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1º Prêmio Nacional de Espeleologia

Destaques

Relatório Anual do Cecav 2020

O Cecav publicou nesta sexta feira, 05, seu relatório de atividades, referente ao ano de 2020. Confira.

Cecav relança a EspeleoInfo

Revista digital traz informações sobre as riquezas, descobertas e ações em prol da conservação das cavernas brasileiras

Anuário espeleológico brasileiro 2020

Documento técnico com os dados estatísticos do patrimônio espeleológico brasileiro.


 
 
 

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Projetos de estudo sobre o patrimônio espeleológico ganham financiamento

Iniciativa atende ao Termo de Compromisso de Compensação Espeleológica (TCCE) nº01/2021, firmado entre o Cecav e a Margem Mineração.

Brasília, 08 de outubro de 2021.

Cinco projetos de estudo e pesquisa sobre o patrimônio espeleológico do Supergrupo Açungui foram selecionados e serão financiados, a partir de novembro de 2021. A iniciativa atende ao Termo de Compromisso de Compensação Espeleológica (TCCE) nº01/2021, firmado entre o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio) e a Margem Mineração.

O edital para a seleção foi divulgado no dia 23 de junho, com validade até o dia 30 de julho. Por meio do documento, oito propostas foram recebidas e submetidas à análise técnica de dois pareceristas externos.

Conheça os cinco projetos selecionados e suas respectivas instituições executoras:

 

1. Manutenção da estrutura dos microhabitats no piso de cavernas turísticas como uma ferramenta de conservação e manejo da fauna de invertebrados

Centro de Estudos em Biologia Subterrânea – CEBS / UFLA

 

2. Análise de uso público e fatores de pressão sobre a gruta da Lancinha, como subsídios ao manejo adequado do Monumento Natural

Grupo Espeleológico do Paraná – GEEP-Açungui

 

3. A Gruta dos Paiva e seu entorno (Parque Estadual Intervales) – a importância de estudos básicos para implementação de estratégias de conservação e manejo

Instituto Brasileiro de Estudos Subterrâneos – IBES/UFSCAR

 

4. Cavernas como modelo para análise de mudanças climáticas: a importância de estudos básicos para implementação de estratégias de conservação

Instituto Brasileiro de Estudos Subterrâneos – IBES/UFSCAR

 

5. Registro sedimentar clásticos em cavernas no sistema cárstico do supergrupo Açungui para compreensão das variações paleoambientais

Universidade de Brasília – UnB

O TCCE tem como objetivo direcionar recursos financeiros de compensação ambiental para a proteção do patrimônio espeleológico nacional. Dentre os compromissos estabelecidos estão a execução de seis projetos de estudos de cavernas, sendo os cinco supramencionados e o sexto denominado "EspeleoPiraí: patrimônio espeleológico arenítico da Escarpa Devoniana em Piraí da Serra/PR" executado pelo GUPE – Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas.

O Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais é o gestor administrativo-financeiro de todos os seis projetos, auxiliando as instituições proponentes no desenvolvimento técnico e sendo responsável por supervisionar e monitorar a plena execução dos compromissos do TCCE assumidos pela Margem Mineração junto Cecav.


Incrições para o I prêmio nacional de espeleologia michel le bret vão até final de outubro
Estudantes, pesquisadores e espeleólogos poderão se inscrever, até o dia 31/10, ao I Prêmio Nacional de Espeleologia Michel Le Bret, uma iniciativa do Cecav, em parceria com a Sociedade Brasileira de Espeleologia(SBE).
 
 
Brasília, 04 de outubro de 2021.
 
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Divido nas categorias: ampla concorrência, pós-graduando, e jovem espeleólogo e seção técnica, a premiação, que acontecerá em 21/04/2022, no 36º Congresso Brasileiro de Espeleologia (CBE), dará aos vencedores o direito de terem seus artigos científicos publicados na Revista Brasileira de Espeleologia (RBEsp) ou na Espeleo- Tema, além de uma quantia paga em dinheiro.

Michel Le Bret

Nascido na França, o espeleólogo Michel Le Bret foi responsável por importantes trabalhos na área da espeleologia em seu país de origem, entre elas estão os avanços na exploração e mapeamento, técnicas verticais, mergulho em cavernas e o desenvolvimento de novos equipamentos. No Brasil, fundou a primeira Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), e entre suas inúmeras contribuições, atuou na criação de bases para estruturar de maneira sistemática a ciência no país, incentivando o estudo e a pesquisa do patrimônio espeleológico brasileiro.

 

Abertas inscrições para o Congresso Brasileiro de Espeleologia
 
Brasília, 01 de outubro de 2021.
 
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A partir de hoje, 1º de outubro, estão abertas as inscrições para os interessados em participar do 36º Congresso Brasileiro de Espeleologia, que será realizado dos dias 20 a 23 abril de 2022, em Brasília. O evento tem como objetivo ampliar o conhecimento acerca das cavernas e do carste, promovendo discussões sobre aspectos técnicos e científicos em relação à proteção do patrimônio espeleológico. As incrições vão até 19 de dezembro.

As inscrições para participar do congresso deverão ser feitas no hotsite do evento (www.36cbe.org.br), que é organizado localmente pelo Espeleo Grupo de Brasília (EGB), Grupo Espeleológico da Geologia UNB (GREGEO), Pequi Espeleo Grupo (PEQUI). Além disso, a plataforma disponibilizará um campo para que sejam submetidos os trabalhos e pesquisas relacionados ao patrimônio espeleológico brasileiro, cujos temas são: Biologia subterrânea, Climatologia subterrânea e paleoclimatologia, Espeleologia: educação e cultura, e Espeleometria, técnicas de exploração e documentação de cavernas, e Geoespeleologia, Licenciamento e legislação espeleológica, Paleontologia e arqueologia em ambientes subterrâneos, Turismo, gestão e conservação em ambientes cársticos.

O 36º Congresso Brasileiro de Espeleologia oferecerá nove minicursos aos participantes, entre eles o de Licenciamento Ambiental Espeleológico, ministrado pelo coordenador do Cecav, Jocy Cruz, e pelo consultor ambiental do Terradentro, Luiz B. Piló, e o de Análises moleculares em estudos de biologia Subterrânea e no licenciamento espeleológico, ministrado pelo analista ambiental do Cecav, Diego Bento.

Os demais cursos oferecidos serão: Gestão por Projetos e Capacitação de Recursos, Daniela Silva (Vale S.A.), Morcegos Cavernícolas: no âmbito dos processos de licenciamento ambiental envolvendo Cavernas. Maricélio de Medeiros (GEM), A arte da Fotografia em Cavernas, José Humberto (EGB), Curso SER, Paulo Arenas (EGB), Topografia de Cavernas ,Edvard Magalhães (EGB), Atividades SEFE – eBRe, Técnicas Verticais Espeleologia Bernardo Menegale (EGB). Confira a programação completa.

O encontro contará, ainda, com mesas-redondas internacionais, entre elas a relacionada ao tema "Evolução de tecnologias aplicadas aos estudos de meios físicos", composta por John Fiorini (UIS), Carol Cazarin (Petrobrás) e Carlos H. Grohmann (USP). A programação completa e demais detalhes do congresso estarão disponíveis em breve no site das inscrições.

O Congresso Brasileiro de Espeleologia também será palco da cerimônia de premiação do I Prêmio Nacional de Espeleologia Michel Le bret, uma iniciativa do Cecav em parceria com a Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). A premiação tem como objetivo incentivar o desenvolvimento e publicação de pesquisas científicas, inventários e soluções técnicas direcionadas à conservação dos ecossistemas cavernícolas e espécies associadas, assim como auxiliar no manejo das unidades de conservação federais com este tipo de ambiente.


Parceria promete avanço no turismo de cavernas em Felipe Guerra

Trabalho entre Cecav, universidades e prefeitura do município potiguar pretende ordenar visitação em cavernas da região

 

Brasília, 27 de setembro de 2021.

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Foto: Gruta do Crotes - Felipe Guerra, Diego Bento.

A paisagem do semiárido da Caatinga guarda muitas riquezas a serem descobertas. No município de Felipe Guerra, no Rio Grande do Norte, uma expedição realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio), entre os dias 9 e 13/09, teve como objetivo dar continuidade ao trabalho de identificação e ordenamento de cavernas com potencial turístico. A atividade, que conta também com o apoio do município, visa promover uma visitação com impacto mínimo tanto para o meio ambiente quanto para seus visitantes, nesse cenário que se tornou um dos locais de destaque no Brasil, no que diz respeito ao patrimônio espeleológico.

O analista ambiental do Cecav, Diego Bento, conta que as pesquisas nas cavernas da região ocorrem desde os anos 2000 e que todas esses estudos estão sendo compilados junto às informações de outros parceiros que tiveram interesse nas pesquisas, como no caso da Universidade Federal de Lavras (UFLA), que realizou parte do inventário biológico, Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), que realizou os estudos de microclima, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que fez os levantamentos de quirópteros (morcegos) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que tem pesquisas em andamento sobre os fungos das cavernas.

Todo esse material fará parte do Plano de Manejo Espeleológico, que de acordo com Diego "tem como objetivo principal permitir que as cavernas sejam usadas turisticamente, mas com menor impacto ao meio ambiente e maior segurança possível ao visitante". Entre as atividades realizadas pelo Cecav, estão o levantamento de invertebrados cavernícolas, que apontam as espécies existentes, sua importância e estado de conservação, e localização de espécies sensíveis, que muitas vezes são endêmicas da caverna e podem ser impactadas por um turismo mal manejado. "Se tem uma espécie que é sensível à presença humana ou ocorre em um piso e pode ser pisoteada, isso vai restringir o acesso da visitação àquele local da caverna. Espécies de aranhas peçonhentas, cobras, morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue), tudo isso tem que ser levado em consideração, não só pelo impacto às populações naturais, como também pelo impacto ao turista", observa o analista ambiental.

A expedição ocorreu após uma série de estudos, e nessa etapa de trabalho foram mapeados os possíveis locais de visitação e discutidas as intervenções que deverão ser feitas para segurança do turista e conservação do ambiente subterrâneo. O município de Felipe Guerra possui atualmente 351 cavernas catalogadas, três delas foram escolhidas, devido ao potencial turístico, apelo visual e estágio avançado dos estudos necessários ao ordenamento espeleoturístico. São elas: Carrapateira, Crotes e Catedral, todas no lajedo do Rosário. Entre as intervenções possíveis, há inclusive a possibilidade de estruturas para permitir o acesso de pessoas com deficiência visual na gruta da Carrapateira.

Todas essas informações foram apresentadas em reunião entre a equipe do Cecav e o secretario municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos e vice-prefeito do município, Ubiracy Pascoal e o secretario municipal de Educação, Luiz Agnaldo de Souza. De acordo com Ubiracy, a parceria com o Cecav traz uma grande contribuição ao turismo dessa região que "possui um enorme potencial turístico, com um roteiro diverso envolvendo, além das cavernas, balneários, cachoeiras (durante a estação chuvosa), patrimônio histórico e as histórias da Rota do Cangaço."

 


Cecav atualiza informações sobre cavernas brasileiras

Dados atualizados foram disponibilizados no Painel Dinâmico do ICMBio

 

Brasília, 16 de setembro de 2021.

 

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav) recentemente atualizou importantes informações acerca dos patrimônios espeleológicos do Brasil, para acessá-las basta entrar no Painel Dinâmico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os dados disponibilizados são trazidos pelo Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie), por lá poderão ser encontrados o número total de cavernas (dado parcial de julho de 2021). Além disso, a plataforma possibilita a realização de pesquisas com filtros sejam eles por estado, código Canie, nome da caverna, unidade de conservação (UC), classe de rochas entre outros.

O Painel Dinâmico do ICMBio é uma ferramenta que pode ser muito útil para pesquisadores, servidores públicos, estudantes e a sociedade como um todo. Na plataforma, todos poderão encontrar informações sobre as unidades de conservação (UCs) federais e os 14 centros de pesquisas do Instituto. Para ter acesso ao dados, basta seguir o caminho: Painel Dinâmico>Menu>Pesquisa e Monitoramento>Cecav.

Conheça alguns dados:

Atualmente o Canie possui 21.922 cavernas registradas, sendo 3092 na Amazônia, 4006 na Caatinga, 10198 no Cerrado, 4467 na Mata Atlântica, 37 no Pampa, 12 no Pantanal e 109 fazem parte do Sistema Costeira Marinho. Além disso, o Painel Dinâmico revela que o estado brasileiro que detém o maior número de cavernas é Minas Gerais. Desse número total de cavernas, 4.464 estão localizadas no interior de UCs federais, 14.492 fora das UCs federais, 2.712 em UCs estaduais e 254 em UCs municipais.

Os dados finais do Canie serão divulgados no Anuário Estatístico 2021 e, posteriormente, no Painel Dinâmico. Para ter acesso aos dados oficiais anteriores, consulte a página do Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico do Brasil.


Como os seres das cavernas ajudam na conservação?

Neste Dia do Biólogo, 3/9, trouxemos uma matéria especial sobre os troglóbios, animais que vivem exclusivamente no subterrâneo e que podem ser ferramentas para avaliar melhor impactos ambientais

 

Brasília, 03 de setembro de 2021.

 

Eles estudam a vida, a importância de cada ser vivo existente, são responsáveis por grandes contribuições no âmbito científico, tecnológico e educacional do nosso país. Na data em que comemoramos o Dia do Biólogo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav) traz uma matéria especial sobre os troglóbios aquáticos e terrestres, tema de estudo do analista ambiental do Cecav, Diego Bento.

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Troglóbios são os seres vivos que vivem exclusivamente em ambientes subterrâneos. Embora a maioria dos troglóbios seja de pequenos invertebrados, há espécies de peixes (inclusive no Brasil), e anfíbios (salamandras). Essas espécies são consideradas importantes indicadores da qualidade ambiental das cavernas e do ambiente onde elas ocorrem.

Uma das principais pesquisas em andamento envolve diversas instituições técnico-científicas como as Universidades Federais do Rio Grande do Norte (UFRN); de Lavras/MG (UFLA) e de Brasília (UnB), a Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos) e o Instituto Tecnológico Vale/Desenvolvimento Sustentável. As áreas estudadas abrangem a Formação Jandaíra (calcário, no Rio Grande do Norte e Ceará) e a Formação Carajás (ferro, Pará), e o objetivo é compreender os padrões e processos (principalmente evolutivos, geológicos e paleoclimáticos) que moldaram a distribuição de troglóbios, estimar os níveis de conectividade subterrânea (aquática e terrestre) nestas áreas e compará-las (ferro com calcário). Além disso, as pesquisas resultam também na descoberta de novas espécies e informações sobre distribuição geográfica e ameaças antrópicas, necessárias à avaliação do estado de conservação (risco de extinção).

Segundo Diego, no Brasil atualmente há mais de 200 espécies descritas de invertebrados e mais de 20 espécies de peixes troglóbios. Considerando o número

de espécies descobertas, mas ainda não descritas, o número total passa de 800. Há espécies troglóbias de praticamente todos os grupos de invertebrados - planárias, esponjas, crustáceos, aranhas, escorpiões, centopeias, piolhos de cobra, colêmbolos, traças, baratas, besouros, cigarras, grilos, caracóis etc. Ainda de acordo com Diego, em 2019 foi concluída a avaliação do estado de conservação das espécies de invertebrados troglóbios descritas oficialmente à época e, das 145 avaliadas, 90% (130) foram enquadradas em alguma categoria de ameaça, a maioria (64) criticamente ameaçada. A avaliação dos peixes troglóbios ainda está em andamento.

 

Estudo de impactos ambientais

Quando algum empreendimento ocorre em determinada área, uma das obrigações dos estudos de impacto ambiental é investigar formações geológicas de uma região que podem ser impactadas, como as cavernas. Este estudo é importante pois esses ambientes podem ser indicativos de nascentes ou aquíferos, além, é claro, de serem ecossistemas únicos e abrigarem uma única população conhecida de determinada espécie, como os troglóbios, animais que quase sempre estão ameaçados de extinção.

Segundo a legislação ambiental brasileira, o processo de licenciamento ambiental deve levar em consideração a ocorrência de espécies ameaçadas. Áreas com ocorrências de animais em risco de extinção também devem ser consideradas prioritárias para ações de conservação (como a criação de unidades de conservação).

Ou seja, quando há um impacto em uma caverna, é possível que isso leve à extinção de uma espécie inteira. Para isso, segundo Diego, os licenciadores aplicam o "princípio da precaução". Este conceito basicamente impede ou coloca limites mais restritivos a um empreendimento, e é utilizado sempre que há dúvidas sobre o impacto de uma atividade ou obra. Porém, este princípio não é a melhor das soluções, por isso, há importância em possuir dados e desenvolver pesquisas que melhor embasem a tomada de decisões.

Diego explica que sua pesquisa utiliza vários métodos para avaliar o estado de conservação de uma caverna e consequentemente de aquíferos associados a ela. Ele dá o exemplo da utilização de técnicas como relógio molecular, com o qual se pode estimar há quanto tempo ocorreram eventos como aumentos e declínios populacionais, isolamento de populações e especiações e associá-los com eventos geológicos e paleoclimáticos conhecidos, aumentado o conhecimento do passado da região estudada. Dependendo da escala temporal, tais resultados podem ser utilizados em modelos de evolução climática (há estudos de paleoclima utilizando estalagmites em andamento em ambas as áreas abordadas nesta pesquisa).

 

Além da ficção

Nas histórias de ficção, quando os seres saem do subterrâneo, eles se tornam predadores vorazes dos seres humanos, mas isso só ocorre na ficção. Na realidade, ambientes de cavernas ou subterrâneos não trazem qualquer vantagem competitiva ao mundo exterior. É por causa disso que as formações cársticas – como cavernas e grutas – são tão importantes para eles. Como estão isolados há muitas gerações, provavelmente um grupo com determinada característica só vai viver naquele ambiente; com sorte, quando as cavidades possuem alguma conexão entre elas, é possível que a espécie apresente distribuição mais ampla.

Isso não quer dizer que não possamos ou não devamos visitar e conhecer cavernas, que são ambientes espetaculares. No entanto, ao mesmo tempo em que a visitação desordenada é perigosa para os animais, afinal, nem sempre os exploradores são sensibilizados sobre os impactos que podem causar ao ambiente e às espécies que só vivem nas cavernas, nós também podemos nos expor a riscos devido a possibilidade de acidentes físicos e biológicos, a presença de animais peçonhentos e doenças como histoplasmose. Uma caverna só pode ser "explorada" turisticamente após aprovação pelo órgão ambiental competente de um documento técnico denominado "Plano de Manejo Espeleológico" (PME). No PME são avaliadas, além da viabilidade do turismo, as condições para que ele ocorra de forma segura para o visitante e com o menor impacto à caverna e seu ambiente.

 

Novos estudos

Recentemente, Diego Bento foi o primeiro autor de um artigo que traz importantes informações acerca das cavernas e suas espécies. O artigo "Oásis" subterrâneo no semiárido brasileiro: fontes negligenciadas de biodiversidade"* teve como objetivo avaliar a influência de características das cavernas e do ambiente externo sobre a riqueza de espécies e composição de invertebrados cavernícolas na região oeste do Rio Grande do Norte.

Além de Diego, participaram do estudo os professores Marconi Souza Silva e Rodrigo Lopes Ferreira, da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e do Centro de Estudo em Biologia Subterrânea (CEBS), o coordenador do Laboratório de Termitologia da Universidade Federal da Paraíba(UFPB), Alexandre Vasconcellos, o professor adjunto e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sistemática e Evolução da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Bruno Bellini, e o analista de Meio Ambiente Master em espeleologia na Vale S/A, Xavier Prous.

Com a coleta de invertebrados em 40 cavernas, foram registrados 416 espécies de 145 famílias e 45 ordens. Além disso, foram identificadas 57 espécies troglomórficas, a maioria com distribuições restrita, incluindo relictos filogenéticos e/ou geográficos (relictos oceânicos), sugerindo uma longa e complexa história evolutiva. Esta biodiversidade faz da área do estudo uma das mais relevantes do ponto de vista bioespeleológico no Brasil, principalmente em relação à riqueza e concentração de espécies troglóbias.

As análises também indicaram que a variedade de recursos orgânicos nas cavernas, a cobertura de vegetação nativa no entorno, a área e o número de entradas das cavernas foram as variáveis mais ​​relevantes para a composição e riqueza de espécies.

A conclusão principal do artigo é que a região oeste do Rio Grande do Norte é única na América do Sul por abrigar uma alta concentração troglóbios, associada à presença de aquíferos cársticos em um contexto de mudanças paleoclimáticas marcantes (incluindo transgressões e regressões oceânicas), merecendo ações emergenciais de conservação.

Foto: Diego Bento - Troglóbio, Caverna Pedra Lisa(RN).

* Bento DM, Souza-Silva M, Vasconcellos A, Bellini BC, Prous X, Ferreira RL (2021) Subterranean "oasis" in the Brazilian semiarid region: neglected sources of biodiversity. Biodivers Conserv (2021). https://doi.org/10.1007/s10531-021-02277-6

 
 

ICMBio 14 anos: Cecav celebra avanços
Em mais um aniversário do ICMBio, o Cecav tem a honra de assim como toda a instituição, celebrar os progressos, conquistas e todo aprendizado obtido
 
Brasília, 25 de julho de 2021.
 

No dia 28 de agosto, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) completa 14 anos . Desde sua criação, muitas foram as conquistas pela rica e multicolorida biodiversidade brasileira, pela preservação de espécies, biomas, especificidades de todas as 334 unidades de conservação federais, que representam 9,1% da área continental protegida e 24,4% da área marinha do Brasil, e pelo fomento aos 14 centros de pesquisas que fazem parte da instituição, entre eles o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas, o Cecav.

Incorporado à estrutura organizacional do ICMBio desde sua criação, em 2007, o Cecav é hoje reconhecido como principal responsável pela conservação do patrimônio espeleológico nacional, destacando-se como interlocutor governamental no campo da espeleologia. Ano a ano, o centro de pesquisa vem avançando nas ações de manejo e conservação dos ambientes cavernícolas, em pesquisas científicas que geram ainda mais conhecimento e dão um norte rumo aos novos passos em direção à preservação e ao trabalho conjunto realizado com as unidades de conservação federais, que contam com a presença de cavernas.

Em mais um aniversário do ICMBio, o Cecav tem a honra de assim como toda a instituição, celebrar os progressos, conquistas e todo aprendizado obtido. Desde a instituição do Programa Nacional de Conservação do Patrimônio Espeleológico, por meio da Portaria 358/2009/MMA, o Cecav tem se destacado como seu principal executor, isso é o que reflete os dados obtidos até o momento, como os que apontam a existência de 73 projetos e ações, além de 59 em andamento, a parceria entre 43 instituições, sendo 14 universidades e mais de 150 publicações técnicas e científicas.

Esses e outros importantes números que representam o fruto do trabalho do Cecav podem ser conferidos em um vídeo especial (link), produzido em comemoração ao aniversário de 14 anos do ICMBio. Esperamos que os próximos aniversários tragam diversas novas conquistas pela biodiversidade, pelo Brasil e por toda essa riqueza natural que pertence a todos nós.

Parabéns ao ICMBio, a todos os servidores e colaboradores. Que sigamos juntos em prol da conservação!

 
 

Seminários Carstolológicos/2021
Dolinas: feições superficiais do Carste

Brasília, 25 de julho de 2021.

 

O evento  "Seminários Carstolológicos/2021" está sendo organizado pelo Grupo de Pesquisas do Geossistema Cárstico/geoCarste/CNPq/UnB e pelo Departamento de Geografia da Universidade de Brasília, em comemoração ao Ano Internacional das Cavernas e do Carste. 

Nesta quinta - feira, dia 26/08/2021, das 14 às 16hs, o tema será Dolinas: feições superficiais do Carste. Não perca!

 

Clique aqui para assistir.

Convite

 

 


 

Brasília, 23 de julho de 2021.

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