, nordeste do Peru, leste do Equador, norte da Bolívia e norte do Brasil (Emysystem 2010). No Brasil, ocorre nos estados do Amazonas (AM) (Emysystem 2010, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010), Pará (PA) (Emysystem 2010, Pádua 1981, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010), Roraima (RR) (Emysystem 2010, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010), Rondônia (RO) (Emysystem 2010, Fachín-Terán et al. 1995, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010), Acre (AC), Amapá (AP), Mato Grosso (MT), Goiás  (GO) (Bataus, 1998, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010, Vogt 2008) e Tocantins (TO) (Bonach, 2003, Dornas 2009, Portelinha 2009, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010), nas bacias dos rios Amazonas e Tocantins-Araguaia e bacias do Atlântico Norte. A extensão de ocorrência da espécie no Brasil é de 4.073.134,57 km2, calculada via mínimo polígono convexo a partir dos pontos de registro no páis até o limite de sua distibuição com os países vizinhos.

P. expansa é facilmente encontrada em seu hábitat.  O Brasil é o único país que ainda possui populações abundantes dessa espécie em sua extensão de ocorrência, sendo possível promover um aumento de sua população com o controle da predação humana (Richard Carl Vogt, comunicação pessoal, 2010).
Grandes populações podem ser encontradas onde suas áreas de desova são protegidas, como é o caso da Reserva Biológica Abufari (AM) (Pantoja-Lima 2007) e da Reserva Biológica do rio Trombetas (PA) (Cássia Santos Camillo, observação pessoal, 2010).
Porém, existem populações bastante reduzidas na região do Médio Solimões devido à forte pressão de caça (Fachín-Terán 2001). Fachín-Terán et al. (2000) consideram a espécie quase ausente na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM).
Há evidências de declínio populacional da espécie em algumas regiões. P. expansa têm diminuído nas áreas desprotegidas dos rios Branco, Madeira e Negro, assim como próximo às comunidades entre Manaus e Coari, no rio Solimões, e Tefé (Rafael Bernhard, comunicação pessoal, 2010). No rio Araguaia e em seu afluente, rio das Mortes, as populações também parecem ter diminuído (Alexandre Milaré Batistella, comunicação pessoal, 2010).
Estudos de monitoramento de ninhos foram conduzidos no âmbito do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) em 11 áreas de atuação deste projeto, englobando 212 sítios reprodutivos da espécie. Esses estudos mostram uma grande flutuação no número de ninhos encontrados. Um declínio foi sugerido para a Reserva Biológica do rio Trombetas (PA) (Rafael Antônio Machado Balestra, Vogt, no prelo), e um aumento no número de ninhos foi sugerido para Santarém (PA) (PQA), Rondônia (PQA), Acre (PQA) e Amapá (PQA). O número de ninhos parece estar estável em Altamira (PA) (PQA), em Tocantins (PQA), no Amazonas (PQA) e em Mato Grosso (PQA). Não foi possível determinar a tendência para Roraima e Goiás (PQA). De modo geral, a tendência populacional para a espécie, no Brasil, parece estar estável, contudo, vale ressaltar que as metodologias, esforço amostral e áreas monitoradas não foram iguais em todos os estudos, existindo um grande grau de incerteza relacionado ao significado da variação no número de ninhos encontrados. Portanto, apesar do número de ninhos encontrados sugerir uma estabilidade populacional, deve-se usar essa inferência com cautela (Yeda Soares de Lucena Bataus, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010).  Ainda assim, suspeita-se um declínio populacional da espécie próximo de 30% nos últimos 90 anos, considerando que o tempo geracional para a espécie é de 30 anos (primeira reprodução aos 10 anos, mais 50 anos de período fértil, dividido por 2). Para Diniz & Santos (1997) a população de P. expansa somente será preservada se pelo menos 20% dos filhotes nascidos completarem o primeiro ano de vida e, desses, outros 20% venham a atingir a idade reprodutiva.

Podocnemis expansa é uma tartaruga essencialmente aquática que vive tanto em sistemas de água branca como em águas escuras, onde é mais escassa. Habita também lagos na floresta (Ernst & Barbour 1989). Durante a estação chuvosa, adentra nas florestas alagadas para aproveitar frutos e sementes que caem na água. Na estação seca, vão para os rios em busca de praias arenosas que se formam nos cursos médios e baixos para reproduzirem-se. Filhotes e juvenis permanecem em lagos e grandes poças neste período (Rueda-Almonacid et al. 2007, Vogt 2008).
A espécie possui um único período reprodutivo anual (Alho et al. 1979), quando ocorre nidificação agregada (Alho et al. 1985, Ferreira Júnior & Castro 2003), e as fêmeas depositam uma única ninhada por temporada reprodutiva (Rueda-Almonacid et al. 2007). Desova em áreas abertas (Alho et al. 1985, Ferreira Júnior & Castro 2003), em dunas de areias mais altas (Rueda-Almonacid et al. 2007), acima de 400 cm (Lima 2007), preferindo areia grossa para nidificar (Vogt 2008). A profundidade dos ninhos varia de 37,5 a 87 cm (Bonach 2003, Malvasio 2001). A oviposição ocorre preferencialmente à noite (Ernst & Barbour 1989), mas eventualmente pode ocorrer pela manhã, como verificado nos rios Xingu (Bataus 1998) e Trombetas (Vogt 2008), no Pará.
Embora a tartaruga-da-amazônia não desove necessariamente na mesma praia (sítio reprodutivo) todos os anos, há evidências de que voltem para a mesma parte (região) do rio anualmente, conforme observado por Vogt (2008) no rio Trombetas (PA) e no rio Guaporé (RO). Quando uma praia de nidificação é destruída pela mudança da corrente do rio, elas nidificam em praias próximas (Vogt 2008).
No Brasil a desova de P. expansa é controlada pelos níveis de água, com período variando conforme a localidade. Geralmente, ocorre entre julho e agosto no Acre (Vogt 2008), entre agosto e outubro no rio Araguaia (Malvasio et al. 2002, Salera Júnior 2005), em setembro em Rondônia, Goiás e Tocantins, entre setembro e outubro no Amapá e Mato Grosso, em outubro nos rios Xingu e Tapajós, e entre dezembro e janeiro em Roraima (Vogt 2008). No Rio Trombetas (PA) o período de desova inicia-se em outubro, quando ocorre o pico de desova, estendendo-se até novembro (Moretti 2004). Porém foram encontradas fêmeas em frente às praias de nidificação até final de dezembro (Vogt 2008).
Lima (2007) registrou uma fêmea desovando com 50 cm. Entre os machos, o tamanho do indivíduo ao atingir a maturidade sexual é de aproximadamente 40 cm (Ojasti 1971). O tamanho máximo relatado de comprimento retilíneo da carapaça foi de 109 cm para as fêmeas (Vanzonlini 1977) e de 50 cm para os machos (Ojasti 1971).
 

P. expansa é bastante consumida na bacia do rio Negro (Pezzuti et al. 2010), entretanto, seu consumo é restrito à estação seca, quando é facilmente capturada nidificando. Sua carne, ovos e subprodutos são consumidos pelas populações ribeirinhas, restaurantes e comércio, desde a época da ocupação da região Amazônica até os dias de hoje (Bataus 1998). Entre 1700-1900, milhões de fêmeas adultas desta espécie foram abatidas para obtenção de alimento e óleo. No rio Solimões, perto de Tefé, cerca de 48 milhões de ovos foram coletados anualmente entre 1848-1859 (Bates 1863). Este autor relata que as pessoas esperavam nas praias pelos filhotes e os consumiam aos milhares. Além das tartarugas e ovos servirem para a alimentação, a gordura das tartarugas e dos ovos era utilizada na iluminação pública. Quatro milhões de ovos foram destruídos por ano no rio Madeira. O mercado em Belém, entre 1885-1993, vendeu 12 toneladas de gordura de tartaruga por ano. A espécie foi aniquilada no Rio Madeira e no Rio Amazonas (Vogt, no prelo). Smith (1979) calculou que mais de 200 milhões de ovos foram utilizados no século 19 para obter produtos derivados do seu óleo. 
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá (AM) os quelônios são explorados há décadas pelos indígenas e ribeirinhos. O uso excessivo causou uma forte diminuição da subpopulação de P. expansa nessa localidade (Fachín-Terán 2005).
Embora a captura de adultos e a coleta de ovos de quelônios seja proibida pela legislação brasileira, essa é uma prática comum na Amazônia ainda nos dias de hoje. Praias que não são protegidas podem ter até 100% de predação de seus ovos. No médio Solimões, é comum observar acampamentos de ribeirinhos e citadinos nas praias durante os meses de desova de quelônios, para captura de fêmeas adultas e coleta de ovos. Moretti (2004) reporta que embora a coleta de ovos por parte de ribeirinhos seja menor do que em anos atrás, a procura por esse item ainda é muito grande. P. expansa é o quelônio de maior valor comercial (Cássia Santos Camillo, comunicação pessoal, 2010).
Seu hábitat, principalmente no estado de Tocantins, é reduzido e desconectado devido à implantação de hidrovias e reservatórios de usinas hidrelétricas (Tiago Portelinha, Adriana Malvasio, comunicação pessoal, 2010). A construção de represas também impede a migração da tartaruga à jusante ou à montante das praias de nidificação, e o desmatamento da área de várzea afeta a alimentação da espécie durante a época das cheias. No rio Trombetas (PA) o grande número de navios que trafegam para transportar bauxita pode estar inibindo as tartarugas de ir à montante desse rio (Vogt, no prelo).
O turismo desordenado nas áreas reprodutivas pode ocasionar distúrbios durante o processo de nidificação da espécie em Goiás, sudeste do Pará, Tocantins e Mato Grosso (Yeda Soares de Lucena Bataus, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010).
A descontinuidade do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), a partir de 2007, deixou as espécies-alvo do projeto, incluído P. expansa, à mercê da exploração direta sobre os ovos, filhotes, subadultos e adultos, principalmente as matrizes (Yeda Soares de Lucena Bataus, Rafael Antônio Machado Balestra, Vera Lúcia Ferreira Luz, comunicação pessoal, 2010).
Sendo assim, se não persistirem as ações conservacionistas direcionadas a essa espécie, todas suas subpopulações poderão declinar drasticamente.

O Brasil possui o programa governamental mais extenso para o manejo reprodutivo e a conservação de P. expansa em sua extensão de ocorrência (Vogt 2008).
As ações governamentais para proteção de P. expansa tiveram início em 1965, objetivando manter a integridade das áreas de desova no rio Trombetas (PA). Em 1968, o projeto expandiu-se para o rio Tapajós (PA), em 1975 para os rios Juruá, Purus, Solimões e Negro (AM) e rio Branco (RR) e, em 1976, para o rio Guaporé (RO).  
Em 1979 o governo brasileiro implantou o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) visando a efetiva conservação dos quelônios amazônicos, tendo atuado até 2001 sob coordenação do Centro Nacional dos Quelônios da Amazônia (Cenaqua/IBAMA) e, posteriormente, pelo Centro Nacional de Pesquisa de Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN/ICMBio).
O PQA é executado nas áreas de ocorrência natural, principalmente das espécies P. expansa, P. unifilis e P. sextuberculata, atuando nos rios das bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia. Esta medida impediu a inclusão da tartaruga-da-amazônia (P. expansa) e do tracajá (P. unifilis) na atual lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção (Yeda Soares de Lucena Bataus, Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010).
Ao longo do desenvolvimento do PQA foram realizados trabalhos de proteção e manejo em 227 sítios de reprodução de P. expansa. Atualmente, é realizado a proteção e manejo em 47 sítios de nidificação dessa espécie por órgãos estaduais e municipais do meio ambiente, IBAMA, organizações não governamentais e pelo ICMBio. Dentre os sítios onde há ações de manejo e proteção atuais, somente seis estão inseridos em Unidades de Conservação Federais.
Ao longo dos anos de atuação do PQA foram manejados 46.337.873 filhotes de P. expansa, todavia não se sabe qual a taxa de sobrevivência desses filhotes (Rafael Antônio Machado Balestra, Yeda Soares de Lucena Bataus, comunicação pessoal, 2010).
O RAN atua diretamente na prática de manejo conservacionista para essa espécie em uma Unidade de Conservação Federal, e colabora técnico-cientificamente com as outras Unidades de Conservação e instâncias executoras de projetos de conservação desses quelônios (Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal 2010).
Muitos programas de conservação no Brasil protegem adultos, ovos e filhotes da espécie. A maioria inclui a transferência de ninhos de áreas protegidas para serem incubados artificialmente. Tais programas/projetos protegem desde algumas centenas de fêmeas em processo de desova até milhares de ninhos. Na RDS Mamirauá (médio Solimões, AM), ações de conservação são realizadas voluntariamente pelos comunitários, e envolvem, sobretudo, a transferência de ninhos dos barrancos dos lagos e igarapés para praias artificiais, construídas nas comunidades.
A efetividade dessas medidas não é totalmente garantida, pois características como sexo, tamanho, mobilidade, têm relação com o microclima dos ninhos e, portanto, a transferência destes pode poderia alterar essas características (Booth et al. 2004, Packard et al. 1982, Rasmussen & Litsguz 2010), neste contexto, em termos quantitativos, Bataus et al. (1998) obtiveram um sucesso de eclosão para ninhos transferidos de P. expansa, no médio rio Araguaia (GO), de 94%.
Na RDS Mamirauá (AM), moradores selecionaram nove praias a ser protegidas em prol da conservação da espécie. A participação comunitária garante não só o apoio político local e menores custos de fiscalização na implementação de normas de conservação, como assegura a preservação da biodiversidade da várzea e a manutenção de um alimento importante em nível local (Fachín-Terán 2005).
No estado do Tocantins, além da atuação desse projeto, existe o ´´Projeto Quelônios do Tocantins´´, implantado pelo órgão ambiental estadual (Agência de conservação do Estado do Tocantins - NATURANTINS). O projeto atua na área da hidrelétrica de Lajeado (Vanzolini 2003), nos municípios de Peixe e Ipueiras, e na bacia do rio Araguaia, nos municípios de Lagoa da Confusão (rio Formoso), Caseara, Araguacema, Pau D´arco e Araguatins (rio Araguaia). Outro projeto desenvolvido no Tocantins é o ´´Projeto QUELOCAN´´ (Quelônios de Canoanã), criado em 1998 e desenvolvido pela Escola de Canoanã da Fundação Bradesco, no município de Sandolândia, em parceria com o ICMBio. Atualmente abrange aproximadamente 30 praias da porção alta do rio Formoso do Araguaia e tem fornecido bons resultados de conservação.
As portarias IBAMA nº. 142, de 30 de dezembro de 1992, e nº. 070, de 23 de agosto de 1996, e a Instrução Normativa IBAMA nº. 169, de 20 de fevereiro de 2008, autorizam e regulamentam a criação comercial de Podocnemis expansa, P. unifilis, P. sextuberculata e Kinosternon scorpioides no sistema intensivo nas regiões de sua ocorrência, visando diminuir a pressão de caça clandestina. Os plantéis dos criadouros são formados a partir de filhotes manejados pelo IBAMA.
Os criadores enfrentam vários problemas e ainda não atingiram a sustentabilidade dos seus empreendimentos, em termos de auto-suficiência reprodutiva. Todos os criadouros ainda dependem do IBAMA para recebimento de lotes adicionais de filhotes de P. expansa e P. unifilis com a finalidade de renovação dos plantéis. A maioria dos empreendimentos faliu devido ao alto custo de manutenção e baixa quantidade de vendas (Vogt 2008).
Hoje, existem 98 criadouros legalizados da espécie no Brasil, dos 120 que já foram registrados (Rafael Antônio Machado Balestra, comunicação pessoal, 2010).

Reserva Particular do Patrimônio Natural Seringal Assunção (RO), Reserva Extrativista Lago do Cedro (GO), Área de Proteção Ambiental Meandros do Rio Araguaia (MT/GO), Parque Nacional do Araguaia (TO), Parque Nacional do Araguaia (TO), Parque Nacional da Serra do Divisor (AC), Reserva Extrativista do Médio Purus (AM), Reserva Biológica do Uatumã (AM), Reserva Biológica do Rio Trombetas (PA), Reserva Biológica do Rio Trombetas (PA), Parque Nacional da Serra da Mocidade (AM/RR), Reserva Biológica do Lago Piratuba (AP), Refúgio de Vida Silvestre Quelônios do Araguaia (MT), Floresta de Rendimento Sustentado Rio São Domingos (RO), Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (TO), Parque Estadual do Cantão (TO), Área de Proteção Ambiental Rio Madeira (RO), Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (AM), Área de Proteção Ambiental Nhamundá (AM), Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (PA), Área de Proteção Ambiental Baixo Rio Branco (RR), Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (PA) e Área de Proteção Ambiental Baixo Rio Branco (RR).

Recomenda-se a integração das ações de proteção da espécie por parte dos órgãos ambientais federais (IBAMA e ICMBio), estaduais e municipais. É importante dar continuidade às ações de proteção, manejo, pesquisa, monitoramento e educação ambiental, realizadas pelo Projeto Quelônios da Amazônia.
É necessária a efetividade das ações de fiscalização sobre a apanha de P. expansa e o desenvolvimento de ações de educação ambiental voltadas para as comunidades locais. Recomenda-se avaliar o grau de consumo e tráfico nas populações da espécie e a sua inclusão em programas de monitoramentos de empreendimentos licenciados na extensão de sua ocorrência.
Incluir no licenciamento de empreendimentos na área de extensão de ocorrência da espécie, ações mitigadoras para a mesma, bem como, exigir programas de monitoramentos das suas populações em empreendimentos licenciados. Além disso, regulamentar a criação extensiva da espécie em Unidades de Uso Sustentável e reavaliar a regulamentação da legislação de criação comercial já existente, no que diz respeito à autorização de projeto complementar para recebimento de lotes de filhotes (Portaria IBAMA nº. 142, de 30 de dezembro de 1992, Portaria IBAMA nº. 070, de 23 de agosto de 1996 e Instrução Normativa IBAMA nº. 169, de 20 de fevereiro de 2008).


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Salera-Jr, G. 2005. Avaliação da biologia reprodutiva, predação natural e importância social em quelônios com ocorrência na bacia do Araguaia. Dissertação (Mestrado em Ciências do Ambiente). Universidade Federal do Tocantins. 202p.

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Vogt, R.C. 2008. Tartarugas da Amazônia. Lima. 104p.

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Quelônios Continentais Brasileiros
Local e Data de realização: Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador: Alessandro Santana dos Santos (Fundação Pró-Tamar).

Avaliadores: Richard Carl Vogt (INPA), Gláucia Moreira Drummond (Fundação Biodiversitas), Alex Bager (UFLA), Adriano Lima Silveira (UFRJ), Alexandre Milaré Batistella (SEMA/MT), Rafael Bernhard (INPA), Franco Leandro de Souza (UFMS), Isaías José dos Reis (RAN/ICMBio),Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio), e Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio).

Colaborador(es): Cássia Santos Camillo (UEA), Paulo César Machado Andrade (UFAM), Adson Gomes Ataídes (UFT) e Adriana Malvasio (UFT).

Apoio:
Camila Kurzmann Fagundes (consultora, RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Flávia Regina Batista Queiroz (RAN/ICMBio), Richard Carl Vogt (INPA).

  _cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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