Editorial

Marcelo Marcelino de Oliveira

Resumo


A revista Biodiversidade Brasileira surge como uma resposta brilhante a uma necessidade do processo de organização interna do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Uma resposta, porém, que não se limita à demanda original e expande a sua aplicação para um universo de possibilidades que potencializam os resultados institucionais.
A revista veio como um mecanismo inteligente de validação de informações no âmbito processo de avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira, missão atribuída ao Instituto Chico Mendes pelo Ministério do Meio Ambiente para tornar-se um processo contínuo e amplo o suficiente para abranger o maior número possível das espécies. A idéia da revista instantaneamente franqueou a possibilidade de tornar disponível, de forma rápida e transparente, os resultados científicos da avaliação, garantindo no bojo do próprio processo a autoria das informações cedidas ou produzidas pelos pesquisadores, que voluntariamente engajaram-se nesse esforço. Iniciativa que ainda não encontra similar no contexto mundial do processo de elaboração da lista vermelha das espécies ameaçadas.
Mais importante até, a revista representa uma ampliação natural do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, pois apresentará um retrato do estado da conservação da fauna brasileira conforme os resultados do processo de avaliação, espécie a espécie, independente de pertencer ou não a uma lista oficial de animais em risco de extinção, permitindo a todos conhecer e criticar as informações que levaram uma espécie a ser considerada ameaçada ou não. O valor dessa informação é inestimável para quem tenha interesse em aplicá-la: pesquisadores, estudantes, ambientalistas, autoridades públicas, sociedade civil, empreendedores.
O número de lançamento é emblemático. Apresenta os resultados da avaliação do estado de conservação das tartarugas marinhas, espécies que se tornaram símbolo da conservação no Brasil. Nada mais apropriado do que inaugurar o que sem dúvida será um novo marco para a conservação no país, apresentando os resultados de um esforço que se tornou uma referência para toda uma geração de brasileiros quando se fala na conservação de espécies, e que em 2010 completou 30 anos de trabalho ininterrupto ao longo da costa brasileira.
Biodiversidade Brasileira, porém, vai mais longe: abre a oportunidade para publicação de trabalhos que tratarão de temas complexos, instigantes, relacionados à conservação da biodiversidade, reunidos na forma de números temáticos, de modo a abrigar diversas perspectivas e constituir espaço para debate e construção do conhecimento. Mais ainda, abre a possibilidade do Instituto Chico Mendes fazer uso de uma engenharia eficaz para reunir, ordenar e transformar em produtos qualificados de informação, as diversas experiências em gestão ambiental geradas continuamente nos mais diversos cantos desse país, mas que, via de regra, não são transmitidas.

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