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Peixes - Lutjanus purpureus (Poey, 1876) - Pargo

Classificação Taxonômica
Grupo
Classe:
Ordem:
Família:
Espécie:
Nome Vulgar:
Peixes
Actinopterygii
Perciformes
Lutjanidae
Lutjanus purpureus (Poey, 1876)
Pargo
Categoria de Ameaça
Categoria Validada:
Critério Validado:
Presença Lista Anterior:
VU
A2bcd
Justificativa
Lutjanus purpureus, o pargo, é uma espécie demersal marinha do Atlântico ocidental tropical, ocorrendo em ambientes recifais entre 20 e 340 m de profundidade, mas sendo geralmente encontrada entre 70 e 120 m. Seu limite sul de distribuição no Brasil é o estado da Bahia. O pargo representou um importante recurso pesqueiro no nordeste do Brasil entre as décadas de 1960 e 1980, quando as capturas colapsaram após 10 a 20 anos de exploração. Nesse ciclo, a espécie foi inicialmente explorada na região da cadeia de montes submarinos do nordeste brasileiro (área 1), com esforço e produção crescente até 1967. A pesca nesses montes submarinos, entretanto, colapsou rapidamente, com redução de 80% dos desembarques (4862 t ano em 1967 para 1008 t ano em 1970). Após isso, a frota passou a explorar novas áreas na plataforma continental, do estado do Ceará em direção ao Norte do Brasil (área 2), onde a pesca também colapsou, em níveis aparentemente semelhantes aqueles observados nos montes submarinos (80%). Atualmente, a pesca direcionada ao pargo ocorre quase que exclusivamente no litoral norte do Brasil (área 3), embora um tímido retorno da pesca no Nordeste tenha sido registrado a partir de 1996. Estima-se que o declínio de 80% na área 1 e na área 2, somado ao declínio de 30% na área 3 (mais extensa) implicam em um declínio populacional de aproximadamente 45% em três tempos geracionais (57 anos) no Brasil. Existem indícios de conexão gênica entre a subpopulação brasileira de de L. purpureus e aquelas do norte da América do Sul, mas não se sabe se existe um aporte significativo entre essas subpopulações. Por esses motivos, L. purpureus foi categorizada como Vulnerável (VU), sob o critério A2bd. Ressalta-se que o litoral Norte brasileiro pode ser considerado como o último reduto economicamente viável de exploração da espécie. Embora os desembarques ainda sejam relativamente elevados nessa região, esse recurso foi considerado como plenamente explorado de acordo com dados coletados até o ano de 2000. Portanto, é fundamental a adequação das medidas de manejo da pesca em vigência para que haja recuperação da espécie em toda sua área de ocorrência, bem como medidas de manejo eficientes na região Norte, para que o colapso da pesca da espécie seja evitado. Estudos de conectividade entre as subpopulações nacional e estrangeiras também são recomendados. Devido aos riscos e incertezas de uma população vulnerável e fortemente explorada, os avaliadores recomendam que esta espécie seja reavaliada em no máximo, um ano.
Pesquisadores Participantes do Processo*

Agnaldo Silva Martins – UFES, Ana Lídia Bertoldi Gaspar – UFF, Áthila Bertoncini Andrade – UFF, Beatrice Padovani Ferreira – UFPE, Carlos Eduardo Leite Ferreira – UFF, Claudio Luis Santos Sampaio – UFAL, Flávia Lucena Frédou - UFRPE, George Olavo Mattos e Silva – UEFS, Gonzalo Velasco Canziani - FURG, José Dias Neto - IBAMA, Leopoldo Cavaleri Gerhardinger - ECOMAR (Rede Meros do Brasil), Luiz Rocha - California Academy of Sciences, EUA, Mauricio Hostim Silva, Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Matthew Craig - University of Puerto Rico, EUA, Rodrigo Leão de Moura – UFRJ, Ronaldo Francini-Filho – UFPB, Sergio Magalhães Rezende – UFPE, Sergio Ricardo Floeter – UFSC, Simone Marques - Instituto Mar Adentro, Yvonne Sadovy de Mitcheson - University Of Hong Kong, China.

* São listados os nomes de todos os pesquisadores que participaram de qualquer etapa do processo de avaliação do estado de conservação da espécie (envio de informações e oficina de avaliação). A categoria foi determinada na oficina pela maioria dos participantes, seguindo rigorosamente o método utilizado, e posteriormente validada seguindo o método de análise de consistência.

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