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Brasil fortalece acordo sobre espécies migratórias

Publicado: Segunda, 11 de Setembro de 2017, 17h10
Reunião na Nova Zelândia do grupo de trabalho de Populações e Estado de Conservação, do Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis, teve a participação do ICMBio, por meio do Cemave

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Brasília (11/09/2017) - O grupo de trabalho de Populações e Estado de Conservação (PaCSWG4), do Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (Acap), promoveu, na semana passada, entre os dias 7 e 8, em Wellington, na Nova Zelândia, sua quarta reunião. Durante os dois dias, que contaram com a presença do Brasil por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) e do Projeto Albatroz, foram discutidas questões sobre o que vem acontecendo no mundo com essas aves presentes em todos os oceanos do planeta, suas tendências populacionais, bem como atualizações sobre estado atual das ameaças às populações e efetividade das ações de conservação.

O encontro, que promoveu troca de experiências e viabilizou decisão sobre os próximos passos do Acordo, ocorre depois de uma reunião que teve duração de três dias de seu grupo “irmão” que trata da Captura Incidental de Albatrozes e Petréis na Pesca (SBWG8). As deliberações dos dois grupos de trabalho serão reportadas na próxima reunião do Grupo Assessor do Acap em sua décima reunião, que ocorrerá ao longo desta semana (AC10). Mais detalhes podem ser encontrados no endereço do Acap na internet.

O ICMBio faz parte oficialmente desse Grupo de Trabalho desde maio do ano passado através de sua representação técnica do Cemave. Na reunião do PaCSWG/Acap, o Centro desempenhou função-chave no Acordo, trazendo informações do Brasil sobre as suas espécies migratórias de albatrozes e petréis, como também atuando na vice-coordenação do grupo, além de participar da condução e relatoria da reunião. As ações do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Albatrozes e Petréis são convergentes com as estratégias e ações do Acap e a aproximação cada vez maior com os países com os quais o ICMBio compartilha fases do ciclo anual dessas aves migratórias fortalece as partes.

Os albatrozes estão entre as aves voadoras de maior dimensão, podendo chegar a uma envergadura de asas de 3,6 metros. Os petréis são aves de pequeno e médio porte, com menos de um metro de envergadura de asas. São considerados o grupo de aves mais ameaçado e as aves marinhas mais oceânicas, raramente se aproximando da terra, exceto para reprodução. Possuem comportamento colonial, nidificando normalmente em ilhas oceânicas remotas, muitas vezes nas quais diversas espécies instalam seus ninhos próximos uns aos outros.

Diversas espécies realizam amplos movimentos migratórios e longas viagens de alimentação que cobrem milhares de quilômetros, podendo, por exemplo, circundar o continente antártico. Além disso, são aves de impressionante longevidade. Um albatroz de nome “Wisdom” é reconhecido como a ave em ambiente natural mais velha do mundo, tendo sido anilhada em 1956.

No Brasil, há apenas duas espécies de petréis residentes, ou seja, que se reproduzem em território brasileiro. As demais espécies são os albatrozes e petréis visitantes que, apesar de não se reproduzirem no Brasil, frequentam a costa brasileira vindo de ilhas distantes para aqui se alimentarem durante longos períodos, todos os anos. Essas espécies interagem fortemente com barcos de pesca oceânica perseguindo as embarcações na tentativa de obter alimento, tanto aqueles advindos do rejeito da pesca quanto aqueles utilizados como iscas pelos pescadores. Ao tentar retirar as iscas dos anzóis, muitas vezes são capturadas incidentalmente e arrastadas para o fundo do mar morrendo afogadas.

A grande capacidade de deslocamento e a ampla área de distribuição destes Procellariiformes implicam que as atividades pesqueiras no Brasil interfiram nas populações que se reproduzem na Antártica, ilhas subantárticas, ilhas do Atlântico Sul e também nas populações que se reproduzem nas ilhas da Nova Zelândia a Austrália. Os índices de mortalidade são elevados e as ações previstas no Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis visam reduzir essa mortalidade.

Além disso, os petréis residentes sofrem também com a degradação das ilhas, áreas de reprodução, através da introdução de espécies exóticas pelo homem, como as cabras, que suprimiram a vegetação natural das ilhas. Outras espécies como ratos, gatos, cães e outros predam ovos, ninhos e filhotes. A introdução de espécies exóticas nos locais de reprodução é um dos maiores problemas para considerável parcela das aves marinhas ameaçadas de extinção em todo o mundo.

Comunicação ICMBio – (61) 2028-9280 – com informações de Patrícia Serafini, do Cemave
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