O lagarto do gênero Placosoma engloba apenas três espécies encontradas estritamente no Brasil. O Placosoma cipoense (CUNHA, O.R. da, 1966) consiste de um pequeno lagarto endêmico do Estado de Minas Gerais, ameaçado de extinção, raro de ser observado, com comprimento rostro-cloacal não superior a 80mm e cauda mais longa que o corpo. Conhece-se muito pouco sobre a sua biologia. Os poucos exemplares para os quais há informação biológica foram obtidos sob troncos ou em frestas de pedras, em regiões de campos rupestres sem vegetação arbustiva ou próximas a matas de galeria baixas, na região da Serra do Espinhaço (região com abundância de cavernas) e adjacências, entre 900 e1.200 m de altitude. Sua distribuição parece estar associada a regiões elevadas com climas frios, sendo conhecida apenas em Congonhas do Norte e região da Serra do Cipó, no Estado de Minas Gerias.
O gênero Heterodactylus engloba apenas duas espécies também estritas ao Brasil, sendo que o Heterodactylus lundii (REINHARDT & LÜTKEN, 1862) também é endêmico da Serra do Espinhaço, ameaçado de extinção, de comprimento rostro-cloacal não superior a 70 mm, cauda duas vezes mais longa que o corpo. Seus hábitos são subterrâneos, vivendo em roncos, raízes, cupinzeiros, sob pedras ou sob folhedos de paisagens abertas das regiões montanhosas de Minas Gerais. Poucos indivíduos conhecidos foram coletados entre 900 e 1.300 m de altitude. Já o lagarto Rhachisaurus brachylepis (DIXON, 1974) consiste em uma espécie única do gênero recentemente alterado. Também é uma espécie encontrada apenas na Serra do Espinhaço e Serra da Canastra, deficiente de dados, podendo ser localizada no Parna Serra do Cipó e Parna Serra da Canastra.
Em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade Federal de Minas Gerais, pretende-se realizar levantamentos em campo, coleta de tecidos e sangue para análises genéticas, e coleta de indivíduos dessas três espécies em áreas de afloramentos rochosos localizados nas proximidades de mata seca na Serra do Espinhaço, no interior e bordas do Parna Serra do Cipó.
No entanto, durante o período de estiagem no sudeste, as revisões bibliográficas foram acentuadas e o diálogo com os pesquisadores colaboradores se intensificaram. Com isso, obtivemos indícios e dados de que estas espécies têm grande probabilidade de serem encontradas em novas áreas de busca (Serra da Canastra) devido sua fisionomia semelhante a Serra do Espinhaço, o que nos fez incluí-la nas expedições de 2011. A exemplo, nosso pesquisador colaborador Cristiano Nogueira (UnB) coletou dados em campo sobre o Rhachisaurus brachylepis.