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Boqueirão da Onça poderá ter mosaicos de UCs

Publicado: Terça, 06 de Março de 2018, 17h18
A proposta é de transformar cerca de 850 mil hectares com os últimos remanescentes de área contínua do bioma Caatinga em um mosaico de unidades de conservação (UCs).

Boqueirao Onca Rogerio Cunha de Paula ICMBio5 86417O Ministério do Meio Ambiente (MMA) já entregou à Casa Civil da Presidência da República a proposta de transformar cerca de 850 mil hectares com os últimos remanescentes de área contínua do bioma Caatinga em um mosaico de unidades de conservação (UCs). O mosaico abrange os municípios de Sento Sé, Campo Formoso, Sobradinho, Juazeiro e Umburanas, todos na região do semiárido baiano.

A proposta, elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), para a área conhecida como Boqueirão da Onça combina um Parque Nacional, com 345,3 mil hectares para proteção integral da biodiversidade, e uma Área de Proteção Ambiental (APA), com 505,6 mil hectares, categoria que permite o uso sustentável dos recursos naturais. O ICMBio, o MMA e o WWF-Brasil elaboraram um hotsite para se conhecer mais da área.

Riqueza Biológica
O Boqueirão da Onça é uma extensa área do sertão da Bahia caracterizada por desfiladeiros, cavernas e ecossistemas que abrigam riquíssima biodiversidade, cavernas com inscrições rupestres milenares e populações tradicionais. No local, podem ser encontradas diversas espécies ameaçadas de extinção. Entre os representantes da fauna estão o tamanduá-bandeira, o tatu-bola, o gato-mourisco e o gato-do-mato. Maior felino das Américas, a onça-pintada tem na região um de seus principais refúgios em área natural.

Aves em risco de extinção também habitam esse trecho do sertão baiano, como a arara-azul-de-lear e o jacu estalo, além de uma variedade de aves que, embora não estejam ameaçadas, encontram abrigo na Caatinga. Répteis, anfíbios e insetos – ainda por serem estudados – completam o quadro da fauna selvagem do Boqueirão. A flora nativa não é menos diversa. “Trata-se da última grande área selvagem de todas as caatingas do Nordeste brasileiro”, destaca o pesquisador José Alves Siqueira, doutor em biologia vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autor do livro Flora das Caatingas do Rio São Francisco: história natural e conservação.

Recursos hídricos e populações tradicionais
O Boqueirão também cumpre relevante papel na segurança hídrica da região. Importantes nascentes localizadas nos planos mais altos irrigam o solo seco do sertão,garantindo condições de vida para comunidades urbanas e rurais. Algumas dessas nascentes foram incluídas nos limites do futuro Parque Nacional.

A região tem, ainda, forte traço de ocupação pelas populações tradicionais. Inscrições rupestres em vários sítios localizados no Boqueirão indicam que a presença humana ali pode ter milhares de anos. Modernamente, a região vem sendo ocupada de modo tradicional por quilombolas e comunidades de fundo de pasto. Esses grupos situam-se no que será a futura Área de Proteção Ambiental. Segundo o MMA, a presença das populações tradicionais foi determinante na elaboração do desenho do mosaico, resguardando potencialidades que poderão ser incorporados em um processo de desenvolvimento local, como o ecoturismo.

Fica na futura APA, por exemplo, a Toca da Boa Vista, maior caverna brasileira, com 97,3 km de extensão. Ela se interliga com a Toca da Barriguda (28,6 km), formando um complexo único e tornando- se a maior caverna do Hemisfério Sul, com mais de 120 quilômetros já explorados. Isso faz da região um pólo para o desenvolvimento do turismo e das pesquisas cientificas.

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Com informações do WWF-Brasil



Comunicação ICMBio

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