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Descoberta nova espécie de borboleta em Flona do Rio Grande do Sul

Publicado: Quinta, 09 de Fevereiro de 2012, 17h55

O nome Prenda clarissa é uma homenagem ao escritor gaúcho Érico Veríssimo

Brasília (09/02/2012) – Uma nova espécie de borboleta foi descoberta na Floresta Nacional (Flona) de São Francisco de Paula, unidade de conservação federal gerida pelo Instituto Chico Mendes no Rio Grande do Sul. O nome – Prenda clarissa – é uma homenagem ao escritor gaúcho Erico Veríssimo. A descoberta é do pesquisador doutor em Biologia Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2003) Cristiano Agra Iserhard.

A borboleta possui quarto centímetros de asa a asa, sendo estas mais arredondadas que as das outras espécies do mesmo grupo. Na parte de cima, ela é toda marron. Os ocelos (marcas em forma de pequenos olhos) ficam na parte de baixo das asas e possuem número e distribuição bem característica. Um artigo na Neotropical Entomology, revista da Sociedade Entomológica do Brasil, faz o anúncio da descoberta.

O histórico de registros na Flona ultrapassa 15 mil indivíduos, distribuídos em 300 espécies pertencentes a seis famílias de borboletas. Dentre elas, 13 são novos registros para o Rio Grande do Sul e 139 para a floresta ombrófila mista e campos de cima da serra, ecossistemas predominantes na unidade.

Pelo menos três espécies novas foram descobertas, uma delas ainda em processo de descrição. Entre os registros, estão espécies raras, endêmicas e indicadoras de ambientes merecedores de atenção especial para a conservação.

Os resultados são frutos do trabalho de um grupo de pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Insetos do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), que estudou detalhadamente  três espécies que estavam sendo descritas com exemplares coletados na floresta.

O pesquisador doutor em Biologia Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2003) Cristiano Agra Iserhard, a pesquisadora e mestre em Biologia Animal pela UFRS Marina Todeschini de Quadros e a bióloga Jessie Pereira dos Santos trabalharam na estrutura, distribuição e composição de borboletas em diferentes formações na Mata Atlântica do Rio Grande do Sul.

FLONA – Considerada um dos maiores remanescentes de Floresta Atlântica brasileira, a Flona de São Francisco de Paula protege formações de Floresta Ombrófila Mista e Campos de Cima da Serra.

Os primeiros registros feitos por pesquisadores datam de 1958/1959 quando foram feitas as primeiras coletas na Estação Florestal dos Morrinhos, administrada pelo Instituto Nacional do Pinho. Tais exemplares inclusive estão tomabdos e integram a Coleção de Lepidoptera do Departamento de Zoologia da UFRS.

Em 1999 tais insetos voltaram a ser estudados já na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, com maior ênfase nos últimos cinco anos. O objetivo das pesquisas que vêm sendo realizadas na Unidade é reunir o máximo de dados sobre a ocorrência e distribuição de borboletas formando um panorama o mias completo possível sobre a diversidade de espécies na floresta ombrófila mista e campos de cima da serra.

ESPÉCIES DESCOBERTAS – Dismorphia melia e Dismorphia crisia – ambas da família Pieridae e Hyallena pascua – da família Nynphalida são consideradas indicadoras de ambientes bem preservados.

A primeira foi registrada 26 vezes e a segunda seis vezes e estavam associadas tanto a trilhas com reflorestamento de araucárias quanto à mata nativa. A terceira foi registrada uma única vez no interior de uma trilha de mata de reflorestamento de araucária, sendo mais comum em matas primárias e secundárias entre 800 e 1700 metros de altitude.

Weymer (1894) registrou um único exemplar de Brevianta celelata. Desde então, esta espécie não havia sido mais registrada no Rio Grande do Sul. Ela foi reencontrada após mais de cem anos na Flona São Francisdo de Paula.

A espécie Dynastor napoleon, da família Nynphalidae e pertencente a guilda de borboletas frugívoras, teve um registro em 1959 sendo novamente registrada em 2010, após mais de 50 anos. Ela é associada a ambientes de altitude elevada e indicadora de que os ambientes estão preservados. Esta espécie consta no Livro Vermelho de Espécies Ameaçadas de extinção do Rio de Janeiro.

Créditos da imagem: Blogspot Borboletas BR/João Ângelo

Comunicação ICMBio
(61) 3341-9280

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