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Programas de Monitoramento da Biodiversidade em UCs

Existem diversas iniciativas de monitoramento da biodiversidade difundidas ao redor do mundo. Basta lembrar que temos iniciativas de monitoramento tanto na floresta amazônica, quanto nas regiões polares, bem como, em regiões úmidas ou áridas. A despeito dessas notáveis distinções, a maioria dessas iniciativas tem elos em comum. Sejam realizadas em áreas verdes urbanas – promovidas por moradores de um bairro – ou em reuniões com grandes líderes globais, muitos dos seus objetivos são convergentes, uma vez que medem o estado da biodiversidade ao longo do tempo.

Programas de monitoramento quando bem estruturados e articulados passam a ter importância estratégica para a gestão de UCs. Se bem projetado e aplicado, o monitoramento é uma poderosa ferramenta para a gestão de áreas protegidas, pois dá suporte a processos de tomada de decisão em políticas públicas e ações de manejo. Seus dados e informações ajudam a detectar problemas e permitem reações em fase precoce, quando soluções ainda podem ser relativamente baratas. Detectar, antecipar e reagir são palavras-chave para nortear o processo de monitoramento.
Diante da diversidade de ecossistemas brasileiros, a primeira pergunta que surge para viabilizar a implantação de um programa de monitoramento é:Em termos logísticos, de recursos financeiros e esforço demandado, é inviável monitorar as populações de todas as espécies encontradas em uma área protegida. Assim, o caminho para solucionar esse impasse é monitorar poucos indicadores biológicos, representantes da fauna e da flora, que são reconhecidamente de grande importância para o funcionamento dos ecossistemas e que apresentam potencial de discriminar níveis de impactos ambientais e cujas respostas representem os efeitos sobre outros grupos da biodiversidade.A seleção destes indicadores biológicos é realizada integrando os resultados de oficinas envolvendo representantes da comunidade científica e de comunitários locais e uma criteriosa revisão da literatura, além de considerar aspectos de viabilidade e qualidade da indicação biológica. Com base nesses procedimentos, são selecionados os grupos alvos que compõem o conjunto elementar de indicadores para cada bioma ou ecossistema.
O modelo seguido no monitoramento da biodiversidade nas Unidades de Conservação está baseado no levantamento de dois conjuntos de indicadores de biodiversidade: (I) indicadores mínimos e (II) indicadores complementares. Os grupos biológicos e suas métricas foram escolhidos considerando seu potencial de discriminar gradientes de impactos, incluindo de mudanças climáticas, e contribuir para a obtenção de informações confiáveis, de baixo esforço e custo.(I) Indicadores mínimosPermite o diagnóstico contínuo da biodiversidade in situ com o intuito de avaliar a efetividade do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, gerando respostas a mudanças climáticas e mudanças na paisagem. O monitoramento baseado em indicadores minimos trabalha com indicadores, sistema amostral e protocolos de coleta de dados padronizados para todas as UCs de cada bioma. Por exemplo, para o monitoramento nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica são monitorados quatro grupos indicadores mínimos, que são: plantas lenhosas, grupos selecionados de aves e mamíferos e borboletas frugívoras. Já para a Caatinga temos cactáceas, répteis-squamatas, mamíferos de médio e grande porte e aves como indicadores mínimos; e para os recifes de corais do Brasil são 20 indicadores, entre eles espécies de peixes, invertebrados e de algas, além da contagem dos impactos sobre o substrato e estimativas da porcentagem de cobertura de tipos de substrato e organismos.Os indicadores mínimos podem ser amostrados em diferentes graus de complexidade de acordo com as possibilidades de cada UC (veja abaixo modelo de modularidade para o monitoramento dos grupos selecionados para Amazonia, Mata atlântica e cerrado).4.1-modularidade do monitoramentoFigura: Organograma de execução do monitoramento dos indicadores de biodiversidade para Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado, destacando o nível 1, onde os dados podem ser coletados por não especilaistas, o nível 2, formado por indicadores para espécies de interesses e o nível 3, formado por indicadores para avalição de comunidade. (II) Indicadores ComplementaresNos casos onde os indicadores mínimos não forem suficientes para responder a questões de interesse de gestão para uma UC em particular, indicadores complementares podem ser amostrados.Atualmente, somente as UCs da Amazônia possuem seus indicadores complementares escolhidos, são eles: Castanha, caça, quelônios, madeira, peixes de riacho, onça e mamíferos de médio e grande porte. E seus protocolos de amostragem encontram-se em fase de elaboração e consolidação.
Uma vez definidos os indicadores mínimos que serão monitorados, o passo seguinte é determinar as técnicas e procedimentos mais adequados para realizar a coleta de dados. Considerando a grande diversidade de hábitos e comportamentos das espécies que integram os grupos selecionados, diferentes técnicas de amostragem são necessárias para monitorá-los. Mas como amostrar grupos de indicadores biológicos distintos, de um modo prático, em um mesmo local?A solução para esta questão é a implantação de ESTAÇÕES DE AMOSTRAGEM:Como estamos trabalhando em unidades de conservação, de tamanhos, formas e localizações diversas, a solução mais viável para a padronização dos levantamentos é a implantação de Estações de Amostragem. Basicamente, as Estações de Amostragem buscam integrar, em um mesmo local, as Unidades Amostrais (UA) dos diferentes grupos de indicadores mínimos.Para mais detalhes, veja o desenho das Estações de Amostragem adotado para o monitoramento nos biomas Amazônia, Mata atlântica e Cerrado. 
 Os programas de monitoramento da Biodiversidade em UCs está dividido em 2 grandes blocos:

Programas de monitoramento em ambientes continentais

Programas de monitoramento em ambientes costeiros e marinhos   

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