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ARARINHA-AZUL: RECUPERAÇÃO DA ESPÉCIE É UM DESAFIO

Publicado: Quinta, 19 de Março de 2015, 14h09

Existem apenas 93 animais, todos em cativeiro

Existem apenas 93 animais, todos em cativeiro

© Todos os direitos reservados. Fotos: João Freire

João Freire
joao.freire@icmbio.gov.br

Cananéia (19/03/2015) – Depois de duas semanas em isolamento, Carla e Tiago, as ararinhas-azuis que chegaram ao Brasil no início do mês, foram liberadas da Estação Quarentenária de Cananéia (EQC), do Ministério da Agricultura (Mapa) nesta quarta-feira (18). A quarentena é um procedimento de biossegurança obrigatório para todas as aves que chegam ao Brasil, para evitar a entrada de doenças no país, como a gripe aviária, por exemplo.

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"As aves ficam isoladas e passam por acompanhamento clínico e testes laboratoriais. As doenças que nós testamos deram negativo, o que permite a nacionalização das ararinhas, tranquilamente", explica o chefe da EQC, Odemilson Donizete Mossero.

"As ararinhas estão se adaptando à nova alimentação, ganharam peso depois que chegaram ao Brasil e estão bem", avalia a veterinária do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio), Camile Lugarini. De Cananéia (SP), Carla e Tiago foram levados por uma equipe do ICMBio para o Criatório Nest, parceiro do ICMBio, onde estão as outras nove ararinhas-azuis que vivem no país. A espécie é considerada extinta na natureza e existem apenas 93 animais em cativeiro, no Brasil, Alemanha e Catár.

Saiba mais sobre as ararinhas-azuis.

Carla e Tiago, hoje com onze meses de vida, são irmãos. Nos próximos meses, serão escolhidos parceiros com compatibilidade genética para que eles possam gerar filhotes, quando entrarem na fase adulta, em três anos. Com o aumento da população, a espécie deverá ser reintroduzida na natureza, em 2021. "Temos registrado o nascimento de cinco filhotes por ano. Esta taxa pode aumentar porque agora estamos trabalhando com inseminação artificial. A gente está conseguindo realizar muito do que foi planejado, apesar dos desafios", explica Lugarini.

Estas ações fazem parte do Projeto Ararinha na Natureza, coordenado pelo ICMBio. O Projeto conta com parceiros governamentais e não-governamentais de vários países.

Desafios para a recuperação

"O fato de os esforços de conservação da ararinha-azul terem iniciado quando a espécie já estava praticamente extinta, torna muito difícil o trabalho para sua recuperação. As ações realizadas pelo ICMBio e pelos parceiros para reintroduzir as ararinhas-azuis na natureza precisam superar barreiras quase intransponíveis, como a baixa diversidade genética entre os animais em cativeiro", afirma o diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Marcelo Marcelino.

Para o presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, o sucesso da reintrodução da espécie depende ainda de outros fatores: "a criação de uma Unidade de Conservação (UC) na região de origem das ararinhas e a mobilização das comunidades locais, através do programa Bolsa Verde e de ações de educação ambiental", afirma.

O trabalho para a recuperação de espécies requer estrutura complexa e uma equipe de profissionais especializados: geneticistas, veterinários, biólogos, entre outros. "Tudo isto associado a um alto custo de investimento. O ideal, sem dúvida, é trabalhar a conservação das espécies antes que cheguem a uma condição tão crítica, quando a recuperação torna-se muito mais complexa", alerta Marcelino.

Espécies ameaçadas

De acordo com a Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção (2014), das 12.256 espécies analisadas (incluindo peixes e invertebrados aquáticos), 1.173 espécies estão ameaçadas de extinção, no Brasil. "O ICMBio está fazendo a sua parte, coordenando mais de 50 Planos de Ação Nacionais (PAN) para a conservação, que contemplam cerca de 540 espécies ameaçadas. Mesmo assim, o papel da sociedade é de extrema relevância, sobretudo para aquelas espécies ameaçadas pela caça e pelo tráfico ilegal, como a ararinha-azul. Se as pessoas não caçarem, não comprarem e denunciarem o tráfico ilegal de animais silvestres, seguramente teremos um número menor de espécies em risco de extinção no Brasil", conclui Marcelino.

Projeto Ararinha na Natureza

O Projeto Ararinha na Natureza, coordenado pelo Cemave, faz parte da implementação do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul, consolidado em 2011 pelo ICMBio. Além dos criadouros – Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha; Al-Wabra Wildlife Preservation, no Catar; Nest e Fundação Lymington, no Brasil –, que trabalham para garantir a reprodução da espécie em cativeiro, o projeto conta com a parceria da Vale e de organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, como o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil).

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