Destaques


Rotina de procedimentos associados à coleta de dados relativos à localização de cavidades naturais subterrâneas

1. Em 2004 o CECAV criou sua base de dados de localização das cavernas brasileiras, cuja alimentação conta com o aporte permanente de informações oriundas de outras bases de dados, estudos espeleológicos, material bibliográfico e, especialmente, trabalhos de campo realizados por seus técnicos e analistas ambientais.

2. Entre 2005 e 2015 os dados com a localização das cavernas foram disponibilizados no site do CECAV, sendo a sua última publicação em 31 de dezembro de 2015. Desde de então o CECAV passou a utilizar somente o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (CANIE) como referência para Banco de Dados Geográficos de informações correlatas ao patrimônio espeleológico nacional tendo em vista a migração de toda a sua base de dados para o Cadastro.

3. Visando atender ao disposto no Programa Nacional de Conservação do Patrimônio Espeleológico (PNCPE), instituído pela Portaria MMA No 358/2009, o CECAV vem desenvolvendo o projeto Inventário Anual do Patrimônio Espeleológico Nacional, uma das metas do Componente 1 - Conhecimento do Patrimônio Espeleológico.

4. O Projeto visa identificar e localizar as cavidades naturais subterrâneas que compõem o Patrimônio Espeleológico. Para tanto faz-se necessário coletar os dados relativos à localização das entradas principais das cavidades naturais subterrâneas, com atendimento das especificações consideradas minimamente aceitáveis.

5. Os dados referentes à localização das cavidades devem ser obtidos com equipamento de GPS, em coordenadas geográficas, graus decimais, datum SIRGAS 2000 e a partir da captura de sinais advindos de um mínimo de 04 unidades bem distribuídas na constelação dos satélites, com erro máximo de 15 metros (erro ideal de 3m, preferencial até 10m), na entrada principal, no ponto onde localiza-se a base topográfica zero.

6. A base topográfica zero localiza-se no centro da primeira poligonal feita pelas paredes, piso e teto da entrada da caverna (Figura 1). Nos casos de inviabilidade de coleta na base zero da cavidade, deve ser utilizado um sistema de amarração com um ponto âncora, ou seja, deve ser encontrado um local, onde a quantidade de satélites seja igual ou superior a 4 unidades para captura das coordenadas com o aparelho GPS. Em seguida realiza-se a topografia (azimute, distância e inclinação) do ponto âncora até a base zero. De forma que, as coordenadas armazenadas possibilitem o cálculo das coordenadas da base zero a partir da utilização de programas específicos, como por exemplo, o software Compass.

Base Zero
Fig. 1: Definição da Base Topográfica Zero

7. Quanto à classificação de cavidades naturais subterrâneas, cuja definição é dada pelo Decreto 99.556/2008 como sendo todo e qualquer espaço subterrâneo acessível pelo ser humano, a Instrução Normativa Nº 2/2017/MMA traz em seu anexo V o conceito desse espaço como sendo aquele cujo início é definido pela primeira poligonal vertical circunscrita por paredes, piso e teto (figura 01), podendo ser classificado em (figura 02):

- Abrigo: quando a altura da entrada da cavidade natural subterrânea é maior que o seu desenvolvimento linear;
- Caverna: quando a altura da entrada da cavidade natural subterrânea é menor que o seu desenvolvimento linear;
- Abismo: quando o desenvolvimento linear da cavidade natural subterrânea é predominantemente vertical.

8. No caso dos abismos, o início do espaço subterrâneo é definido pela poligonal horizontal mais elevada totalmente circunscrita pelo afloramento rochoso.

9. Assim, todos os outros termos utilizados para definir cavidade natural subterrânea são sinônimos destes, tais como: gruta, lapa, toca, furna, gruna, etc.
 
Cav Abr Abism
Fig. 2: Diferença entre caverna, abrigo e abismo.

10. Outra duvida frequente refere-se às claraboias ou duas cavernas. Quando a altura entre a abertura no teto e o chão da cavidade for maior que o diâmetro da claraboia, trata-se de uma única caverna e que a abertura realmente é uma claraboia. No entanto quando essa altura for menor que o diâmetro da claraboia, trata-se de duas cavidade (Figura 03).

Claraboia
Fig.: 03 – Diferença entre uma claraboia e duas cavidades.