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Anfíbios - Melanophryniscus dorsalis

Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus dorsalis (Mertens, 1933), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura9, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neves Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - consultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Melanophryniscus dorsalis (Mertens, 1933). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7514-anfibios-melanophryniscus-dorsalis.html

 Melaphryniscus dorsalis site  Melanophryniscus dorsalis
Foto: Daniel Loebmann
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura
Família:  Bufonidae

Nomes comuns:  Flamenguinho, Sapinho-da-barriga-vermelha, Red-belly toad (Frost 210).

Sinonímias: Dendrophryniscus stelzneri dorsalis, Melanophryniscus stelzneri dorsalis, Melanophryniscus stelzneri (Frost 210).

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável (VU) B1ab(iii)

Justificativa: Melanophryniscus dorsalis é endêmica do Brasil, ocorre em vários municípios litorâneos dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É associada a solos arenosos da planície litorânea e sua extensão de ocorrência calculada é 12.418,84km2 (B1). Suas subpopulações são severamente fragmentadas (isoladas geneticamente) (a) em decorrência da fragmentação do hábitat, ocasionada pela expansão urbana, causando também declínio contínuo da qualidade do habitat (poluição do ambiente) [b(iii)]. Por essas razões, Melanophryniscus dorsalis foi categorizada como Vulnerável (VU) B2ab(ii) (MMA 2003, Machado et al. 2008).

Histórico das avaliações nacionais anteriores:
Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção a espécie foi avaliada como Vulnerável (VU) B2ab (Machado 2005).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:
Não houve mudança de categoria em relação à lista nacional anterior, no entanto houve mudança nos critérios aplicados, em decorrência de novas e melhores informações disponíveis sobre o táxon e melhor aplicação dos critérios de avaliação.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  A espécie foi categorizada como Vulnerável (VU) B1ab(iii)+2ab(iii) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Garcia 2004).
Listas estaduais: Na lista de espécies ameaçadas do Estado do Rio Grande do Sul também foi categorizada como Vulnerável (VU) (Marques et al. 2002) e na lista do Estado de Santa Catarina (2011) ficou como Em perigo (EN) B1(<5.000) a+b (iii); B2 (<500) a+b(iii) (Estado de Santa Catarina 2011).


Espécie endêmica do Brasil ocorre em vários municípios litorâneos dos estados de Santa Catarina, como o Morro dos Conventos (Município de Araranguá, em Santa Catarina) (Quintela et al. 2007), e nos município de Tramandaí, Capão da Canoa,  Torres e Rio Grande (na Ilha dos Marinheiros), no estado do Rio Grande do Sul, esse é o único registro da espécie em uma ilha (Braun 1978, Braun & Braun 1980, Borges-Martins et al. 2007, Colombo et al. 2008). A extensão de ocorrência é de 12.418,84 km², calculada por meio do mínimo polígono convexo a partir dos pontos de registro (inclusive o da ilha).

A espécie apresenta reprodução explosiva, sendo abundante durante estes eventos. Quando não está em evento reprodutivo, a espécie pode ser observada deslocando-se durante o período crepuscular (Ivan Amaral e Jorge Bernardo Silva, comunicação pessoal, 2010). A tendência populacional é desconhecida.

A espécie está associada a solos arenosos da planície litorânea e reproduz-se em ambientes temporários. Apresenta reprodução explosiva, conforme as demais espécies do gênero.

A espécie é restrita a solos arenosos da planície litorânea e sofre redução e desconexão do seu hábitat devido a expansão urbana e consequente poluição do ambiente. A fragmentação dessas áreas possivelmente causa isolamento genético entre as subpopulações da espécie. Há relatos de que a espécie é utilizada como isca para pesca (Patrick Colombo 2008, Ivan Amaral, comunicação pessoal, 2010).

A espécie é beneficiada pelas ações previstas no Plano de Ação Nacional para Conservação de Répteis e Anfíbios Ameaçados da Região Sul do Brasil (Brasil 2012).

Parque Estadual de Itapuã, Parque Estadual de Itapeva, Parque Estadual da Guarita, Parque Estadual do Camaquã e Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca.

Criação de uma Unidade de Conservação na região do Morro dos Conventos (Município de Araranguá, SC). A área é extremamente propícia para a criação de uma UC devida a sua beleza cênica e por abrigar uma espécie ameaçada (Melanophryniscus dorsalis). No local onde registramos uma população a área é utilizada de forma irregular como estacionamento no verão.

Borges-Martins, M.; Colombo, P.; Zank, C.; Becker, F.G. &. Melo, M.T.Q. 2007. Anfíbios p. 276-291. In: Becker, F.G.; Ramos, R.A. & Moura, L.A. (orgs.). Biodiversidade: Regiões da Lagoa do Casamento e dos Butiazais de Tapes, Planície Costeira do Rio Grande do Sul. Ministério do Meio Ambiente, Brasília. 385 p.

Brasil, 2012. Portaria nº 25, de 17 de fevereiro de 2012. Diário Oficial da União. Edição nº 36, Seção 1, 22 de fevereiro de 2012.

Braun, P.C. 1978. Ocorrência de Melanophryniscus stelzneri dorsalis (Mertens 1933) no Estado de Santa Catarina, Brasil (Anura, Bufonidae). Iheringia. Ser. Zool, 51:39-41.

Braun, P.C & Braun, C.A.S. 1980. Lista prévia dos anfíbios do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia. Ser. Zool, 56: 121-146.

Colombo, P.; Kindel, A.; Vinciprova, G. & Ligia Krause. 2008. Composição e ameaças à conservação dos anfíbios anuros do Parque Estadual de Itapeva, município de Torres, Rio Grande do Sul, Brasil. Biota Neotrop. 8(3): 229-240.

Estado de Santa Catarina, 2011. Resolução Consema Nº 002, de 06/12/2011. Lista Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado de Santa Catarina Estado De Santa Catarina Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável – SDS DOE-SC: 02-08.

Frost, D. R. 2010. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 13/05/2010.

Garcia, P. 2004. Melanophryniscus dorsalis. The IUCN Red List of Threatened Species 2004. <http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T54820A11209178.en>. (Acesso em: 17/09/2014).

Machado, A. B. M.; Drummond, G. M. & Paglia, A. P. 2008. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte: Ministério do Meio Ambiente, Fundação Biodiversitas, v. IIp. 1420. 

Marques, A.A.B.; Fontana, C.S.; Vélez, E.; Bencke, G.A.; Schneider, M. & Reis R.E. 2002. Decreto n° 41.672, de 11 junho de 2002. Lista de referência da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA. Publicações Avulsas FZB, 11. 52 p.

MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2003. Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

Quintela, F.M.; Medvedowisky, I.G.; Neves, L.F.; Loebmann, D. & Figueiredo, M.R.C. 2007. Amphibia, Anura, Bufonidae, Melanophryniscus dorsalis: Distribution extension in the State of Rio Grande do Sul, Brazil. Check List, 3(2): 100-103.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP).

Avaliadores: Adrian Garda  (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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