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Tartaruga bate recorde de fidelidade reprodutiva

Publicado: Quarta, 04 de Fevereiro de 2015, 13h27

A fêmea foi marcada pela primeira vez em 1982

© Todos os direitos reservados. Foto: Projeto Tamar

Nana Brasil
nana.nascimento@icmbio.gov.br

Brasília (04/02/2014) – Há 32 anos, uma fêmea de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) retorna à praia de Comboios (ES), para desovar. Esta tartaruga atingiu o maior tempo de fidelidade reprodutiva já registrado pelo Projeto Tamar. Marcada pela primeira vez em 1982, esta fêmea foi flagrada em Comboios nos anos de 1993, 1995, 1997 e 2004, tendo sido vista pela última vez em dezembro de 2014.

Os 32 anos de fidelidade ao local de desova ultrapassam o recorde de 25 anos de outra tartaruga-cabeçuda, identificada na praia de Povoação, também no Espírito Santo, em dezembro de 2013. No mundo, o maior tempo de fidelidade reprodutiva já observado é de uma tartaruga-verde (Chelonia mydas), com 38 anos de desovas em uma praia no Havaí, nos Estados Unidos.

Monitoramento
O biólogo Jonathas Barreto trabalha com tartarugas marinhas há quase uma década e foi o responsável pela identificação da recordista em dezembro de 2014. Ele explica que as desovas ocorrem em intervalos de dois a quatro anos, sempre na praia onde as fêmeas nasceram. "O mecanismo que permite que isso aconteça é chamado de orientação magnética. As tartarugas marinhas possuem cristais de magnetismo no cérebro, que fazem com que elas registrem o local do nascimento e consigam se localizar geograficamente, voltando sempre à mesma região", esclarece Jonathas.

O período de desova ocorre entre os meses de outubro e janeiro, quando a equipe de biólogos do Tamar se divide em duplas para realizar o monitoramento noturno das tartarugas. "Percorremos toda a praia de Comboios, com seus 37 km de extensão. As fêmeas recebem duas marcas metálicas com números individuais de identificação e seus ninhos são protegidos e monitorados até o nascimento", conta o biólogo. Ao todo, 1.057 fêmeas foram marcadas em Comboios entre 1982 e 2014.

Ainda segundo Jonathas Barreto, as tartarugas colocam em média 120 ovos a cada postura. "Normalmente utilizamos telas para proteger os ninhos, mas quando há ameaça de ação humana ou risco de erosão, nós transferimos os ovos", ressalta. Para ele, contudo, as grandes ameaças atuais para a preservação das tartarugas marinhas não são mais a coleta de ovos e o abate de fêmeas, como ocorria no passado, e sim a poluição por resíduos sólidos, a captura acidental na pesca, a ocupação de zonas costeiras e a iluminação artificial nas praias, que inibe a desova.

Sobre a tartaruga-cabeçuda
Uma das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no país, a tartaruga-cabeçuda é a que mais realiza desovas no litoral brasileiro, tendo as praias do norte do Espírito Santo entre seus locais preferidos. A espécie apresenta ciclo de vida longo, com maturação sexual entre 25 e 35 anos. Altamente migratórias, as fêmeas saem das áreas de alimentação e descanso para as áreas de reprodução, em deslocamentos que podem chegar a mais de 1500 km. Saiba mais sobre a espécie

Sobre o Projeto Tamar
Criado há 35 anos, o Projeto Tamar é uma cooperação entre o Centro Tamar/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Pró-Tamar. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).
O Projeto Tamar protege cerca de 1.100 km de praias e está presente em 25 localidades, incluindo áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas. Reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha do mundo, seu trabalho socioambiental, desenvolvido com as comunidades costeiras, serve de modelo para outros países.
Visite o site do projeto.

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