RAN - Avaliação do grau de conservação de répteis ameaçados


AVALIAÇÃO DO GRAU DE CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO ENDÊMICOS DAS SERRAS DO ESPINHAÇO E DA CANASTRA, E PARNAS SERRA DO CIPÓ E CANASTRA
RESUMO DO PROJETO:

A Serra do Espinhaço foi considerada pela Unesco em 27 de junho de 2005 a sétima reserva da biosfera brasileira, devido a sua grande diversidade de recursos naturais. Mais da metade das espécies de animais e plantas ameaçados de extinção em Minas Gerais estão nas Cadeias do Espinhaço, especialmente na Serra do Cipó, onde se encontra o maior número de espécies endêmicas da flora brasileira.

O lagarto do gênero Placosoma engloba apenas três espécies encontradas estritamente no Brasil. O Placosoma cipoense (CUNHA, O.R. da, 1966) consiste de um pequeno lagarto endêmico do Estado de Minas Gerais, ameaçado de extinção, raro de ser observado, com comprimento rostro-cloacal não superior a 80mm e cauda mais longa que o corpo. Conhece-se muito pouco sobre a sua biologia. Os poucos exemplares para os quais há informação biológica foram obtidos sob troncos ou em frestas de pedras, em regiões de campos rupestres sem vegetação arbustiva ou próximas a matas de galeria baixas, na região da Serra do Espinhaço (região com abundância de cavernas) e adjacências, entre 900 e1.200 m de altitude. Sua distribuição parece estar associada a regiões elevadas com climas frios, sendo conhecida apenas em Congonhas do Norte e região da Serra do Cipó, no Estado de Minas Gerias.

O gênero Heterodactylus engloba apenas duas espécies também estritas ao Brasil, sendo que o Heterodactylus lundii (REINHARDT & LÜTKEN, 1862) também é endêmico da Serra do Espinhaço, ameaçado de extinção, de comprimento rostro-cloacal não superior a 70 mm, cauda duas vezes mais longa que o corpo. Seus hábitos são subterrâneos, vivendo em roncos, raízes, cupinzeiros, sob pedras ou sob folhedos de paisagens abertas das regiões montanhosas de Minas Gerais. Poucos indivíduos conhecidos foram coletados entre 900 e 1.300 m de altitude. Já o lagarto Rhachisaurus brachylepis (DIXON, 1974) consiste em uma espécie única do gênero recentemente alterado. Também é uma espécie encontrada apenas na Serra do Espinhaço e Serra da Canastra, deficiente de dados, podendo ser localizada no Parna Serra do Cipó e Parna Serra da Canastra.

Em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade Federal de Minas Gerais, pretende-se realizar levantamentos em campo, coleta de tecidos e sangue para análises genéticas, e coleta de indivíduos dessas três espécies em áreas de afloramentos rochosos localizados nas proximidades de mata seca na Serra do Espinhaço, no interior e bordas do Parna Serra do Cipó.

Como continuação do projeto, pretende-se também extender as ações na Serra da Canastra e PARNA Serra da Canastra, visto que a fisionomia desta região contém grandes indícios e probabilidade de encontro das espécies a serem estudadas, principalmente quando se refere ao Rhachisaurus brachylepis. Portanto, a importância de estudos continuados e o aumento do esforço amostral, com o intuito de obter dados mais robustos e revisar a categoria que estas espécies estão inseridas na Lista Oficial Brasileira.

RESULTADOS JÁ ALCANÇADOS:
Tais espécies a serem estudadas são sazonais, ou seja, seu período de reprodução, forrageamento intensivo e aumento demográfico, ocorrem em períodos anuais específicos. No caso destes squamata, este período coincide com o período chuvoso da região sudeste. A primeira expedição a campo para coleta de dados, estava marcada para abril de 2010. Contudo, devido a sobrecarga da UAAF goiânia na aquisição do material de campo, perdemos a primeira janela sazonal e o esforço amostral será dobrado no período chuvoso de 2010.

No entanto, durante o período de estiagem no sudeste, as revisões bibliográficas foram acentuadas e o diálogo com os pesquisadores colaboradores se intensificaram. Com isso, obtivemos indícios e dados de que estas espécies têm grande probabilidade de serem encontradas em novas áreas de busca (Serra da Canastra) devido sua fisionomia semelhante a Serra do Espinhaço, o que nos fez incluí-la nas expedições de 2011. A exemplo, nosso pesquisador colaborador Cristiano Nogueira (UnB) coletou dados em campo sobre o Rhachisaurus brachylepis.

Também percebemos que a situação do Placosoma cipoense pode ser mais grave do que nos aparentava, já que não há registros de novas descobertas nos últimos 50 anos na Serra do Espinhaço. Este fato nos obriga a intensificar novas expedições a campo, com o intuito de obter dados mais robustos e revisar a categoria que esta espécie está inserida na Lista Oficial Brasileira. Tais dados também irão compor os subsídios necessários a elaboração futura de um PAN para os squamata ameaçados de extinção endêmicos da Serra do Espinhaço e Serra da Canastra em atendimento a meta acordada para Convenção da Diversidade Biológica (CDB) até 2014.

COORDENADOR DO PROJETO:
Hugo Bonfim de Arruda Pinto
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(62) 3901-1997
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