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Espécie ameaçada, onça-pintada é tema de pesquisa

Publicado: Quinta, 16 de Março de 2017, 18h09
Estudos analisam perda de habitat e padrões de deslocamento da espécie 
Padrão de movimento da onça-pintada varia de acordo com o bioma (Foto: Daniel Kantek)

Nana Brasil
ascomchicomendes@icmbio.gov.br

Brasília (16/03/17) – Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) está presente em cinco biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal). Animal de hábitos solitários e mordida potente, a Panthera onca é classificada como ameaçada de extinção, despertando o interesse de cientistas e pesquisadores.

Nesse contexto, visando à redução da sua vulnerabilidade e à expansão do conhecimento voltado para sua conservação, a espécie conta com o Plano de Ação Nacional para Conservação da Onça-pintada (PAN Onça-pintada) – iniciativa liderada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio). O plano tem como objetivos principais promover a proteção dos habitats e diminuir a remoção de indivíduos da natureza em decorrência da caça. Clique aqui e saiba mais sobre o PAN Onça-pintada.

Mata Atlântica: apenas 300 indivíduos restantes

Nos esforços pela preservação da espécie, destacam-se os estudos do analista ambiental e coordenador do Cenap/ICMBio, Ronaldo Morato. Em pesquisa focada na Mata Atlântica, Morato chama atenção para o fato de que restam somente cerca de 300 onças-pintadas nesse bioma. A maior razão para um quadro tão preocupante é a perda de habitat: apenas 7% da Mata Atlântica original ainda sobrevive atualmente.

Além disso, o pouco que sobrou é composto por áreas muito fragmentadas. “Por conta da fragmentação, os animais acabam se movimentando mais para buscar lugares onde possam encontrar segurança, alimento e parceiros para reprodução”, explica o pesquisador. Percorrendo áreas maiores do que suas congêneres do Pantanal ou da Amazônia, por exemplo, as onças da Mata Atlântica também correm mais riscos, que incluem desde atropelamentos até a caça predatória.

Publicado na Scientific Reports, da Nature, o artigo resultante dessa pesquisa (A biodiversity hotspot losing its top predator: The challenge of jaguar conservation in the Atlantic Forest of South America) pode ser lido aqui.

Padrões de deslocamento

Em outro trabalho, publicado na revista Plos One, Ronaldo Morato se une a mais 30 pesquisadores para ampliar o horizonte da pesquisa anterior, analisando os padrões de deslocamento da onça-pintada nos cinco biomas onde a espécie está presente. Realizado entre 1998 e 2016, esse estudo envolveu o monitoramento de 44 indivíduos que haviam sido previamente capturados para colocação de colares com localizador por satélite (GPS).

Utilizando técnicas de pesquisa muito modernas, os estudiosos obtiveram resultados bastante refinados. De acordo com Morato, além das informações enviadas por GPS a cada hora, foi aplicado um novo método matemático que permitiu uma interdependência entre os dados coletados e possibilitou análises mais precisas. O total de registros somou 81 mil localizações, maior número já alcançado no estudo de onças.

“Comparamos o padrão de movimento das onças-pintadas nos diferentes biomas e concluímos que os deslocamentos são maiores na Mata Atlântica, justamente devido à fragmentação do habitat”, pontua. No outro extremo, o Pantanal foi o que apresentou a menor “área de vida” (espaço que o animal precisa para suprir todas as suas necessidades de sobrevivência – alimento, água, parceiros, segurança para os filhotes, etc), com um total de 36 km². “Isso se deve ao fato de que nesse bioma as onças-pintadas conseguem encontrar todos os elementos necessários para sua sobrevivência em um espaço menor”, conclui o pesquisador.

Clique aqui e confira o artigo Space Use and Movement of a Neotropical Top Predator: The Endangered Jaguar, veiculado na Plos One.

Comunicação ICMBio
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