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Anfíbios - Scinax alcatraz

Avaliação do Risco de Extinção de Scinax alcatraz (B. Lutz, 1973), no Brasil

Célio Fernando Baptista Haddad1, Magno Vicente Segalla2, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Flávia Regina de Queiroz Batista3, Adrian Garda4, Alexandre de Assis Hudson3, Carlos Alberto Gonçalves da Cruz5, Christine Strüsmann6, Cínthia Aguirre Brasileiro7, Débora Leite Silvano8, Fausto Nomura15, Hugo Bonfim de Arruda Pinto3, Ivan Borel Amaral3, João Luiz Rosetti Gasparini10, Leôncio Pedrosa Lima3, Márcio Roberto Costa Martins11, Marinus Steven Hoogmoed16, Patrick Colombo15, Paula Hanna Valdujo11, Paulo Christiano de Anchieta Garcia12, Renato Neves Feio13, Reuber Albuquerque Brandão14, Rogério Pereira Bastos9 e Ulisses Caramaschi5.


1 Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita - UNESP/Rio Claro
2 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - concultor-PNUD/RAN/ICMBio
3 Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
5 Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
6 Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
7 Universidae Federal de São Paulo - UNIFESP/Diadema
8 Universidade Católica de Brasília - UCB
9 Universidade Federal de Goiás - UFG
10 Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
11 Universidade de São Paulo - USP
12 Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
13 Universidade Tecnológica Federal de Viçosa - UFV
14 Universidade de Brasília - UnB
15 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

16 Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG

Haddad, C. F. B., Segalla, M. V., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M., Batista, F. R. Q., Garda, A., Hudson, A. A., Cruz, C. A. G., Strüsmann, C., Brasileiro, C. A., Silvano, D. L., Nomura, F., Pinto, H. B. A., Amaral, I. B., Gasparini, J. L. R., Lima, L. P., Martins, M. R. C., Hoogmoed, M. S., Colombo, P., Valdujo, P. H., Garcia, P. C. A., Feio, R. N., Brandão, R. A., Bastos, R. P. & Caramaschi, U. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Scinax alcatraz (B. Lutz, 1973). Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7519-anfibios-scinax-alcatraz.html

 Scinax alcatraz site  Scinax alcatraz
Foto: Célio Haddad
Elaboração: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem:  Anura   
Família:  Hylidae

Nomes comuns:  Perereca-de-Alcatrazes, Alcatraz Snouted Treefrog (Frost 2010).

Sinonímias: Hyla catharinae alcatraz, Ololygon alcatraz, Scinax alcatraz (Frost 2010).

Notas taxonômicas:  Conforme Peixoto (1988), a espécie pertence ao grupo de Scinax perpusillus. As espécies deste grupo ocorrem e se reproduzem em bromélias.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Criticamente em perigo (CR) B1ab(i,iii)+2ab(ii,iii)

Justificativa: Scinax alcatraz é endêmica do Brasil, ocorre somente na Ilha dos Alcatrazes (a), no litoral Norte do estado de São Paulo. Sua extensão de ocorrência é de 1,72 km2  que equivale à área da ilha excluindo-se a porção do Oratório (B1), e, certamente, sua área de ocupação é ainda menor, pois a espécie só ocorre nos bromeliais (B2). Apenas uma parte marinha da ilha pertence a uma Unidade de Conservação, a parte terrestre pertence à Marinha do Brasil. A maior parte das bromélias está na região do Saco do Funil, localizada na parte da ilha onde a Marinha utiliza para os treinos de tiro de canhões que, ocasionalmente, causam incêndios gerando declínio continuado da extensão de ocorrência [b(i)], da área de ocupação [b(ii)] e da qualidade do hábitat [b(iii)]. Por essas razões, Scinax alcatraz foi categorizada como Criticamente em perigo (CR) pelos critérios B1ab(i,iii)+2ab(ii,iii).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:
Na Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção a espécie foi avaliada como Criticamente em perigo (CR) B1ab(i)+2ab(ii)c(ii) (MMA 2003, Machado et al. 2008).

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:
Não houve mudança de categoria em relação à lista nacional anterior, no entanto, houve mudança nos critérios aplicados, em decorrência de novas e melhores informações disponíveis sobre o táxon e melhor aplicação dos critérios de avaliação.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  A espécie foi categorizada como Criticamente em perigo (CR) B1ab(iii)+2ab(iii) pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) (Rodrigues & Cruz 2004)
Listas estaduais: Na lista vermelha do Estado de São Paulo foi avaliada como Criticamente em perigo (CR) (Estado de São Paulo 2008).


Scinax alcatraz é endêmica do Brasil, ocorre somente na Ilha dos Alcatrazes, ilha principal do Arquipélago dos Alcatrazes, próxima à costa do município de São Sebastião, litoral Norte do estado de São Paulo (Marques et al. 2009). A espécie ocorre apenas em agrupamentos de bromélias distribuídos pela ilha, a maioria dos bromeliais está no local denominado Saco do Funil, área onde estão os alvos para o treinamento de tiro dos canhões da Marinha do Brasil (Cínthia Brasileiro, comunicação pessoal, 2010). O Arquipélago está inserido na Área Delta da Marinha do Brasil. Algumas ilhas desse arquipélago fazem parte da Estação Ecológica (ESEC) Tupinambás, Unidade de Conservação (UC) Federal de proteção integral. Ao contrário do que muitos pensam, a parte terrestre da Ilha dos Alcatrazes não faz parte da ESEC, segundo o Decreto de criação da UC somente uma parte marinha da ilha está inserida na ESEC (Brasil 1987).  A extensão de ocorrência é de 1,72 km2 , que equivale à área da ilha dos Alcatrazes (1,80 km2 ), sem a porção do Oratório, calculada no NGeo/RAN utilizando o Sistema de Coordenadas Planas WGS 1984 UTM Zona 23S com base na imagem do satélite RapidEye: 2010-04-13T140449_RE5_3A-NAC_9508295_136926.tif. Certamente sua área de ocupação é ainda menor, pois a espécie só ocorre nos bromeliais.

A espécie é abundante e facilmente encontrada nos bromeliais da ilha. Há bromélias dispersas em toda ilha, porém há uma grande concentração na região do Saco do Funil (Cínthia Brasileiro, comunicação pessoal, 2010).

A espécie é bromelígena, onde se observa abrigando, coaxando e se reproduzindo. As larvas são observadas na água acumulada nas axilas das bromélias (Cínthia Brasileiro, comunicação pessoal, 2010).

O paredão rochoso da região do Saco do Funil, da Ilha dos Alcatrazes, é usado pela Marinha Brasileira para atividades de treinamento de artilharia. Essa prática ocasionalmente provoca incêndio na vegetação, como foi o caso do incêndio que ocorreu em novembro de 2004, quando muitos bromeliais da ilha foram totalmente queimados.

Existe um Termo de Compromisso entre o Ministério da Defesa e o Ministério de Meio ambiente (Termo de Compromisso nº 711000/2008-001/00, de 28 de agosto de 2008), com interveniência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e a Marinha do Brasil, com a finalidade de conciliar os interesses da segurança nacional e a proteção do ecossistema no arquipélago dos Alcatrazes, firmado em 28 de agosto de 2008 (Brasil 2008). A espécie é beneficiada pelas ações previstas no Plano Nacional de Ação para Conservação da Herpetofauna Insular Ameaçada de Extinção (Brasil 2010, 2013). Neste PAN estão indicadas, priorizadas e pactuadas as principais ações necessárias para a reversão do risco de extinção das espécies-alvo (Bataus & Reis 2011). Também está na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna  da Mata Atlântica do Sudeste, cuja aprovação está prevista para o final de 2014 (Vivian Uhlig, comunicação pessoal, 2014).

Não há regsitro.

Existe no âmbito do ICMBio e do MMA uma proposta de criação do Parque Nacional Marinho dos Alcatrazes, desde 2011 (Yeda Bataus, comunicação pessoal, 2012),  assim sugere-se que seja acatada tal mudança e que a Ilha dos Alcatrazes seja incluída na UC para que sejam reduzidas drasticamente as ameaças às espécies endêmicas e em perigo da Ilha e que sejam cessados os treinamentos de tiro da Marinha. Recomendamos ainda o monitoramento da espécie.

Bataus, Y.S.L  &  Reis, M.L. 2011. Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna Insular Ameaçada de Extinção. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio (Série Espécies Ameaçadas, 21), Brasília.

Brasil, 1987. Decreto No 94.656, de 20 de julho de 1987. Cria as Estações Ecológicas de Carijós, Pirapitinga e Tupinambás, e dá outras providências. Diário Oficial da União. Seção 1, 21/07/1987: 11502.
 
Brasil, 2008. Extrato de Compromisso nº 711000/2008-001/00, de 28 de agosto de 2008. Diário Oficial da União. Seção 3, 170, 03/09/2008: 20.

Brasil, 2010. Portaria ICMBio nº 94, De 27 de Agosto de 2010. Aprova o Plano de Ação Nacional da Herpetofauna Insular ameaçada de extinção,estabelecendo seu objetivo, metas, prazo,abrangência e formas de implementação e supervisão. <http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-plano de=acao/panherpetofauna/portaria_gec_herpetofauna.pdf>

Brasil. 2013. Portaria ICMBio nº 194, de 28 de maio de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 102, Seção 1, quarta-feira, 29 de maio de 2013.

Estado de São Paulo. 2008. Decreto Estadual Nº 53.494 de 2 de outubro de 2008. Declara as Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas, as Quase Ameaçadas, as Colapsadas, as Sobre-explotadas, as Ameaçadas de Sobre-explotação e com dados insuficientes para avaliação no Estado de São Paulo e dá providências correlatas. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, seção 1, 118 (187).

Frost, D. R.2010. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 5.5. Disponível em: <http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/>. Acesso em: 21/08/2010.

Lutz, B. 1973. New brazilian forms of Hyla. Two new races of Hyla catharinae. Boletim do Museu Nacional: 1-7.

Machado, A. B. M.; Drummond, G. M. & Paglia, A. P. 2008. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte: Ministério do Meio Ambiente, Fundação Biodiversitas, v. IIp. 1420. 

Marques, O.A.V.; Nogueira, C.; Sawaya, R.J.; Bérnils, R.S.; Martins, M.; Molina, F.; Ferrarezzi, H.; Franco, F.L. & Germano, V.J. 2009. Répteis. In: Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção do Estado de São Paulo: SEMA (C. Kierulff., org.), p.285-327. São Paulo.

MMA (Ministério do Meio Ambiente), 2003. Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Instrução Normativa n°. 3, de 27 de maio de 2003. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF.

Peixoto, O.L. 1988. Sobre o "status" taxonômico de Hyla catharinae alcatraz B. Lutz 1973, com a descrição de uma nova espécie para o grupo perpusilla (Amphibia, Anura, Hylidae). Acta Biologica Leopoldensia. São Leopoldo, 10: 253-267.

Rodrigues, M.T. & Cruz, C.A.G.. 2004. Scinax alcatraz. The IUCN Red List of Threatened Species 2004. <http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2004.RLTS.T55924A11393985.en>. (Acesso em: 21/08/2010).

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Anfíbios no Brasil

Local e Data de realização:
Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP).

Avaliadores: Adrian Garda  (UFRN), Alexandre de Assis Hudson (RAN/ICMBio), Carlos Alberto Gonçalves da Cruz (MN/UFRJ), Célio Fernando Baptista Haddad (UNESP), Christine Strüsmann (UFMT), Cinthia Aguirre Brasileiro (UNIFESP), Débora Leite Silvano (UCB), Fausto Nomura (UFG), Hugo Bonfim de Arruda Pinto (RAN/ICMBio), Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), João Luiz Rosetti Gasparini (UFES), Leôncio Pedrosa Lima (RAN/ICMBio), Magno Segalla (consultor-RAN/ICMBio), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Patrick Colombo (FZB/RS), Paula Hanna Valdujo (USP), Paulo Christiano de Anchieta Garcia (UFMG), Renato Neves Feio (UFV), Reuber Albuquerque Brandão (UnB), Rogério Pereira Bastos (UFG), Ulisses Caramaschi (MN/UFRJ).

Colaborador(es):

Apoio:
Ivan Borel Amaral (RAN/ICMBio), Magno Vicente Segalla (consultor-PNUD/RAN/ICMBio), Vivian Mara Uhlig (RAN/ICMBio), Flávia Regina Queiroz Batista (RAN/ICMBio) e Cleiton José Costa Santos (estagiário-CIEE/RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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