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Mamíferos - Cacajao hosomi - Uacari

Avaliação do Risco de Extinção de Cacajao hosomi (Boubli, da Silva, Amado, Herbk, Pontual & Farias, 2008)no Brasil

André Chein Alonso1



1Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, ICMBio. 


 Cacajao hosomi Jean Philipe Boubli CPB Cacajao hosomi

Ordem: Primates
Família: Pitheciidae

Nomes comuns por região/língua:
Português
– Uacari, bicó
Inglês – Black-headed Uacari, Uakari
Outros – Mono Chucuto (espanhol), Ronsho-ronshome (yanomami)

Sinonímia/s: Cacajao melanocephalus melanocephalus

Notas taxonômicas: Esta espécie foi descrita recentemente por Boubli et al. (2008) e neste trabalho seguimos a taxonomia dos primatas neotropicais proposta por Rylands (2012).

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em Perigo (EN) - A4d.

Justificativa: Cacajao hosomi possui distribuição restrita e, apesar de ocorrer em Unidade de Conservação, essa área se sobrepõe quase inteiramente com Terras Indígenas, onde vem sendo relevante o aumento populacional dos Yanomamis e, consequentemente, o aumento da pressão de caça focada nessa espécie, principalmente pelo uso de armas de fogo e o acesso às áreas mais remotas que é cada vez maior. Suspeita-se que a espécie ocupe uma área relativamente menor em virtude da existência de lacunas de registro na extensão de ocorrência e ocupação (EOO). Devido a isso, suspeita-se uma redução de pelo menos 50% da população ao longo de três gerações, sendo assim categorizado como Em Perigo (EN) sob o critério A4d.

Histórico das avaliações nacionais anteriores: Táxon não consta na última avaliação nacional.

Avaliações em outras escalas:
Avaliação Global (IUCN): Vulnerável (VU) - A2d.

História de vida

Maturidade sexual (anos)
Fêmea Desconhecido.
Macho Desconhecido.
Peso Adulto (g)
Fêmea 3100 (Boubli et al. 2008).
Macho 4500 (Boubli et al. 2008).
Comprimento Adulto (mm)
Fêmea 638 (Boubli et al. 2008).
Macho 690 (Boubli et al. 2008).
Tempo geracional (anos)
10 (IUCN/SSC 2007)
Sistema de acasalamento Poligâmico (Boubli 1997).
Intervalo entre nascimentos Desconhecido.
Tempo de gestação (meses)
6 meses para Cacajao calvus calvus (Ayres 1986).
Tamanho da prole 1 indivíduo.
Longevidade Desconhecido.
Características genéticas
Informações sobre variabilidade genética do táxon (padrões filogeográficos e relações filogenéticas): Este táxon é espécie irmã de Cacajao ayresi, tanto morfologicamente como molecularmente são muito semelhantes.

O táxon não é endêmico ao Brasil, ocorrendo também na Venezuela (Boubli et al 2008). No Brasil está presente no estado do Amazonas, onde é residente e nativo.
A distribuição desta espécie é delimitada a sul e a oeste pelo rio Negro (Brasil e Venezuela), e a leste pelo rio Marauiá (Brasil), e pelo canal Cassiquiare e rio Orinoco, ao norte (Venezuela) (Boubli et al, 2008). A espécie pode ocorrer ao norte do canal Cassiquiari (Boubli et al, 2008). É preciso uma maior amostragem no lado Venezuelano, ao longo do canal Cassiquiari e alto Orinoco.
Há indicações (inferências, suspeitas) de que a distribuição atual do táxon está reduzida em relação a sua área de ocupação ou extensão de ocorrência histórica. Outrora abundante ao longo do Canal Maturacá (um canal natural que liga o rio Cauaburi no Brasil com o Canal Cassiquiari na Venezuela), atualmente é considerado raro nesta região devido à pressão intensa de caça por garimpeiros e pelas comunidades tradicionais (Boubli 1999). A consequência deste impacto pode ser a extinção local em grande parte da distribuição no sul da Venezuela, estando as populações remanescentes restritas às florestas do interflúvio Baria-Manipitari (Lehman & Robertson 1994).
A extensão de ocorrência da espécie é 11.257 Km² (Mínimo Polígono Convexo - MPC), mas provavelmente é maior por ocorrer em todo o Parque do Pico da Neblina. Não se sabe se área de ocupação da espécie é maior que 2.000 Km².

No PARNA Pico da Neblina o tamanho de um grupo de Cacajao hosomi foi estimado em cerca de 70 indíviduos por Boubli (1997).
Apesar da relativamente grande área de distribuição, o declínio populacional é suspeitado considerando a caça focada nesta espécie, em uma área que é conhecida pelos indígenas como “matas de fome”, pela ausência de “caça” em extensas áreas. A espécie ocupa efetivamente uma área muito menor, pois há varias lacunas de registro em sua distribuição.
O tamanho da população total remanescente não é conhecido, mas estima-se que o número de indivíduos maduros deste táxon seja superior a 10.000.
Existe aporte de indivíduos de fora do Brasil, mas não se sabe sobre a contribuição relativa de populações estrangeiras para a manutenção das populações nacionais.

Informações sobre abundância populacional: 7 ind./km² – PARNA Pico da Neblina, AM (Boubli 1997).

Tendência populacional: Em declínio.

Cacajao hosomi habita floresta Amazônica de terra firme, floresta de igapó, campinarana ou caatinga do rio Negro (floresta de solos arenosos) e floresta ombrófila montana até altitudes de 1500 metros (Boubli 1999).
O táxon é restrito a hábitats primários, porém não se sabe se apresenta tolerância a modificações/perturbações no ambiente.
Boubli (1997) e Boubli e Tokuda (2008) reportam que o grupo de Cacajao hosomi estudado usava áreas fora do sistema de trilhas o qual tinha cerca de 1000 ha e sugerem que C. hosomi pode mudar sua área de vida sazonalmente para melhor aproveitar os recursos supra-anuais.

As principais ameaças identificadas para o táxon foram: Caça intensa pelos indígenas Yanomamis em especial nas áreas de Maturacá, Nazaré, Xamatá e Pochoró. Ainda que boa parte da população da espécie esteja em áreas protegidas no Brasil, já existem locais em que se constatou drástica redução populacional, como por exemplo, no canal de Maturacá, onde antes a espécie era abundante.
A espécie está listada no Apêndice I da CITES.

Amazonas: PARNA Pico da Neblina (2.252.616,84ha) (Boubli 1997), TI Balaio, TI Yanomani (9.600000 ha) e REBIO Morro dos Seis Lagos (36.900 ha) (J.P. Boubli, comunicação pessoal).
A espécie também está presente em Unidades de Conservação na Venezuela: Parque Nacional Serrania de la Neblina.



Desconhecida.


Ayres, J.M.C. 1986. Uacaris and Amazonian Flooded Forest. Tese (Doutorado). Cambridge University.

Boubli, J.P. 1997. A Study of the Black Uakari, Cacajao melanocephalus, in the Pico da Neblina National Park, Brazil. Neotropical Primates, 5: 113-115.

Boubli, J.P. 1999. Feeding ecology of black-headed uacaris (Cacajao melanocephalus melanocephalus) in Pico da Neblina National Park, Brazil. International Journal of Primatology, 20(5): 719-749.

Boubli, J.P. & Tokuda, M. 2008. Socioecology of Black Uakari Monkeys, Cacajao hosomi, in Pico da Neblina National Park, Brazil: The Role of the Peculiar Spatial-Temporal Distribution of Resources in the Neblina forests. Primate Report, 75: 3-11.

Boubli, J.P.; Silva, M.N.F.; Amado, M.V.; Herbk, T.; Pontual, F.B. & Farias, I. 2008a. A taxonomic reassessment of black uakari monkey, Cacajao melanocephalus, Humboldt (1811), with the description of two new species. International Journal of Primatology, 29: 723-741.

IUCN/SSC Neotropical Primates Species Assessment Workshop (Red List). 2007. Oficina realizada em Novembro de 2007 em Orlando, Florida, Estados Unidos.

Lehman, S.M. & Robertson, K.L. 1994. A preliminary survey of Cacajao melanocephalus melanocephalus. International Journal of Primatology, 15(6): 927-934.

Rylands, A.B. 2012. Taxonomy of the Neotropical Primates – database. International Union for Conservation of Nature (IUCN), Species Survival Commission (SSC), Primate Specialist Group, IUCN, Gland.
Citação:
Alonso, A. C. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de de Cacajao hosomi (Boubli, da Silva, Amado, Herbk, Pontual & Farias, 2008) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/estado-de-conservacao/7287-mamiferos-cacajao-hosomi-uacari.html

Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros.
Data de realização: 30 de julho a 03 de agosto de 2012.
Local: Iperó, SP.

Avaliadores:
Alcides Pissinatti, Amely B. Martins, André C. Alonso, André de A. Cunha, André Hirsch, André L. Ravetta, Anthony B. Rylands, Armando M. Calouro, Carlos E. Guidorizzi, Christoph Knogge, Fabiano R. de Melo, Fábio Röhe, Fernanda P. Paim, Fernando de C. Passos, Gabriela Ludwig, Gustavo R. Canale, Ítalo Mourthé, Jean P. Boubli, Jessica W. Lynch Alfaro, João M. D. Miranda, José Rímoli, Júlio C. Bicca-Marques, Leandro Jerusalinsky, Leandro S. Moreira, Leonardo G. Neves, Leonardo de C. Oliveira, Líliam P. Pinto, Liza M. Veiga, Maria Adélia B. de Oliveira, Marcos de S. Fialho, Mariluce R. Messias, Mônica M. Valença-Montenegro, Rosana J. Subirá, Renata B. Azevedo, Rodrigo C. Printes, Waldney P. Martins e Wilson R. Spironello.

Colaboradores:
Amely B. Martins (Ponto Focal), André C. Alonso (Apoio), Bruna M. Bezerra, Camila C. Muniz (Apoio), Carlos E. Guidorizzi (Facilitador), Emanuella F. Moura (Apoio), Fabiano R. de Melo (Coordenador de táxon), Gerson Buss (Apoio), Jean P. Boubli, Liza M. Veiga (Coordenador de táxon), Marcos de S. Fialho (Coordenador de táxon), Rosana J. Subirá (Facilitadora), Taissa Régis (Apoio) e Werner L. F. Gonçalves (Apoio).

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