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Mamíferos - Saimiri vanzolinii- Macaco de cheiro de cabeça preta

Avaliação do Risco de Extinção de Saimiri vanzolinii Ayres, 1985 no Brasil

Fernanda Pozzan Paim1, José de Sousa e Silva Júnior2 & Helder Lima de Queiroz3



1Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Tefé. <fernanda@mamiraua.org.br>.

2Coordenação de Zoologia, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém. <cazuza.junior@gmail.com>.

3Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Tefé. <helder@mamiraua.org.br>. 


 Saimiri vanzolinii Fernanda Pozzan Paim CPB Cópia
 Saimiri vanzolinii

Ordem: Primates
Família: Cebidae
Nomes comuns por região/língua:
Português
– Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta.
Inglês – Black-headed Squirrel Monkey, Black Squirrel Monkey.

Sinonímia/s: Saimiri vanzolinii Ayres, 1985; Saimiri boliviensis vanzolinii Ayres, 1985 (Hershkovitz 1987)

Notas taxonômicas: Saimiri vanzolinii Ayres, 1985 foi descrita com base em 13 exemplares coletados na região de confluência dos rios Solimões e Japurá, e depositados no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Posteriormente, dois parátipos foram transferidos para a coleção de mamíferos do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG 21362, 21363). A localidade tipo é a margem norte do lago Mamirauá, Amazonas, Brasil. Ayres (1985) alocou S. vanzolinii no grupo de espécies “Saimiri boliviensis” (ou grupo Romano) do arranjo taxonômico de Hershkovitz (1984). Após examinar a série tipo, Hershkovitz (1987) considerou o táxon descrito por Ayres (1985) como uma subespécie de Saimiri boliviensis: S. b. vanzolinii. Embora não tenha examinado nenhum exemplar, Costello et al. (1993) baseou-se nos dados descritos por Ayres (1985) para considerar de S. vanzolinii como um sinônimo júnior de S. sciureus. Todos os autores subsequentes seguiram Ayres (1985) considerando S. vanzolinii como uma espécie plena.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Vulnerável D2

Justificativa: Saimiri vanzolinii é uma espécie endêmica à região amazônica, restrita à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e duas pequenas ilhas fora desta unidade de conservação. Sua extensão de ocorrência foi estimada em aproximadamente 870 km². Existe somente uma população e estima-se que esta apresente menos de 10.000 indivíduos adultos. As principais ameaças estão relacionadas à redução de hábitat, hibridação com S. cassiquiarensis, que também invade sua área de ocupação, além de eventos sazonais de inundação extrema, que vêm ocorrendo com maior frequência. Suspeita-se que esses fatores estejam levando sua população a um declínio continuado. Por esses motivos, essa espécie foi categorizada como Vulnerável (VU) pelo critério D2.

Histórico das avaliações nacionais anteriores: Vulnerável D2 - A3c; B1ab (i,ii,v).

Avaliações em outras escalas:
Avaliação Global (IUCN): Vulnerável D2

História de vida

Maturidade sexual (anos)
Fêmea 3 (para S. sciureus) (Robinson & Janson 1987, Stone 2007).
Macho 4,5 (para S. sciureus) (Robinson & Janson 1987, Stone 2007).
Peso Adulto (g)
Fêmea 650 (Jack 2007).
Macho 950 (Jack 2007).
Comprimento Adulto (mm)
Fêmea Cabeça-corpo: 312, cauda: 405 (para S. sciureus) (Rowe 1996).
Macho Cabeça-corpo: 318, cauda: 409 (para S. sciureus) (Rowe 1996).
Tempo geracional (anos)
8 (IUCN/SSC 2007)
Sistema de acasalamento Poligâmico (Jack, 2007).
Intervalo entre nascimentos 2 anos (para S. boliviensis) (Boinsky et al. 2002).
Tempo de gestação (meses)
5 (para S. sciureus) (Stone 2004).
Tamanho da prole 1 (Rowe, 1996).
Longevidade 21 anos (cativo, S. sciureus) (Ross & Jones 1999).
Características genéticas
Cariótipo: O cariótipo de S. vanzolinii foi descrito por Yassuda & Chu (1985). Como as demais formas de Saimiri, S. vanzolinii possui número diploide de 44 (2n = 44). O complemento cromossômico é de 15-6 (15 pares de cromossomos não acrocêntricos e 6 pares acrocêntricos).
Informações sobre variabilidade genética do táxon (padrões filogeográficos e relações filogenéticas): Saimiri vanzolinii é a espécie mais recente do gênero, radiada há aproximadamente 250 a 150 mil anos, tendo como espécie irmã S. ustus (Lynch-Alfaro et al. 2014). Estudos recentes apontam hibridização entre S. vanzolinii com duas espécies peripátricas: S. macrodon e S. cassiquiarensis (Paim et al. 2013).

Saimiri vanzolini é uma espécie endêmica do Brasil, ocorrendo apenas no estado do Amazonas (Boubli & Rylands 2008). De acordo com Ayres (1985), a distribuição geográfica da espécie abrangeria 950 km², sendo uma das menores dentre os primatas neotropicais. No entanto, Paim et al. (2013) observaram que a distribuição é ainda menor, não ultrapassando 870 km². A espécie está limitada à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM), onde ocorre em peripatria com S. macrodon e S. cassiquiarensis. A espécie também foi registrada por Ayres (1985) em duas pequenas ilhas do rio Solimões (Tarará e Capucho), adjacentes à Reserva. Schwindt & Ayres (2004) indicaram que pequenos canais de rios segmentam populações e que a espécie está ausente em algumas ilhas com hábitats favoráveis. Esses autores verificaram também uma retração na distribuição, indicando que uma área antes ocupada por S. vanzolinii passou, após dez anos, a ser ocupada pela espécie peripátrica S. cassiquiarensis.

Estimativas populacionais recentes estimam entre 5.500 a 10.900 indivíduos no total (Bezerra et al. 2013), inferindo-se que o número de indivíduos maduros é certamente menor que 10.000. O tamanho médio dos grupos sociais variou entre os extremos sazonais, sendo de 25,9+12,4 na estação da seca e 21+12,58 na estação da cheia (Paim 2008).

Informações sobre abundância populacional: Não há informações publicadas disponíveis.

Tendência populacional: Em declínio, considerando a invasão de S. cassiquiarensis na área de ocupação de S. vanzolinii e os eventos extremos de inundação e seca cada vez mais frequentes, o que favorece alterações no habitat da espécie (F. Paim, observação pessoal).

As espécies do gênero Saimiri podem ser encontradas em diversos tipos de florestas: tropicais úmidas ou secas, primárias, secundárias e em fragmentos (Baldwin 1985). Silva Júnior & Queiroz (2008) observaram que S. vanzolinii apresenta preferência por hábitats mais úmidos, concentrando as mais altas densidades ao longo de cursos d’água e em florestas alagáveis. De acordo com Paim (2008), S. vanzolinii apresenta preferência pelos habitats mais baixos da várzea (chavascal), enquanto as outras formas congenéricas (S. macrodon e S. cassiquirensis) preferem as várzeas baixas, em ambos os extremos sazonais (cheia e seca). O tamanho da área de uso da espécie permanece desconhecido, mas acredita-se que, assim como para outras espécies de Saimiri (Terborgh 1983), possa alcançar 250 hectares.

As principais ameaças identificadas para o táxon foram: população muito pequena, restrita a apenas 3 localidades: Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Ilha Capucho e Ilha Tarará (Paim et al. 2013). A maior parte da população está concentrada na RDSM, sendo as populações das ilhas isoladas e pouco representativas. Desta forma, a população está sujeita a efeitos das atividades humanas na área, uma vez que ocorre em uma unidade de conservação de uso sustentável, além de efeitos estocásticos e decorrentes de alterações climáticas no bioma Amazônico.
A espécie está listada no Apêndice II da CITES.

Amazonas: RDS Mamirauá (1.124.000 ha) (Ayres 1985; Silva Júnior & Queiroz 2008; Paim et al. 2013).



O conhecimento sobre a história natural de Saimiri vanzolinii estava resumido às observações de Ayres (1985) e Schwindt & Ayres (2004). Silva Júnior & Queiroz (2008) descreveram, no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, as seguintes considerações: “Existe a necessidade de se conhecer melhor o seu modo de vida, os efeitos da fragmentação em populações isoladas e as relações com a outra espécie do mesmo gênero, a partir da realização de estudos sobre sua ecologia e comportamento. Esse conhecimento será indispensável para que sejam avaliadas as possibilidades de conservação em longo prazo, subsidiando a elaboração de um plano de manejo para a espécie”. Ainda existem poucos estudados realizados com a espécie, e estes abordam temas como distribuição geográfica, morfologia e bioacústica. Paim & Queiroz (2009) analisaram alguns parâmetros acústicos da vocalização de S. vanzolinii e de duas espécies peripátricas, ressaltando diferenças entre elas e auxiliando na definição dos grupos taxonômicos. Paim et al. (2013) determinaram os limites da distribuição geográfica, preenchendo as lacunas de conhecimento que permaneciam desde a descrição da espécie. Lynch-Alfaro et al. (2014) utilizaram métodos filogeográficos para explicar a diversificação do gênero Saimiri em toda a Amazônia. Nesse estudo, os autores sugeriram as áreas de endemismo Rondônia e Inambari como os locais mais prováveis de origem do grupo. Lynch-Alfaro et al. (2014) identificaram o rio Amazonas como a principal barreira à dispersão de Saimiri, e estimaram uma diversificação recente dentro do gênero, ocorrida entre 1.4 e 0.6 Ma. Saimiri vanzolinii revelou-se o grupo irmão de um clado de S. ustus, contradizendo a divisão tradicional de Saimiri nos grupos de espécies “Gótico” e “Romano”.



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Citação:
Paim, F. P.; Silva Júnior, J. S.; Queiroz. H. L. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Saimiri vanzolinii Ayres, 1985 no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira.  ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7268-mamiferos-saimiri-vanzolinii-macaco-de-cheiro-de-cabeca-preta.html

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros.
Data de realização: 30 de julho a 03 de agosto de 2012.
Local: Iperó, SP.

Avaliadores:
Alcides Pissinatti, Amely B. Martins, André C. Alonso, André de A. Cunha, André Hirsch, André L. Ravetta, Anthony B. Rylands, Armando M. Calouro, Carlos E. Guidorizzi, Christoph Knogge, Fabiano R. de Melo, Fábio Röhe, Fernanda P. Paim, Fernando de C. Passos, Gabriela Ludwig, Gustavo R. Canale, Ítalo Mourthé, Jean P. Boubli, Jessica W. Lynch Alfaro, João M. D. Miranda, José Rímoli, Júlio C. Bicca-Marques, Leandro Jerusalinsky, Leandro S. Moreira, Leonardo G. Neves, Leonardo de C. Oliveira, Líliam P. Pinto, Liza M. Veiga, Maria Adélia B. de Oliveira, Marcos de S. Fialho, Mariluce R. Messias, Mônica M. Valença-Montenegro, Rosana J. Subirá, Renata B. Azevedo, Rodrigo C. Printes, Waldney P. Martins, Wilson R. Spironello.

Colaboradores:
Amely B. Martins (Ponto Focal), André C. Alonso (Apoio), Camila C. Muniz (Apoio), Carlos E. Guidorizzi (Facilitador), Emanuella F. Moura (Apoio), Fabiano R. de Melo (Coordenador de táxon), Gerson Buss (Apoio), Liza M. Veiga (Coordenador de táxon), Marcos de S. Fialho (Coordenador de táxon), Rosana J. Subirá (Facilitadora), Taissa Régis (Apoio), Werner L. F. Gonçalves (Apoio).

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