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Répteis - Coleodactylus natalensis

AVALIAÇÃO DO RISCO DE EXTINÇÃO DE Coleodactylus natalensis Freire, 1999, NO BRASIL



Guarino Rinaldi Colli1, Jéssica Fenker Antunes 2, Leonardo Gonçalves Tedeschi1, Yeda Soares de Lucena Bataus3, Vívian Mara Uhlig3, Adriano Lima Silveira4, Carlos Frederico Duarte da Rocha5, Cristiano de Campos Nogueira6, Fernanda de Pinho Werneck7, Geraldo Jorge Barbosa de Moura8, Gisele Regina Winck5, Mara Cíntia Kiefer9, Marco Antônio de Freitas10, Marco Antônio Ribeiro Júnior11, Marinus Steven Hoogmoed11, Moacir Santos Tinoco12, Rafael Martins Valadão3, Renata Cardoso Vieira13, Renata Perez Maciel13, Renato Gomes Faria14, Renato Recoder15, Robson Waldemar Ávila16, Selma Torquato da Silva17, Síria Lisandra de Barcelos Ribeiro18 e Teresa Cristina Sauer de Avila Pires11.

1. Universidade de Brasília - UnB
2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - Bolsista/RAN/ICMBio
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
4. Museu Nacional – MN/UFRJ
5. Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ
6. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo - MZUSP
7. Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
8. Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
9. Universidade Federal Fluminense - UFF
10. Parque Nacional Catimbau - Parna Catimbau/ICMBio
11. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
12. Universidade Catolica do Salvador - UCSAL
13. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
14. Universidade Federal de Sergipe - UFSE
15. Universidade de São Paulo - USP
16. Universidade Regional do Cariri - URCA
17. Universidade Federal de Alagoas - UFAL
18. Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA
 

Colli, G. R.; Fenker, J. A.;Tedeschi, L. G.;Bataus, Y. S. L; Uhlig, V. M.;Lima, A. S.; Rocha, C. F. D.;Nogueira, C. C.;Werneck, F. P.;Moura, G. J. B.;Winck, G. R.;Kiefer, M. C.; Freitas, M. A.; Ribeiro Júnior, M. A.;Hoogmoed, M. S.; Tinoco, M. S.; Valadão, R. M.; Vieira, R. C.; Maciel, R. P.; Faria, R. G.; Recoder, R.; Ávila, R. W.; Silva, S. T.; Ribeiro, S L. B & Avila-Pires, T. C. S.. 2016. Avaliação do Risco de Extinção de Coleodactylus natalensis Freire, 1999, no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8181-repteis-coleodactylus-natalensis

 Coleodactylus natalensis Eliana Nyemeier  Coleodactylus natalensis
Foto: Eliana Nyermeier
Elaboração: Leonardo Tedeschi (UnB) e
NGeo/RAN/ICMBio, 2014

Ordem:  Squamata
Família: Sphaerodactylidae.

Nomes comuns:  Lagarto-de-folhiço, Natal Pigmy Gecko (Uétz, 2014).

Sinonímias:  Não há.

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em perigo (EN) B1ab(iii).

Justificativa:  Coleodactylus natalensis é endêmica do Brasil, ocorrendo apenas no estado do Rio Grande do Norte. A extensão de ocorrência calculada é de 2.185,5 km2 (B1). A espécie é rara e ocorre na Mata Atlântica (dunas, restingas e mata estacional), Caatinga e ecótonos, em baixa densidade. Esses ambientes são fortemente fragmentados pela expansão urbana e turismo desordenados, causando também a fragmentação da população (interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações) (a), assim como, declínio continuado da qualidade do hábitat [b(iii)]. Por essas razões, Coleodactylus natalensis foi avaliada como Em perigo (EN) pelo o critério B1ab(iii).

Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior:  Não é o caso.

Avaliações em outras escalas: 
Internacional:  Na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) a espécie foi avaliada como Dados Insuficientes (DD) (Nogueira 2010).
Estaduais:  Não há.



Coleodactylus natalensis é endêmica do Brasil (Nogueira 2010). Ocorre em região de mata entre as dunas no município de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte (RN) (Relatórios de atividades do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade – SISBio, 2013; Lisboa, 2008; Lisboa & Freire, 2012; Lisboa et al., 2008; 2012; Sousa & Freire, 2011). Sua extensão de ocorrência é de 2.185,5 km2, calculada via mínimo polígono convexo formado a partir dos pontos de registro.

Lisboa e Freire (2012) no Parque Estadual Dunas de Natal, no estado de Rio Grande do Norte, registraram 205 espécimes  em 384 quadrados avaliados, sendo cada quadrado de 1 m×50, onde a média de espécimes encontrados na área estudada foi de 98.5 indivíduos por ha-1.

Coleodactylus natalensis ocorre no bioma Mata Atlântica do Nordeste do Brasil, em região de mata entre as dunas da cidade de Natal (RN). É a menor espécie do gênero e um dos menores lagartos da América do Sul. Fêmeas são significativamente maiores que machos, atingindo comprimento rostro-clocal máximo de 24mm e 22mm, respectivamente. Apresenta dicromatismo sexual, comum no gênero. Em relação a sua dieta, são seletivos, preferindo presas maiores mas menos abundantes no folhiço. Os itens mais importantes em sua dieta são Isopoda e Araneae, sendo Gryllidae consumido em ambientes abertos (Lisboa et al, 2012). Preferem locais de altitudes mais baixas, mais úmidos e com temperaturas mais baixas (Lisboa & Freire, 2012). Sousa e Freire (2011) observaram que a espécie não se expõe diretamente ao sol, movendo-se igualmente entra áreas filtradas e com sol. Embora prefira viver no folhiço de ambientes florestados e sombreados, também ocorre em menor abundância em restinga e dunas do parque em que vive, locais menos sombreados (Lisboa et al, 2012). Isto pode ser resultado de uma pré-adaptação a áreas abertas, vantajoso para a conservação da espécie (Capistrano & Freire, 2008). Apresenta uma ninhada fixa de um ovo por fêmea (Lisboa et al, 2009). Por ser uma espécie críptica, de tamanho diminuto e de distribuição endêmica, pode ser que existam novas populações ainda desconhecidas que podem aumentar sua área de distribuição (Lisboa & Freire, 2012).

Trata-se de espécie de distribuição restrita, densidade relativamente baixa, em meio a um ambiente extremamente impactado em decorrência da ocupação urbana (Lisboa & Freire, 2012) e turismos desordenados, causando poluição, desmatamento e possivelmente fragmentação severa da população, (interrupção do fluxo gênico entre as subpopulações).

A espécie ocorre na área de abrangência do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica Nordestina (Brasil2013).

Área de Proteção Ambiental Bonfim / Guaraíra e Parque Estadual Dunas de Natal.

Espécie rara e diminuta, a adoção de medidas visando a conservação da espécie e monitoramento de suas subpopulações são imprescindíveis para sua conservação, onde ocupa ambientes muito restritos e ameaçados.

BRASIL Portaria ICMBio nº. 200 de 1° de Julho de 2013. Diário Oficial da União. Edição nº 125/2013, Seção 1, terça-feira, 02 de julho de 2013.


CAPISTRANO, M. T.; FREIRE, E. M. X. Utilização de hábitats por Coleodactylus natalensis Freire, 1999 (Squamata; Sphaerodactylidae) no Parque Estadual das Dunas de Natal, Rio Grande do Norte. Publica, v. 4, n. 2, p. 48-56, 2008

Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Relatórios de atividades do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade – SISBio, disponibilizado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN), 2013.

LISBOA, C. M. C. A. Estrutura da população de Coleodactylus natalensis Freire, 1999 (Squamata: Sphaerodactylidae) no Parque Estadual Dunas de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. 2008. Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Biociências.

LISBOA, C. M. C. A.; FREIRE, E. M. X. Population density, habitat selection and conservation of Coleodactylus natalensis (Squamata: Sphaerodactylidae) in an urban fragment of Atlantic Forest in northeastern Brazil. South American Journal of Herpetology, v. 7, n. 2, p. 181-190, 2012.

LISBOA, C. M. C. A.; SALES, R. F. D.; FREIRE, E. M. X. Feeding ecology of the pygmy gecko Coleodactylus natalensis (Squamata: Sphaerodactylidae) in the Brazilian Atlantic Forest. Zoologia, v. 29, n. 4, p. 293-299, Aug 2012.

LISBOA, C. M. C. A. et al. Coleodactylus natalensis (NCN). Clutch size; Hatchling size. Herpetological Review, v. 40, n. 2, p. 220-221, Jun 2009.

NOGUEIRA, C. 2010. Coleodactylus natalensis. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 2014.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 13 October 2014.

SOUSA, P. A. G. D.; FREIRE, E. M. X. Thermal ecology and thermoregulatory behavior of Coleodactylus natalensis (Squamata: Sphaerodactylidae), in a fragment of the Atlantic Forest of northeastern, Brazil. Zoologia, v. 28, n. 6, p. 693-700, Dec 2011.

UÉTZ, P.. Coleodactylus natalensis. Reptile Databese. http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Coleodactylus&species=natalensis. Acesso em:10/04/2014.

II Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Lagartos no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó - SP, no período de 18 a 22 de agosto de 2014.

Facilitador(es): Márcio Roberto Costa Martins (USP) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)

Avaliadores :
Adriano Lima Silveira (MN/UFRJ), Carlos Frederico Duarte da Rocha (UERJ), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP), Fernanda de Pinho Werneck (INPA),  Geraldo Jorge Barbosa de Moura (UFRPE), Gisele Regina Winck  (UERJ), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Mara Cíntia Kiefer (UFF), Marco Antônio de Freitas (PARNA Catimbau), Marco Antônio Ribeiro Júnior (MPEG), Marinus Steven Hoogmoed (MPEG), Moacir Santos Tinoco (UCSAL),  Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Renata Cardoso Vieira (UFRGS), Renata Perez Maciel (UFRGS), Renato Gomes Faria (UFSE), Renato Recoder (USP), Robson Waldemar Ávila (URCA), Selma Torquato da Silva (UFAL),Síria Lisandra de Barcelos Ribeiro (UFOPA),Teresa Cristina Sauer de Ávila Pires (MPEG).

Colaborador(es):
Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (CHUNB) e Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO/ICMBio).

Apoio: Augusto de Deus Pires (RAN/ICMBio), Jéssica Fenker Antunes (Bolsista/RAN/ICMBio), Leonardo Gonçalves Tedeschi (UnB), Nadya Lima (Bolsista/RAN/ICMBio), Rafael Martins Valadão (RAN/ICMBio), Guarino Rinaldi Colli (UnB), Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio)


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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