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Répteis - Bothrops insularis

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Bothrops insularis (Amaral, 1921),  NO BRASIL



Márcio Roberto Costa Martins1, Cristiano de Campos Nogueira2, Bruno Ferreto Fiorillo3, Josué Anderson Rêgo Azevedo3, Yeda Soares de Lucena Bataus4, Vívian Mara Uhlig4, Adriano Lima Silveira5, Ana Lúcia da Costa Prudente6, Antônio Jorge Suzart Argôlo7, Carlos Roberto Abrahão4, Fausto Erritto Barbo2, Gabriel Corrêa Costa8, Gláucia Maria Funk Pontes9, Guarino Rinaldi Colli10, Hussam El Dine Zaher2, Márcio Borges Martins11, Maria Ermelinda do Espírito Santo Oliveira12, Paulo Gustavo Homem Passos13, Renato Silveira Bérnils14, Ricardo Jannini Sawaya15, Sônia Terezinha Zanini Cechin16 e Thaís Barreto Guedes da Costa17.

1. Universidade de São Paulo - USP
2. Museu de Zoologia da Universadade de São Paulo - MZUSP
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - bolsista-RAN/ICMBio
4. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
5. Engenharia e Gestão de Projetos Ltda - AMPLO
6. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
7. Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
8. Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
9. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
10. Universidade de Brasília - UnB
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
12. Universidade Federal do Amazonas - UFAM
13. Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
14. Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
15. Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
16. Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
17. Instituto Butantan - IB

Martins, M. R.C, Nogueira, C. C., Fiorillo, B. F., Azevedo, J. A R., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M.,  Silveira, A. L., Prudente, A. L. C.,  Argôlo, A. J. S., Abrahão, C. R., Barbo, F. E., Costa, G. C., Pontes, G. M. F., Colli, G. R., Zaher, H. D., Martins, M. B., Oliveira, M. E. E. S, Passos, P. G. H., Bérnils, R. S., Sawaya, R. J., Cechin, S. T. Z. & Costa, T. B. G. .2016. Avaliação do Risco de Extinção de Bothrops insularis (Amaral, 1921),  no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7873-repteis-bothrops-insularis.html
 Bothrops insularis site  Bothrops insularis
Foto: Otávio Marques
Elaboração: Azevedo, J.A.R. (UnB) e
Uhlig, M.V. (NGeo/RAN/ICMBio), 2012
Ordem:  Squamata
Família:  Viperidae

Nomes comuns:  jararaca-ilhôa

Sinonímias: Lachesis insularis e Bothropoides insularis (Uetz 2012).

Notas taxonômicas:
Não há

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Criticamente em perigo (CR) B1ab(v)+2ab(v)

Justificativa: Bothrops insularis é endêmica do Brasil, da Ilha da Queimada Grande, próxima à costa dos municípios de Itanhaém e Peruíbe, no litoral sul do estado de São Paulo. Sua extensão de ocorrência equivale à área da ilha que é de 0,37 km2 (B1) e sua área de ocupação calculada é de 0,25 km2 (B2), considerando-se que a espécie ocorre preferencialmente em ambiente de mata. A ilha foi considerada uma localização (a), cuja principal ameaça à espécie é a captura ilegal contínua de indivíduos maduros provavelmente para o mercado negro de espécies exóticas [b(v)]. Por essas razões, Bothrops insularis foi caracterizada como Criticamente em perigo (CR), sob os critérios B1ab(v)+2ab(v).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes: 
Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção a espécie foi avaliada como Criticamente em perigo (CR) B1ab(iii) (MMA 2003, Machado et al. 2008).
 
Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:
Não houve mudança de categoria apenas outros critérios foram considerados.

Avaliações em outras escalas:  
Listas estaduais: Na lista vermelha do estado de São Paulo foi avaliada como Criticamente em perigo (CR) (Estado de São Paulo 2008).
Listas internacionais:
A espécie foi avaliada como Criticamente em perigo (CR) sob os critérios B1ab(iii)+2ab(iii) na lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Marques et al. 2004)



Bothrops insularis é endêmica do Brasil, da Ilha da Queimada Grande, litoral sul do estado de São Paulo (Duarte et al. 1995). A ilha faz parte da Unidade de Conservação Federal, Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Ilhas da Queimada Pequena e Queimada Grande, com 78 ha, distante 34,8 km da costa. A extensão de ocorrência foi determinada a partir da área emersa da ilha, em pelo menos 0,37 km2. A área de ocupação foi estimada em 0,25 km2, considerando-se a parte de mata da ilha, pois a espécie ocorre preferencialmente nesse ambiente (Martins et al. 2008).

Estimativas recentes (Martins et al. 2008) indicam que há em torno de 2.000-2.500 indivíduos em cerca de 30 ha de floresta da ilha, o que representa uma densidade de aproximadamente 60 a 80 serpentes por hectare. Segundo este mesmo estudo, essa espécie é mais abundante nas regiões mais elevadas ao norte da ilha.

Bothrops insularis é uma jararaca de porte médio (comprimento total máximo de 882 mm), endêmica da ilha da Queimada Grande (Duarte et al.  1995, Marques et al. 2002, Martins et al. 2008, Bataus & Reis 2011). Embora seja eventualmente encontrada em áreas cobertas por capim, a jararaca-ilhoa ocorre principalmente no ambiente de mata (Mata Atlântica), que cobre cerca de 25ha da ilha (Martins et al. 2008). Os adultos são frequentemente encontrados sobre a vegetação, mas também utilizam o chão da mata; podem estar ativas tanto de dia quanto à noite (Duarte et al.  1995, Marques et al. 2002). A dieta de adultos é baseada em aves migratórias, que são capturadas tanto no chão como nas árvores; os jovens alimentam-se de anfíbios, lagartos e centopéias (Marques et al. 2002, Martins et al. 2002, Marques et al. 2012). O acasalamento da jararaca-ilhoa ocorre entre julho e setembro e os nascimentos de filhotes foram registrados entre março e junho; o período de gestação foi estimado em 120-150 dias (Almeida-Santos & Salomão 2002, Marques et al. 2002). Embora seja fácil encontrar indivíduos adultos de B. insularis na ilha, o mesmo não ocorre com os filhotes, mesmo durante o período dos nascimentos; o tamanho de uma ninhada dificilmente ultrapassa dez filhotes, com média de 6,5 (Almeida-Santos & Salomão 2002, Marques et al. 2002).

Embora a maior parte da ilha da Queimada Grande ainda permaneça coberta pela floresta original (principal hábitat da jararaca-ilhoa), algumas de suas porções foram queimadas no passado e encontram-se atualmente cobertas por capim. Ao longo dos últimos 7 anos, nota-se que essas áreas estão sendo novamente invadidas pela vegetação arbórea nativa, todavia esse processo é muito lento (Otávio Marques e Márcio Martins, comunicação pessoal, 2012). Além dessa ameaça, que parece estar controlada, existem evidências de capturas ilegais dessa jararaca, provavelmente para o mercado negro de espécies exóticas – que geralmente acabam em zoológicos ou como animais de estimação (Martins et al. 2008).

O Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna Insular Ameaçada de Extinção (PAN Herpetofauna Insular), foi aprovado pela Portaria nº. 94, de 27 de agosto de 2010, revogada pela Portaria 194/2013 (Brasil 2013). Nele estão indicadas, priorizadas e pactuadas as principais ações necessárias para a reversão do risco de extinção das espécies-alvo (Bataus & Reis 2011). Também está na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para 2015 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014).

Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Centro, Área de Relevante Interesse Ecológico Ilhas da Queimada Pequena e Queimada Grande, Área de Proteção Ambiental de Cananéia-Iguape-Peruíbe.

Recomenda-se a intensificação de fiscalização, estudos detalhados sobre ecologia de populações, o desenvolvimento de programa de criação para conservação ex-situ e a implementação das ações previstas no PAN – Herpetofauna Insular.

Almeida-Santos, S.M. & Salomão, M.G. 2002. Reproduction in neotropical pitvipers, with emphasis on species of the genus Bothrops. p. 445-462 in: Schuett, G.W.; Hoggren, M.; Douglas, M.E. & Greene, H.W. (Org.). 2002. Biology of the Vipers. Carmel, Indiana: Eagle Moutain Publishing.

Bataus, Y.S.L  &  Reis, M.L. 2011. Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna Insular Ameaçada de Extinção, Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio, 124p.:Il.color.;21 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 21).

Brasil, 2013. Portaria ICMBio nº 194, de 28 de maio de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 102, Seção 1, quarta-feira, 29 de maio de 2013.

Duarte M.R., Puorto, G. & Franco, F.L. 1995. A biological survey of the pitviper Bothrops insularis Amaral (Serpentes, Viperidae): an endemic and threatened offshore island snake of southeastern Brazil. Stud Neotr Fauna Environ. 30:1-13.

Estado de São Paulo, 2008. Decreto Estadual Nº 53.494 de 2 de outubro de 2008. Declara as Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas, as Quase Ameaçadas, as Colapsadas, as Sobre-explotadas, as Ameaçadas de Sobre-explotação e com dados insuficientes para avaliação no Estado de São Paulo e dá providências correlatas. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, seção 1, 118 (187).

Machado, A. B. M.; Drummond, G. M. & Paglia, A. P. 2008. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte: Ministério do Meio Ambiente, Fundação Biodiversitas, v. IIp. 1420. 

Marques, O. A. V., Martins, M. & Sazima, I. 2002. A New Insular Species of Pitviper from Brazil, with comments on Evolutionary Biology and Conservation of the Bothrops jararaca Group (Serpentes, Viperidae). Herpetologica, 58 (3): 303–312.

Marques, O.A.V., Martins, M. & Sazima, I. 2004. Bothropoides insularis. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2011.2. <www.iucnredlist.org>. (Acesso em: 09/06/2012).

Marques, O.A.V., Martins, M.; Develey, P. F.; Macarrão, A. & Sazima, I. 2012. The golden lancehead Bothrops insularis (Serpentes: Viperidae) relies on two seasonally plentiful bird species visiting its island habitat. Journal of Natural History, 46(13–14): 885-895.

Martins, M., Marques, O.A.V. & Sazima, I. 2002. Ecological and phylogenetic correlates of feeding habits in Neotropical pitvipers of the genus Bothrops. In press. In: G. Schuett, M. Höggren, and H. W. Greene (Eds.), Biology of the Vipers. Eagle Mountain Publishing, Eagle Mountain, Utah, U.S.A.

Martins, M.; Sawaya, R.J. & Marques, O.A.V. 2008. A first estimate of the population size of the critically endangered lancehead, Bothrops insularis. South American Journal of Herpetology, 3(2):  168-174.

MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2003. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

Uetz, P. 2012. Bothrops insularis. Reptile Databese. http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Philodryas&species=psammophidea. Acesso do em : 10/02/2012.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação das Serpentes no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó-SP, no período de 23 a 27 de abril de 2012.

Facilitador(es): Marcelo  Fabio  Tognelli (UICN), Carlos Eduardo Guidorizzi de Carvalho (COABIO/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio).

Avaliadores:
Adriano Lima Silveira (AMPLO); Ana Lúcia da Costa Prudente (MPEG); Antônio Jorge Suzart Argôlo (UESC);  Carlos Roberto Abrahão (RAN/ICMBio); Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP);  Fausto Erritto Barbo (MZUSP); Gabriel Corrêa Costa (UFRN); Gláucia Maria Funk Pontes (PUCRS); Guarino Rinaldi Colli (UnB); Hussam El Dine Zaher (MZUSP);  Márcio Borges Martins (UFRGS); Márcio Roberto Costa Martins (USP); Maria Ermelinda do Espírito Santo Oliveira (UFAM); Paulo Gustavo Homem Passos (MN/UFRJ); Renato Silveira Bérnils (UFES); Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP);  Sônia Terezinha Zanini Cechin (UFSM); Thaís Barreto Guedes da Costa (Instituto Butantan).

Colaborador(es):

Apoio:

Bruno Ferreto Fiorillo (bolsista, RAN/ICMBio), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP),  Josué Anderson Rêgo Azevedo (bolsista, RAN/ICMBio), Laura Rodrigues Vieira de Alencar (USP), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Vívian Mara Uhlig (RAN/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio).


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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