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Araras repatriadas de Portugal chegam nesta quarta

Publicado: Terça, 17 de Novembro de 2015, 19h51
As duas aves foram apreendidas com um austríaco que iria vendê-las


As duas aves foram apreendidas com um austríaco que iria vendê-las

Foto: Divulgação/Autoridade Cites de PortugalBrasília (17/11/2015) – Dois filhotes de araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) chegam ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, nesta quarta-feira (18). As aves foram apreendidas no início deste ano em Portugal, com apenas três meses de vida, em poder de um austríaco que iria vendê-las ilegalmente. A repatriação foi acertada entre gestores brasileiros e portugueses.

Na natureza, a arara-azul-de-lear só existe em território brasileiro, mais especificamente no nordeste do estado da Bahia. A ave corre risco de extinção e está listada no Anexo I da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites).

Do aeroporto de Guarulhos, as araras seguem para o quarentenário oficial do Ministério da Agricultura, na cidade de Cananéia, interior paulista, onde permanecerão por 15 dias e serão submetidas a exames veterinários e laboratoriais. Após esse período, serão levadas a um criadouro científico, participante do programa de cativeiro da espécie, onde integrarão o plantel reprodutivo.

Articulação

O retorno das aves foi articulado por técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que integram o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No começo deste ano, a autoridade Cites portuguesa comunicou a apreensão das aves ao governo brasileiro, dando início ao processo de repatriação. "Possivelmente, as aves saíram do Brasil ainda dentro do ovo, em janeiro de 2015", calcula a veterinária Camile Lugarini, analista ambiental do Cemave/ICMBio.

Segundo ela, o ICMBio mantém o Plano de Ação Nacional de Conservação da Arara-Azul-de-Lear, que prevê, entre outras ações, o programa de cativeiro para a espécie, coordenado pelo Cemave. A meta, diz Lugarini, é ter 26 casais capazes de produzir filhotes e promover sua reintrodução na natureza, especialmente na área do Boqueirão da Onça (BA), onde já vivem dois indivíduos da espécie em uma população isolada.

Distribuição e ameaças

A arara-azul-de-lear é uma espécie endêmica (só existe no local) da Caatinga, na parte nordeste do estado da Bahia. Sua área de distribuição histórica, que só foi confirmada em 1978,  inclui os municípios de Campo Formoso, Euclides da Cunha, Uauá, Jeremoabo, Canudos, Sento Sé e Paulo Afonso.

Inicialmente, acreditava-se que existiam apenas 20 indivíduos vivos na Caatinga baiana. Posteriormente, foram encontradas mais localidades de reprodução e dormitório. Hoje, estima-se que há cerca de 1.320 animais na natureza da região, sob os cuidados e vigilância da equipe do Cemave/ICMBio e de seus parceiros, que atuam na conservação da espécie há cerca de 15 anos.

O analista ambiental Samuel Fernando Schwaida, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), lembra que, além de estar incluída no Anexo I da Cites, a espécie integra, também, a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (MMA, 2014), na categoria "Em Perigo" (EN).

Segundo Samuel Schwaida, as principais ameaças à população da arara-azul-de-lear são a captura de indivíduos para abastecer o comércio ilegal de animais silvestres, devido ao elevado valor por ser um espécime raro; a perda de habitat; e a caça. A espécie se alimenta principalmente dos frutos das palmeiras licuri e baraúna, além de pinhão, umbu, mucunã, flor-de-sisal e milho verde.

Reunião 

Na sexta-feira (20), representantes da Autoridade Administrativa Cites portuguesa se reunirão em Brasília com gestores do MMA, ICMBio e Ibama, para tratar, dentre outros assuntos, do estabelecimento de um acordo de cooperação que facilite os trâmites de repatriação de espécimes apreendidos.

O objetivo é desburocratizar os processos de repatriação da fauna ameaçada que chega a Portugal e estabelecer mecanismos para, em conjunto, combater o tráfico de animais silvestres.

Os especialistas do setor ambiental consideram a Cites um dos acordos ambientais mais importantes para preservação das espécies ameaçadas pelo comércio internacional. Atualmente, a Convenção possui 181 países signatários.

Regulamentação

A Cites é responsável por regulamentar a exportação, importação e reexportação de animais e plantas, suas partes e derivados, através de um sistema de emissão de licenças e certificados, que são expedidos se atendidos os requisitos da Convenção aplicados às espécies constantes dos seus Anexos.

Cada país possui uma Autoridade Administrativa, responsável pela concessão das licenças, e uma Autoridade Científica, responsável por fornecer subsídios técnicos com relação aos impactos do comércio internacional sobre a conservação das espécies. No Brasil, o Ibama exerce o papel de Autoridade Administrativa, e o ICMBio, o de Autoridade Científica.

A Cites tem três anexos: I) referente a espécies ameaçadas de extinção, cujo comércio internacional é proibido; II) referente a espécies não necessariamente ameaçadas de extinção, mas cujo comércio internacional é controlado, a fim de se evitar a exploração insustentável; e III) referente a espécies cujo comércio internacional é permitido, mas regulamentado a pedido de um país, contando com a cooperação das outras partes signatárias.

Comunicação ICMBio – (61) 2028-9280 – com Ascom MMA (Luciene de Assis)
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