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Começa temporada reprodutiva das tartarugas marinhas 2021-22 no Espírito Santo e no Brasil

Fêmeas de tartarugas-de-couro retornam para desovar em Regência, na foz do rio DoceVitória (25/10/2021) – No final de setembro (26) oficialmente a primeira fêmea de tartaruga marinha da espécie Dermochelys coriacea (tartaruga-de-couro) depositou seu ninho em areias do Km 20 da Terra Indígena de Comboios, em Aracruz-ES, dando início à temporada reprodutiva 2021-22 das tartarugas marinhas no litoral capixaba. Os rastros pela areia são a indicação de que um ninho pode ter sido feito e ovos depositados.

O ritual se repete todos os anos, alternando as visitantes a cada ano. Exuberantes fêmeas de tartarugas marinhas, que vão de 200 a 800 Kg, retornam fielmente às praias onde nasceram para depositar na areia os ovos de seus filhotes, perpetuando com isso o ciclo interminável da vida. Tecnicamente esse período se chama temporada reprodutiva e desovas e nascimentos ocorrem principalmente entre os meses de setembro e março de todo ano. “E todos os anos executamos um trabalho árduo (e prazeroso) de monitoramento das fêmeas e seus ninhos, para que tudo ocorra com sucesso”, explica a coordenadora de Pesquisa da Fundação Projeto Tamar no Espírito Santo, a oceanógrafa Ana Marcondes.

Das cinco espécies que escolhem o litoral brasileiro, apenas uma espécie escolhe as ilhas oceânicas de Trindade/ES, Noronha/PE e Atol das Rocas/RN e o período de dezembro a julho para desovar: a Chelonia mydas ou tartaruga-verde. As outras quatro espécies escolhem as praias do Nordeste ao Sudeste do Brasil para as desovas, no período de setembro a março. Um verdadeiro milagre da natureza e de sua constante renovação.

No mundo todo existem sete espécies de tartarugas marinhas: a tartaruga-cabeçuda ou mestiça (Caretta caretta); a tartaruga-verde ou aruanã (Chelonia mydas); a tartaruga-de-pente ou legítima (Eretmochelys imbricata); a tartaruga-de-couro ou gigante (Dermochelys coriacea); a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea); a tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii), endêmica do Golfo do México, e a tartaruga-de-casco-achatado (Natator depressus), endêmica da Oceania (Plataforma Continental da Austrália).
O litoral capixaba é agraciado pela presença da Dermochelys coriacea ou tartaruga-de-couro, que escolhe a foz do rio Doce, em Regência/ES e Povoação/ES, incluindo a Reserva Biológica de Comboios, unidade de conservação federal criada nos anos 80 para proteger os sítios de desova desta espécie, bem como a vizinha Terra Indígena Comboios.

Assim que nascem, os filhotes começam uma verdadeira luta pela vida, seguindo em direção ao mar, orientados pelo campo magnético do planeta, como uma espécie de bússola que as fazem encontrar o mar quando estão em praias escuras, assim como os reflexos do mar. Esta mesma bussola que as trará de volta quando adultas.
Em função de inúmeras ameaças, naturais e humanas, apenas uma pequena parcela consegue chegar à idade adulta. “Entre as ameaças estão a predação natural por outros animais, a erosão, o trânsito de pessoas e veículos nas praias, a predação por animais domésticos ou selvagens, a fotopoluição causada por avenidas ou calçadões e eventos a beira mar e resultados da ocupação do ambiente marinho e costeiro, por empreendimentos como casas em condomínios, resorts e hotéis, portos e atividades de exploração de petróleo e gás”, explica o coordenador nacional do Centro TAMAR ICMBio, Joca Thomé.

A iluminação artificial além de desorientar, atraindo os filhotes que podem morrer por desidratação ou predados, pode perturbar as mães que estão prestes a desovar, desviando-a de seu caminho natural ao mar. O lixo é outro grande problema, pois quando depositado na areia atrapalha as fêmeas, no processo de deposição de seus ninhos, assim como atrapalha os filhotes que precisam chegar ao mar. Já no mar o lixo é confundido com algas e outros alimentos, sendo ingerido por engano, podendo matar esses animais”, explica a veterinária do Centro TAMAR ICMBio e que coordena a Base Avançada em Regência-ES, Cecília Baptistotte.

Outra grande ameaça, talvez a maior, é a captura incidental pela pesca de espinhel dos grandes barcos e as redes de espera instaladas por pescadores artesanais ao longo da costa. “Combater essa ameaça envolve trazer os pescadores para um diálogo acerca do uso de medidas mitigadoras, que evitam a captura de tartarugas marinhas sem prejudicar a pesca, como o uso do anzol circular, o uso do TED, mudanças de horários e equipamentos, entre outras estratégias que auxiliam diminuir as capturas”, explica o analista ambiental do Centro TAMAR ICMBio e especialista nesta área de pesca NIlamon Leite Jr.


Foz do Rio Doce


E é na região da foz do rio Doce que duas dessas espécies encontram destino certo. Trata-se da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), que tem esta como a segunda área de concentração no Brasil, e a tartaruga-de-couro ou gigante (Dermochelys coriacea), cuja população está entre as mais ameaçadas de extinção do mundo. Regência, Povoação e Pontal do Ipiranga, em Linhares-ES, são consideradas uma das principais e mais importantes e regulares áreas de desovas destas tartarugas marinhas do Brasil.

Todas as espécies de tartarugas estão classificadas como ameaçadas de extinção, em diferentes categorias que variam de Vulneráveis a Extremamente Ameaçadas, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e a lista brasileira de espécies ameaçadas.
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Um outro momento que tem público cativo, é quando chega época da eclosão dos ninhos, entre dezembro e fevereiro de cada ano nesta região, quando os pequenos filhotes rompem a casca do ovo, percorrem a barreira de estarem enterrados 50 cm na areia e se dirigirem ao mar.

“Adultos e a criançada tem espaço cativo na caminhada de filhotes ao mar, só para ver esses pequenos heróis retornarem para a sua casa – chamada oceano – e daqui a 30 anos retornar àquela praia perpetuando a vida. Devido a pandemia essa atividade ficou suspensa, mas pretende-se retornar a fazê-la com pequenos grupos de comunidades locais”, frisa o educador ambiental que atua na Base da Fundação Projeto Tamar em Regência/ES, Carlos Sangália.

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