CEMAVE atualiza o Código de Ética dos Observadores de Aves

O Brasil é um país com uma mega diversidade florística e faunística, distribuída nos biomas Amazonia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa. O país é o segundo no mundo em diversidade de aves, com registros de 1919 espécies distribuídos em 33 ordens, 103 famílias e 705 gêneros. Essa diversidade inclui desde um pequenino beija-flor (topetinho-vermelho), medindo 6,8cm e pesando 3g, até a ema, com cerca de 1,40m e chegando a pesar 25kg. A diversidade também se verifica em seus melodiosos cantos, belíssimas plumagens, hábitos alimentares diversos e ocupação de múltiplos ambientes, do oceano Atlântico ao continente.

O turismo de observação de aves é uma modalidade muito difundida em outros países, contando com cerca de 100 milhões de pessoas que praticam a atividade regularmente. Dados de 2016 indicam que a América do Norte, congrega cerca de 46 milhões de praticantes ativos. No Brasil é uma atividade relativamente recente, mas já congrega cerca de 40.000 (quarenta mil) pessoas praticando ou com algum vínculo com esta atividade.

Este crescimento tem sido impulsionado por muitos fatores, dos quais destacamos alguns pela sua capacidade de alcance: a facilidade de observarmos aves em todos os locais por onde transitamos; a comunicação e divulgação em redes sociais, levando conhecimento e desmistificando informações sobre turismo de natureza; a ampliação do acesso aos guias de identificação de aves e aos equipamentos de observação; a possibilidade de ser realizada em qualquer lugar ou ambiente, inclusive da janela de casa, como tem sido incentivado durante a restrições de circulação em função da COVID-19; a disponibilização de acesso a bases de dados sobre as aves brasileiras em sites especializados (wikiaves e xenocanto) e aplicativos de livre acesso (eBird e outros).

Este cenário é favorável à ornitologia prática e à ciência cidadã, mas pode ser desfavorável às aves, se os praticantes desconhecerem as regras e normas inerentes à atividade de observação de aves. Portanto, dois instrumentos devem ser divulgados para parametrizar essa atividade em campo, o Código de Ética do Observador de Aves e a Instrução Normativa ICMBIO no 14/2018.

A nova versão do Código de Ética do Observador de Aves que está disponível à sociedade, foi elaborado como um documento auxiliar da IN nº 14, de 10 de outubro de 2018, que dispõe sobre procedimentos para realização da atividade de observação de aves nas unidades de conservação federais. Porém, o Código vai além dos territórios das UCs, com orientações e instruções que buscam garantir o bem estar das aves, dos ambientes dos quais elas dependem, da importância do respeito às normas de cada local e do compromisso com a ciência cidadã em qualquer ambiente, seja legalmente protegido ou não.

Observadores de aves, fotógrafos, guias autônomos, empresas especializadas em "birdwatching" (observação de aves ou "passarinhada", termo que tem se popularizado no Brasil) e os novos adeptos desta atividade precisam conhecer e divulgar o Código de Ética do Observador de Aves, que encontra-sedisponível no site do CEMAVE. Contamos com a colaboração de todos na divulgação deste importante documento.