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Peixes - Lopholatilus villarii Miranda Ribeiro, 1915 - Peixe-batata

Classificação Taxonômica
Grupo
Classe:
Ordem:
Família:
Espécie:
Nome Vulgar:
Peixes
Actinopterygii
Perciformes
Malacanthidae
Lopholatilus villarii Miranda Ribeiro, 1915
Peixe-batata
Categoria de Ameaça
Categoria Validada:
Critério Validado:
Presença Lista Anterior:
VU
A4bd
Justificativa
Lopholatilus villarii distribui-se no Atlântico ocidental, do estado do Rio Grande do Norte, Brasil, até a Argentina. É mais comum da costa central do Brasil para o sul, encontrada em fundos rochosos e, como forma agregações, sua distribuição não é contínua . A espécie era relativamente abundante no passado e passou a ser explorada principalmente a partir da década de 1950, mantendo-se em condições sustentáveis até meados da década de 1990. Com a introdução da pesca de espinhel-de-fundo nesse período, a abundância da espécie decaiu rapidamente nos anos seguintes. Estatísticas oficiais reportaram quedas de 52% entre 1996 a 2007, levando-se em conta que os estoques são explorados e esgotados em sequência. A partir de 2007, a metodologia de coleta de dados foi modificada, não permitindo comparações. Declínios significativos de produção foram registrados nos estados de RJ, SP, SC e RS, sendo que na Bacia Oceanográfica Sudeste (22º a 28º S) houve quedas de até 50% na biomassa entre 1994 e 1999. Nesse mesmo período, houve também redução de 10% do comprimento total do tamanho médio da espécie. O crescimento lento, o baixo valor de k (coeficiente de crescimento), a alta longevidade e o fato de indivíduos serem recrutados pela pesca de espinhel com cerca de cinco anos e ainda menores pela pesca de arrasto, faz com o poder de recuperação do estoque seja ainda mais reduzido. A análise desses fatores, combinada com os declínios registrados nos desembarques e na biomassa, permite inferir uma redução de, pelo menos, 30% na população dessa espécie no Brasil. Portanto, L. villarii foi listada como Vulnerável (VU) sob o critério A4 bd. Embora seja uma espécie compartilhada com outros países, não foram encontradas informações sobre os estoques do Uruguai e Argentina que justificassem a alteração dessa categoria. Dada a situação do estado de conservação da espécie, é extremamente urgente a elaboração de medidas de gerenciamento pesqueiro, tais como a criação de áreas de exclusão de pesca e dimensionamento e limitação da frota.
Pesquisadores Participantes do Processo*

Acácio Gomes Tomas - Instituto de Pesca/SP, Ana Maria Torres Rodrigues - CEPSUL/ICMBio, André Martins Vaz-dos-Santos – UFPR, Flávia Lucena Fredou – UFRPE, Gianmarco Silva David - Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio, Luciano Gomes Fischer – FURG, Marcelo Roberto Souto de Melo – USP, Michael Mincarone – UFRJ, Ning Labbish Chao – UFAM, Roberta Aguiar dos Santos - CEPSUL/ICMBio, Rodrigo Antunes Caires – MZUSP.

* São listados os nomes de todos os pesquisadores que participaram de qualquer etapa do processo de avaliação do estado de conservação da espécie (envio de informações e oficina de avaliação). A categoria foi determinada na oficina pela maioria dos participantes, seguindo rigorosamente o método utilizado, e posteriormente validada seguindo o método de análise de consistência.

Referências
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Fagundes-Netto, E.B.; Gaelzer, L.R.; Carvalho, W.F.; Costa, P.A.S., 2005. Prospecção de recursos demersais com armadilhas e pargueiras na região central da Zona Econômica Exclusiva entre Salvador-BA (13°S) e o Cabo de São Tomé-RJ (22°S). In: Costa, P.A.S.; Martins, A.S.; Olavo, G. (Eds.) Pesca e potenciais de exploração de recursos vivos na região central da Zona Econômica Exclusiva brasileira. Rio de Janeiro: Museu Nacional. p.129-143 (Série Livros n.13).
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