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Répteis - Kinosternon scorpioides - Muçuã

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) NO BRASIL.

Richard Carl Vogt1, Camila Kurzmann Fagundes2, Yeda Soares de Lucena Bataus2, Rafael Antônio Machado Balestra2, Flávia Reina de Queiroz Batista2, Vívian Mara Uhlig2, Adriano Lima Silveira3, Alex Bager4, Alexandre Milaré Batistella5, Franco Leandro de Souza6, Gláucia Moreira Drummond7, Isaías José dos Reis2, Rafael Bernhard1, Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça2, Vera Lúcia Ferreira Luz2.


1Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
2Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
3Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
4Universidade Tecnológica Federal de Lavras - UFLA
5Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso
6Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS
7Fundação Biodiversitas

Vogt, R. C.; Fagundes, C. K.; Bataus, Y. S. L.; Balestra, R. A. M.; Batista, F. R. W.; Uhlig, V. M.; Silveira, A. L.; Bager, A.; Batistella, A. M.; Souza, F. L.; Drummond, G. M.; Reis, I. J.; Bernhard, R.; Mendonça, S. h. S. T.; Luz, V. L. F. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7407-repteis-kinosternon-scorpioides-mucua.html

 Kinosternon scorpioides site  Kinosternon scorpioides site
Foto: Alfredo Palau
Elaboação: NGeo - RAN/ICMBio

Ordem: Testudines
Família: Kinosternidae

Nomes comuns:  Muçuã, jurara, Scorpion mud turtle, Ashna charapa, Loro charapa, Tortuga bico de papagayo, Tortuga buitre, Tapaculo, Chiribí-chivirí, Galápago mión, Miona, Guachupe, Pivichigua, Morrocoy água, Pecho quebrado

Sinonímias:  Testudo scorpioides, Cinosternum scorpioides, Kinosternon shavianum, Kinosternon longicaudatum e Kinosternon brevicaudatum.

Notas taxonômicas:  Não há

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Menos preocupante (LC).

Justificativa:  Kinosternon scorpioides ocorre do México à América do Sul, na Argentina, Brasil, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Guiana e Trinidad. É elegível para a avaliação regional. No Brasil, ocorre na Região Nordeste e nos estados do Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Goiás e Minas Gerais. A extensão de ocorrência calculada para o país é de 5.119.406,92 km². Ocorre em várias unidades de conservação. A espécie é comum e possui tolerância ecológica capaz de habitar ambientes lóticos e lênticos como riachos, lagoas, margens de lagos, pântanos e lagoas temporárias, em diferentes ecossistemas. As subpopulações dos estados do Maranhão e Pará são intensamente utilizadas na alimentação humana. Todavia, não há ameaças evidentes que possam afetar a espécie ao ponto de colocá-la em risco de extinção. Por essas razões, Kinosternon scorpioides foi avaliada como Menos preocupante (LC).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:  Não se aplica.

Avaliações em outras escalas:
Internacional:  Não se aplica.
Listas estaduais:  Não se aplica.


Kinosternon scorpioides ocorre do México à América do Sul, com ocorrência no norte da Argentina, Paraguai, Bolívia, norte do Peru, ao longo da costa da Colômbia, Guiana, Trinidad e Brasil (Pritchard & Trebbau 1984, Reptile-Database 2010). No Brasil, distribui-se nas bacias dos rios Amazonas, Tocantins e São Francisco, e bacias do Atlântico Norte e Nordeste.
Há registros da espécie no Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Pará, Maranhão, Tocantins, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Amapá (Emysystem 1999), Minas Gerais, Paraíba, Alagoas (RAN 2010) e Goiás (Adriano Lima Silveira, comunicação pessoal, 2010).
A extensão de ocorrência calculada (EOO) da espécie no Brasil é de 5.119.406,92 km², através do mínimo polígono convexo, a partir de pontos de registro.

Não existem estimativas populacionais no Brasil, mas sabe-se que a espécie é abundante e comum ao longo da costa do Pará e Maranhão (Vogt 2008, Barreto et al. 2009). Entretanto, não há grandes populações no Amazonas, Rondônia, interior do Pará, Goiás, Caatinga e norte do Cerrado (Vogt 2008, Ferrara et al. 2009, Richard Carl Vogt, Adriano Lima Silveira, comunicação pessoal, 2010). A tendência populacional dessa espécie é desconhecida.

Kinosternon scorpioides possui ampla tolerância ecológica, capaz de habitar ambientes lóticos e lênticos, como riachos, lagoas, margens de lagos, pântanos e lagoas temporárias, em diferentes ecossistemas. Preferem ambientes com bastante vegetação aquática e na temporada seca deambulam em terra firme em direção a ambientes úmidos (Rueda-Almonacid et al. 2007, Vogt 2008). Podem se enterrar no barro até o período de chuvas (Vogt 2008). Invadem arrozais e todo tipo de reservatórios construídos pelo homem (Pritchard & Trebbau 1984, Rueda-Almonacid et al. 2007). Não é comum ocorrer em áreas florestadas (Rueda-Almonacid et al. 2007).
Aspectos sobre a biologia reprodutiva da espécie são pouco conhecidos, entretanto, sabe-se que copulam em terra e/ou em águas rasas. No Brasil, os ninhos são construídos na base das raízes de arbustos, em media, 200 m de distância dos corpos d´água. O sexo é determinado pela temperatura de incubação (Rueda-Almonacid et al. 2007).
A maturidade sexual é atingida entre 2,8 (Castro 2006) e 05 anos (Vogt 2008). A primeira postura ocorre, em geral, quando a fêmea atinge 10 cm de comprimento da carapaça (Barreto et al. 2009). Entre os machos, a maturidade sexual é atingida entre 10 cm (Barreto et al. 2009), e 13,2 cm de comprimento da carapaça (Vogt 2008).
O período reprodutivo acontece uma vez por ano (Rocha & Molina 1990, Rueda-Almonacid et al. 2007, Vogt 2008), com 01 a 03 ninhadas por estação reprodutiva (Vogt 2008). O tempo de incubação é de 176 dias (Vogt 2008). Fêmeas ovadas foram capturadas durante o mês de agosto (Barreto et al. 2009) e filhotes encontrados entre janeiro e fevereiro, apresentando uma média de 3,5 ± 0,07 cm (3,47-3,61) de comprimento da carapaça. Entretanto, em uma revisão de trabalhos sul-americanos, Rueda-Almonacid et al. (2007) afirmam que o período de desova da espécie ocorre nos meses de novembro a janeiro, com ninhadas de 02 a 06 ovos elípticos.
O tamanho máximo observado para as fêmeas é de 18,5 cm para Castro (2006). Entre os machos, 27 cm (Vogt 2008).

A espécie é intensamente consumida no Pará e Maranhão (Vogt 2008). Áreas de campo natural são queimadas algumas vezes, de forma proposital, para a sua captura (Alho 1985).
Em alguns locais da extensão de ocorrência da espécie é desenvolvida atividade agropastoril com a utilização do fogo para a limpeza da área (Adriano Lima Silveira, Alexandre Miralé Batistella, comunicação pessoal, 2010).
Em Carajás (PA), as subpopulações estão localizadas sobre as áreas de extração de minério (Alexandre Miralé Batistella, comunicação pessoal, 2010). O avanço do perímetro urbano de São Luís (MA) e a construção de casas de veraneio no litoral do Maranhão reduzem a área de ocupação da espécie (Alexandre Miralé Batistella, comunicação pessoal, 2010).
K. scorpioides é utilizado na alimentação, inclusive em restaurantes no Pará e Maranhão (Richard Carl Vogt, comunicação pessoal, 2010).  Eventualmente é utilizada como animal de estimação (Adriano Lima Silveira, Alexandre Miralé Batistella, comunicação pessoal, 2010).
Embora haja a predação de algumas subpopulações evidências de que possam levar a espécie a algum grau de risco de extinção.

As portarias IBAMA nº. 142, de 30 de dezembro de 1992 e nº 070, de 23 de agosto de 1996 e a Instrução Normativa IBAMA nº. 169 de 20/02/08 autorizam e regulamentam, respectivamente, a criação comercial de Podocnemis expansa, P. unifilis, P. sextuberculata e Kinosternon scorpioides em sistema intensivo nas regiões de sua ocorrência.

A espécie ocorre nas seguintes Unidades de Conservação: Reserva Biológica do Jaru (RO), Floresta Nacional de Carajás (PA), Parque Nacional da Amazônia (AM/PA), Parque Nacional dos Lençois Maranhenses    (MA), Reserva Biológica do Rio Trombetas    (PA), Reserva Extrativista Marinha de Soure (PA), Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP), Área de Proteção Ambiental do Pratagy (AL), Área de Proteção Ambiental Bonfim-Guaraira (RN), Área de Proteção Ambiental da ME do Rio Negro - Setor Aturiá/Apuauzinho (AM), Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (PA), Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (PA), Área de Proteção Ambiental do Arquipélago do Marajó (PA) e Floresta Estadual Faro (PA).

Realizar estudos populacionais e avaliar o impacto das ameaças sobre as populações da espécie, nos estados onde há consumo intenso da espécie. Devido ao alto consumo na alimentação humana, nos estados do Maranhão e Pará, fazendo-se necessário avaliar o impacto dessa prática sob essas subpopulações.


Alho, C.J.R. 1985. Conservation and management strategies for commonly exploited amazonian turtles. Biological Conservation, 32: 291-298.

Barreto, L.; Lima, L.C. & Barbosa, S. 2009. Observations on the ecology of Trachemys adiutrix and Kinosternon scorpioides on Curupu Island, Brazil. Herpetological Review, 40: 283-286.

Castro, A.B. 2006. Biologia reprodutiva e crescimento de Muçuã Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1776) em cativeiro. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas). Universidade Federal do Pará. 101p.

Emysystem. 1999. World Turtle Database. <http://emys.geo.orst.edu/>. (Acesso em: 10/02010).

Ferrara, C.; Schneider, L.; Vogt, R.C. & Santos-Júnior. L.B. 2009. Geographic Distribution. Kinosternon scorpioides. Herpetological Review, 40(2): 235.

Pritchard, P.C.H. & Trebbau, P. 1984. The turtles of Venezuela. SSAR. 403p.

RAN (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios). 2010. Diagnóstico da Herpetofauna da Bacia Hidrográfica do São Francisco. Relatório Técnico. 127p.

Reptile-database. http://reptile- batabase.reptarium.cz/species?genus=Kinosternon&species=scorpioides, (Acesso em 10/2010).

Rocha, M.B. da & Molina, F.B. 1990. Reproductive Biology of Kinosternon scorpiodes (Testudines: Kinosternidae) in captivity. Tortoises and Turtles, 5: 8.

Rueda-Almonacid, J.V., Carr, J.L.; Mittermeier, R.A.; Rodríguez-Mahecha, J.V.; Mast, R.B.; Vogt, R. C.; Rhodin, A.G.J.; Ossa-Velásquez, J. de la; Rueda, J.N. & Mittermeier, C.G. 2007. Las tortugas y los cocodrilianos de los países andinos del trópico. Serie de guías tropicales de campo Nº 6. Conservación Internacional. Ed. Panamericana, Formas e Impresos. 538p.

Vogt, R.C. 2008. Tartarugas da Amazônia. Lima, 104p.

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Quelônios Continentais Brasileiros
Local e Data de realização: Goiânia-GO, de 8 a 11 de setembro de 2010.

Facilitador: Alessandro Santana dos Santos (Fundação Pró-Tamar).

Avaliadores: Richard Carl Vogt (INPA), Gláucia Moreira Drummond (Fundação Biodiversitas), Alex Bager (UFLA), Adriano Lima Silveira (UFRJ), Alexandre Milaré Batistella (SEMA/MT), Rafael Bernhard (INPA), Franco Leandro de Souza (UFMS), Isaías José dos Reis (RAN/ICMBio),Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Vera Lúcia Ferreira Luz (RAN/ICMBio), e Sônia Helena Santesso Teixeira de Mendonça (RAN/ICMBio).

Colaborador(es): Não é o caso.

Apoio:
Camila Kurzmann Fagundes (consultora, RAN/ICMBio), Rafael Antônio Machado Balestra (RAN/ICMBio), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio), Flávia Regina Batista Queiroz (RAN/ICMBio), Richard Carl Vogt (INPA).

  _cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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