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Mamíferos - Lagothrix poeppigii - Macaco barrigudo

Avaliação do Risco de Extinção de Lagothrix poeppigii Schinz, 1844 no Brasil

André Luis Ravetta1, Camila Crispim Muniz2 & Anthony B. Rylands3



1 Programa de Pós-Graduação em Zoologia, Museu Paraense Emílio Goeldi / Universidade Federal do Pará, Belém – Pará. < alravetta@museu-goeldi.br>

2Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. <camilacrispim@gmail.com>

3Conservation International - CI, Arlington, Virginia, USA. <a.rylands@conservation.org> 


 Lagothrix poeppigii Kelsey Ellis CPB Lagothrix poeppiggii
 
Ordem: Primates
Família: Atelidae
Nomes comuns por região/língua:
Português
– Macaco-barrigudo, Macaco-barrigudo-prateado.
Inglês – Poeppig’s woolly monkey, Lowland Wolly Monkey, Silvery Woolly Monkey, Woolly Monkey
Outros – Mono Barrigudo, Caparro

Sinonímia/s: Lagothrix castelnaui I. Geoffroy Saint-Hilaire & Deville, 1848

Notas taxonômicas: 
A proveniência de um macaco juvenil com pelagem de cor laranja ilustrada por Cruz Lima (1945) era desconhecida até recentemente. A população foi encontrada por Carlos A. Peres no alto rio Jutaí, Amazônia (dentro da faixa de suposta L. poeppigii) e relatado por Van Roosmalen em seu sitio na internet, em 5 de agosto de 2003 (acessado em 29 de setembro de 2003). Van Roosmalen informou que filhotes e jovens desta forma alaranjada são frequentemente mantidos vivos pelos índios Katokina junto às cabeceiras dos rios Jutaí e Jutaizinho, e às vezes aparecem como animais de estimação na cidade de Eirunepe (rio Juruá). No mesmo sitio, Van Roosmalen descreveu um macaco-barrigudo de cor pálida e de proveniência desconhecida, visto como animais de estimação na cidade de Tabatinga. Van Roosmalen sugeriu que este pode ser uma forma ainda não descrita (Stevenson et al. 2008). Aqui está sendo seguida a proposta taxonômica de Rylands (2012).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável - A4cd.

Justificativa: 
Lagothrix poeppigii é uma espécie endêmica à Amazônia. Suspeita-se que esta espécie vem sofrendo redução populacional atingindo pelo menos 30%, em três gerações (45 anos), em decorrência da intensa caça, inclusive em terras indígenas onde o uso de armas de fogo e o acesso à áreas mais remotas é cada vez maior, aliada ao aumento da matriz rodoviária principalmente no Acre. Há informações de extinção em algumas localidades. Sendo assim, a espécie foi categorizada como Vulnerável (VU), sob o critério A4cd.

Histórico das avaliações nacionais anteriores: Quase Ameaçada (NT).

Avaliações em outras escalas:
Avaliação Global (IUCN): Vulnerável - A2cd.

História de vida

Maturidade sexual (anos)
Fêmea 6-8 (Eisenberg, 1977, Hayssen et. al. 1993).
Macho 5 (Eisenberg, 1977, Hayssen et. al. 1993).
Peso Adulto (g)
Fêmea 4530 (Lu 1999, citado em Di Fiore & Campbell 2007). 7400 (dado não publicado).
Macho 3600, 5000 (Filho et al., 2008 citado em Fooden 1963); 7100 (Lu 1999 citado em Di Fiore & Campbell 2007).
Comprimento Adulto (mm)
Fêmea Cabeça-corpo: 460±022,2 (Filho et al. 2008). 520 (dados não publicados).
Macho Cabeça-corpo: 489±033,6 (Filho et al. 2008).
Tempo geracional (anos)
15 (IUCN/SSC 2007)
Sistema de acasalamento Poligâmico (Di Fiore, 1997)
Intervalo entre nascimentos Desconhecido.
Tempo de gestação (meses)
7,5 (Eisenberg 1977; Hayssen et al. 1993).
Tamanho da prole 1 (Eisenberg 1977; Hayssen et al. 1993).
Longevidade 24,9 (indivíduo de cativeiro) (Jones 1982).
Características genéticas
Cariótipo: Desconhecido.
Lagothrix poeppigii não é endêmico ao Brasil, ocorrendo também no Equador e no Peru, enquanto no Brasil está presente nos estados do Acre e Amazonas, onde é residente e nativo (Stevenson et al. 2008). Ocorre ao sul do Rio Solimões e ao oeste do Rio Juruá nos estados do Amazonas e Acre (Filho et al. 2008). De acordo com Fooden (1963), o limite leste da faixa de L. poeppigii é o rio Juruá, mas formas variáveis de marrom avermelhado típico da espécie ocorrem até o rio Purus. A distribuição se estende a oeste no Peru e Equador, onde ocorre até os Andes a uma altitude máxima de 1800 m no Equador (Stevenson et al. 2008).
A extensão de ocorrência da espécie é maior que 20.000 km², mas sua área de ocupação é desconhecida.

O tamanho da população total remanescente não é conhecido e não se sabe se o número de indivíduos maduros deste táxon é superior a 10.000.
Lagothrix poeppigii apresenta tamanho médio dos grupos entre 23 e 25 indivíduos no Equador (Di Fiore 2003), entretanto há registro de grupos menores entre 10 e 23 (Soini 1986, Ramirez 1980).
Há o aporte de indivíduos de fora do Brasil (Í. Mourthé, comunicação pessoal), porém a contribuição relativa de populações estrangeiras para a manutenção das populações nacionais é desconhecida. Sabe-se que ocorre intensa caça no Peru e no Equador (Wildlife Conservation Society, 2002), entretanto não existem evidências de aumento/diminuição nos níveis de ameaça fora do Brasil, nem se sabe se essa ameaça possa interferir no declínio das populações brasileiras.

Informações sobre abundância populacional: 31 ind/km² Parque Nacional Yasuni - Equador (Di Fiore 1997).

Tendência populacional: Em declínio.

Lagothrix poeppigii ocorre em florestas primárias e não ocorre em florestas secundárias ou com perturbações antrópicas (Stevenson et al. 2008). O táxon é restrito a hábitats primários e não apresenta tolerância a modificações/perturbações no ambiente (Stevenson et al. 2008).
A área de vida do táxon é estimada em 108 – 400 ha (Di Fiore 2003).
As principais ameaças identificadas para o táxon foram: aumento da matriz rodoviária e caça. O táxon sofre com intensa caça, principalmente devido ao seu tamanho corporal (Peres, 1990). O impacto da caça tem aumentado em terras indígenas, onde o uso de armas de fogo e o acesso à áreas mais remotas é cada vez maior. No Acre, a ampliação da matriz rodoviária é também o principal fator de ameaça.
A espécie está listada no Apêndice II da CITES.

Acre: PARNA Serra do Divisor (837.555,19 ha) (Rylands & Bernardes 1989, Calouro 1999, Lopes & Rehg 2003).
Amazonas: ESEC Jutaí -Solimões (289.511,76 ha) (Rylands & Bernardes 1989, Stevenson et al. 2008), ARIE Javarí-Burití (13.177,01 ha) (Stevenson et al. 2008), RDS do Cujubim (2.450,38 ha) (dados não publicados).


Desconhecido.
Calouro, A.M. 1999. Riqueza de mamíferos de grande e médio porte do Parque Nacional da Serra do Divisor (Acre, Brasil). Revista Brasileira de Biologia, 16: 195-213.

Cruz Lima, E. 1945. Mammals of Amazonia: General Introduction and Primates, Volume 1. Contribution from the Museu Paraense Emílio Goeldi de Historia Natural e Etnografia, Belém do Pará.

Di Fiore, A. & Campbell, C.J. 2007. The atelines: variation in ecology, behavior, and social organization. Pp. 155-185. In: Campbell, C.J.; Fuentes, A.; Mackinnon, K.C.; Panger, M. & Bearder, S.K. (eds.). Primates in Perspective. Oxford University Press, Oxford, UK.720p.
Di Fiore, A. 1997. Ecology and Behavior of Lowland Woolly Monkeys (Lagothrix lagotricha poeppigii, Atelinae) in Eastern Ecuador. Dissertação (Mestrado). University of California, Davis.

Di Fiore, A. 2003. Ranging behavior and foraging ecology of lowland woolly monkeys (Lagothrix lagotricha poeppigii) in Yasuní National Park, Ecuador. American Journal of Primatology, 59 (2): 47 - 66.

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Filho, H.O.; Reis, N.R.; Zanon, C.M.V. & Ferrari, S.F. 2008. Gênero Lagothrix E. Geoffroy St. Hilaire, 1812. Pp. 181-185. In: Reis, N.R.; Peracchi, A.L. & Andrade, F.R. (orgs.). Primatas Brasileiros. Technical Books Editora, Londrina. 260p.

Fooden, J. 1963. A revision of the woolly monkeys (genus Lagothrix). Journal of Mammalogy, 44 (2): 213-247.

Haysen, V.; Van Tienhoven, A. & Van Tienhoven, A. 1993. Asdell´s patterns of mammalian Reproduction: A Compendium of Species-specific Data. Comstock, Cornell University Press, Ithaca, NY. 1023p.

IUCN/SSC Neotropical Primates Species Assessment Workshop (Red List). 2007. Oficina realizada em novembro de 2007 em Orlando, FL.

Jones, M.L.1982. Longevity of captive mammals. Zoologische Garten, 52: 113-128.

Lopes, M.A.O.A. & Rehg, J.A. 2003. Observation of Callimico goeldii with Saguinus imperator in the Serra do Divisor National Park, Acre, Brazil. Neotropical Primates, 11 (3): 181-183.

Lu, F.E. 1999. Changes in Subsistence Patterns and Resource Use of the Huaroni Indians in the Ecuadorian Amazon.Tese de Doutorado, University of North Carolina, Chapel Hill, NC.

Peres, C.A. 1990. Effects of hunting on western Amazonian primate communities. Biological Conservation, 54: 47-59.

Ramirez, M. 1980. Grouping patterns of the woolly monkey, Lagothrix lagothricha, at the Manu National Park, Peru. American Journal of Physical Anthropology, 52: 269.

Rylands, A.B. 2012. Taxonomy of the Neotropical Primates – database. International Union for Conservation of Nature (IUCN), Species Survival Commission (SSC), Primate Specialist Group, IUCN, Gland.

Rylands, A.B. & Bernardes, A.T. 1989. Two Priority Regions for primate Conservation in the Brazilian Amazon. Primate Conservation, 10: 56-62.

Soini, P. 1986. A. synecological study of a primate community in the Pacaya-Samiria National Reserve, Peru. Primate Conservation, 7: 63-71.

Stevenson, P.; Link, A.; di Fiore, A.; de La Torre, S. & Boubli, J.P. 2008. Lagothrix poeppigii. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species, Version 2011.2. Disponível em www.iucnredlist.org. Acessado em 21/11/2011.

van Roosmalen, M.G.M. 2003. New species from Amazonia. Disponível em http://amazonnewspecies.com. Acessado em 01 de agosto de 2012.

Wildlife Conservation Society, 2002. A Caça em Floresta Neotropicais: Revisão das Questões, Identificação de Lacunas e Elaboração de Estratégias. Relatório do Workshop, Peru, 206 p.

Citação:
Ravetta, A. L.; Muniz, C. C.; Rylands, A. B. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Lagothrix poeppigii Schinz, 1844 no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/7192-mamiferos-lagothrix-poeppigii-macaco-barrigudo.html

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros.
Data de realização: 30 de julho a 03 de agosto de 2012.
Local: Iperó, SP.

Avaliadores:
Alcides Pissinatti, Amely B. Martins, André C. Alonso, André de A. Cunha, André Hirsch, André L. Ravetta, Anthony B. Rylands, Armando M. Calouro, Carlos E. Guidorizzi, Christoph Knogge, Fabiano R. de Melo, Fábio Röhe, Fernanda P. Paim, Fernando de C. Passos, Gabriela Ludwig, Gustavo R. Canale, Ítalo Mourthé, Jessica W. Lynch Alfaro, João M. D. Miranda, José Rímoli, Júlio C. Bicca-Marques, Leandro Jerusalinsky, Leandro S. Moreira, Leonardo G. Neves, Leonardo de C. Oliveira, Líliam P. Pinto, Liza M. Veiga, Maria Adélia B. de Oliveira, Marcos de S. Fialho, Mariluce R. Messias, Mônica M. Valença-Montenegro, Rosana J. Subirá, Renata B. Azevedo, Rodrigo C. Printes, Waldney P. Martins e Wilson R. Spironello.

Colaboradores:
Amely B. Martins (Ponto Focal), André C. Alonso (Apoio), Camila C. Muniz (Apoio), Carlos E. Guidorizzi (Facilitador), Emanuella F. Moura (Apoio), Fabiano R. de Melo (Coordenador de táxon), Gerson Buss (Apoio), Liza M. Veiga (Coordenador de táxon), Marcos de S. Fialho (Coordenador de táxon), Rosana J. Subirá (Facilitadora), Taissa Régis (Apoio) e Werner L. F. Gonçalves (Apoio).

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