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Centro TAMAR acompanha pesquisadores que estudam efeitos das mudanças climáticas no comportamento reprodutivo das tartarugas-verdes em Fernando de Noronha/PE

Publicado em 08-03-2022 | Visitas: 108

Ninho de tartaruga-verde protegido por tela para retenção e coleta de amostra genética dos filhotes.

Sergipe (14/02/2022) - Entre os dias 25 de janeiro e 04 de fevereiro a equipe técnica do Centro TAMAR acompanhou no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha/PE a execução da pesquisa intitulada ‘Mating systems as mechanism for resilience of species with temperature dependent sex determination under environmental change: second campaign in Fernando de Noronha’*. O estudo é executado por pesquisadores da Florida State University e tem por objetivo principal investigar efeitos das mudanças climáticas no comportamento reprodutivo da tartaruga-verde, Chelonia mydas, que se reproduz nas praias de Fernando de Noronha.


Todo o conjunto de informações geradas deve favorecer uma maior compreensão sobre a estrutura da população que reproduz em Fernando de Noronha, qual a relação entre o número de machos e fêmeas que reproduzem na área e se, caso haja uma tendência ao predomínio de fêmeas na área, as variações nas estratégias reprodutivas dos machos são suficientes para manter a viabilidade da população. A pesquisa ajudará também a entender como esses animais poderão ser afetados por mudanças climáticas, com a possibilidade de fornecer subsídios ao manejo.


Segundo o analista ambiental do TAMAR ICMBio, Erik Allan Pinheiro dos Santos, durante a atividade foi possível acompanhar a instalação dos dois últimos transmissores por satélites em machos de tartaruga-verde, de um total de 20 transmissores já instalados, entre as temporadas reprodutivas de 2019/20 (um transmissor), 2020/21 (oito transmissores) e 2021/22 (11 transmissores). O rastreamento de machos de tartaruga marinha é prioritário, uma vez que a maior parte das pesquisas sobre os movimentos migratórios e áreas onde vivem esses animais consideram apenas as fêmeas.


Para a instalação dos transmissores, os machos foram capturados no mar em mergulhos, em uma atividade complexa e especializada, considerando o tamanho dos animais, entre 96 e 109 cm de comprimento curvilíneo do casco. Após a captura os animais são conduzidos para uma embarcação para instalação do transmissor e posterior liberação. Todo o procedimento dura cerca de 3 horas para cada animal. Na atual temporada (2021-22), nove machos foram capturados na praia do Leão e dois na praia do Sancho.
Um censo visual das tartarugas marinhas é realizado por meio de mergulhos, com o objetivo de identificar padrões de uso da área e estimativas sobre a presença, número e proporção entre machos e fêmeas e quantificar o número de cópulas. De modo geral, observou-se que os machos chegam primeiro e as fêmeas deixam a área por último, no período entre novembro e maio.


A pesquisa inclui também o registro de fêmeas e ninhos na praia do Leão, atividade realizada durante todas as noites, com o patrulhamento para marcação de ninhos, instalação de dataloggers para coleta de dados sobre a temperatura de incubação, biometria e coleta de amostra genética das fêmeas. Após a eclosão dos ninhos, são coletadas também amostras genéticas e biometria dos filhotes, de modo a se estimar a proporção de machos e fêmeas, assim como, avaliar a multipaternidade, que ocorre quando os ovos são fertilizados por mais de um macho.


* Sistemas de acasalamento como mecanismo de resiliência de espécies com determinação sexual dependente da temperatura sob mudança ambiental: segunda campanha em Fernando de Noronha


Fonte: Base Avançada do TAMAR ICMBio em Sergipe

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