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Répteis - Apostolepis arenaria

Avaliação do Risco de Extinção de Apostolepis arenaria Rodrigues, 1992, no Brasil



Márcio Roberto Costa Martins1, Cristiano de Campos Nogueira2, Bruno Ferreto Fiorillo3, Josué Anderson Rêgo Azevedo3, Yeda Soares de Lucena Bataus4, Vívian Mara Uhlig4, Adriano Lima Silveira5, Ana Lúcia da Costa Prudente6, Antônio Jorge Suzart Argôlo7, Carlos Roberto Abrahão4, Fausto Erritto Barbo2, Gabriel Corrêa Costa8, Gláucia Maria Funk Pontes9, Guarino Rinaldi Colli10, Hussam El Dine Zaher2, Márcio Borges Martins11, Maria Ermelinda do Espírito Santo Oliveira12, Paulo Gustavo Homem Passos13, Renato Silveira Bérnils14, Ricardo Jannini Sawaya15, Sônia Terezinha Zanini Cechin16 e Thaís Barreto Guedes da Costa17.

1. Universidade de São Paulo - USP
2. Museu de Zoologia da Universadade de São Paulo - MZUSP
3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - bolsista-RAN/ICMBio
4. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/ICMBio
5. Engenharia e Gestão de Projetos Ltda - AMPLO
6. Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
7. Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
8. Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
9. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
10. Universidade de Brasília - UnB
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
12. Universidade Federal do Amazonas - UFAM
13. Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro - MN/UFRJ
14. Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
15. Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
16. Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
17. Instituto Butantan - IB

Martins, M. R.C, Nogueira, C. C., Fiorillo, B. F., Azevedo, J. A R., Bataus, Y. S. L., Uhlig, V. M.,  Silveira, A. L., Prudente, A. L. C.,  Argôlo, A. J. S., Abrahão, C. R., Barbo, F. E., Costa, G. C., Pontes, G. M. F., Colli, G. R., Zaher, H. D., Martins, M. B., Oliveira, M. E. E. S, Passos, P. G. H., Bérnils, R. S., Sawaya, R. J., Cechin, S. T. Z. & Costa, T. B. G. .2016. Avaliação do Risco de Extinção de Apostolepis arenaria Rodrigues, 1992, no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio. http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/carga-estado-de-conservacao/8082-repteis-apostolepis-arenaria-2

 Apostolepis arenaria site  Apostolepis arenaria
Foto: Miguel Trefaut Rodrigues 
Elaboração: Azevedo, J.A.R. (UnB) e
Uhlig, M.V. (NGeo/RAN/ICMBio), 2012

Ordem:  Squamata
Família: Dipsadidae

Nomes comuns:  Cobra-rainha do São Francisco

Sinonímias: Apostolepis arenarius (Uetz 2012).

Notas taxonômicas:  Não há.

Categoria e critério para a avaliação da espécie no Brasil: Em perigo (EN) B1ab(iii)

Justificativa: Apostolepis arenaria é endêmica do Brasil, de hábito fossorial, ocorrendo em solo arenoso da região das dunas do médio rio São Francisco, no município de Casa Nova, no estado da Bahia. Sua extensão de ocorrência calculada é de 314 km2 (B1), com apenas uma localização conhecida, cuja principal ameaça à espécie é a desestabilização das dunas (a). Embora áreas de dunas adjacentes tenham sido relativamente bem amostradas, não houve novos registros da espécie. A área onde a espécie ocorre está sujeita a ameaças antrópicas como extração de areia e de madeira para produção de carvão, causando desestabilização das dunas e, em menor escala, é afetada também pela expansão agrícola, ocorrendo, portanto, declínio contínuo da qualidade do hábitat [b(iii)]. Por essas razões, Apostolepis arenaria foi categorizada como Em perigo (EN) pelo critério B1ab(iii).
  
Histórico das avaliações nacionais anteriores, mais recentes:  Não há.

Justificativa para a mudança em relação à lista nacional anterior: Não é o caso

Avaliações em outras escalas:  Não há.
Listas estaduais: 
Listas internacionais:



Apostolepis arenaria é endêmica do Brasil, conhecida apenas da região do campo de dunas do Médio rio São Francisco, no município de Casa Nova, no estado da Bahia (Rodrigues 1992). Sua extensão de ocorrência é de 314 km2, foi calculada tomando por base a área de um buffer de 10 km ao redor do ponto de registro conhecido. Mesmo após inventários conduzidos em outras regiões do campo de dunas do rio São Francisco, não houve registro da espécie (Thaís Guedes, comunicação pessoal, 2012). Cerca de 83% da área da distribuição (calculada pela soma da área de quadrículas de 6 minutos de lado coincidentes com os buffers de 10 km de raio) permaneciam na forma de remanescentes de vegetação nativa em 2008.

Não há informações disponíveis sobre abundância para esta espécie.

Praticamente não há informações sobre hábitat e ecologia desta espécie. Sabe-se que o maior exemplar (holótipo) media 304 mm de comprimento rostro-cloacal (CRC) e que a espécie é psamófila, ocorrendo em áreas arenosas recobertas por vegetação de Caatinga (Rodrigues 1992). É fossorial e deve possuir tanto atividade diurna como noturna, conforme relatado para outras espécies deste gênero (Ferrarezzi et al. 2005).

A espécie é provavelmente endêmica e restrita a uma área relativamente pequena; tal fator pode expor a espécie a perdas e reduções drásticas de tamanho populacional, por agentes estocásticos ou naturais, mesmo de escala relativamente reduzida. As taxas recentes de perdas de vegetação nativa são relativamente baixas, da ordem de menos de 1% das áreas nativas remanescentes, estimadas nos últimos dez anos. Porém, esta pode ter sido afetada no processo de construção da Hidroelétrica de Sobradinho. Há possibilidade que esta espécie pode ser afetada no processo de transposição do rio São Francisco, cuja obra já começou. Está sujeita a ameaças antrópicas como a extração de areia e de madeira para produção de carvão, causando a desestabilização das dunas e, em menor escala, a expansão agrícola.

Não é conhecida nenhuma ação específica para a conservação da espécie.

Área de Proteção Ambiental do Lago de Sobradinho

Recomenda-se a criação de unidades conservação de proteção integral no Campo de Dunas do Rio São Francisco. Há necessidade de esforço amostral sistematizado na região.

Ferrarezzi H.; Barbo, F.E. & Albuquerque, C.E. 2005. Phylogenetic relationships of a new species of Apostolepis from brazilian cerrado with notes on the assimilis group (Serpentes: Colubridae: Xenodontinae: Elapomorphini). Papéis Avulsos de Zoologia, 45(16): 215-229.

Rodrigues, M.T. 1992. Herpetofauna das dunas interiores do Rio São Francisco: Bahia: Brasil. V. Duas novas espécies de Apostolepis (Ophidia, Colubridae). Memórias do Instituto Butantan, 54(2): 53-59.

Uetz, P. 2012. Apostolepis arenaria. Reptile Databese. http://reptile-database.reptarium.cz/species?genus=Philodryas&species=psammophidea. Acessado em: 12/02/2012.

I Oficina de Avaliação do Estado de Conservação das Serpentes no Brasil

Local e Data da Avaliação: Iperó-SP, no período de 23 a 27 de abril de 2012.

Facilitador(es): Marcelo  Fabio  Tognelli (UICN), Carlos Eduardo Guidorizzi de Carvalho (COABIO/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio).

Avaliadores:
Adriano Lima Silveira (AMPLO); Ana Lúcia da Costa Prudente (MPEG); Antônio Jorge Suzart Argôlo (UESC);  Carlos Roberto Abrahão (RAN/ICMBio); Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP);  Fausto Erritto Barbo (MZUSP); Gabriel Corrêa Costa (UFRN); Gláucia Maria Funk Pontes (PUCRS); Guarino Rinaldi Colli (UnB); Hussam El Dine Zaher (MZUSP);  Márcio Borges Martins (UFRGS); Márcio Roberto Costa Martins (USP); Maria Ermelinda do Espírito Santo Oliveira (UFAM); Paulo Gustavo Homem Passos (MN/UFRJ); Renato Silveira Bérnils (UFES); Ricardo Jannini Sawaya (UNIFESP);  Sônia Terezinha Zanini Cechin (UFSM); Thaís Barreto Guedes da Costa (Instituto Butantan).

Colaborador(es):

Apoio:

Bruno Ferreto Fiorillo (bolsista, RAN/ICMBio), Cristiano de Campos Nogueira (MZUSP),  Josué Anderson Rêgo Azevedo (bolsista, RAN/ICMBio), Laura Rodrigues Vieira de Alencar (USP), Márcio Roberto Costa Martins (USP), Vívian Mara Uhlig (RAN/ICMBio) e Yeda Soares de Lucena Bataus (RAN/ICMBio).


familia nome_cient
Chelidae Acanthochelys macrocephala Rhodin, Mittermeier & McMorris, 1984
Chelidae Acanthochelys radiolata (Mikan, 1820)
Chelidae Acanthochelys spixii (Duméril & Bibron, 1835)
Testudinidae Chelonoidis carbonaria (Spix, 1824)
Testudinidae Chelonoidis denticulata (Linnaeus, 1766)
Chelidae Chelus fimbriatus (Schneider, 1783)
Chelidae Hydromedusa maximiliani (Mikan, 1825)
Chelidae Hydromedusa tectifera Cope, 1869
Kinosternidae Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766)
Chelidae Mesoclemmys gibba (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys heliostemma (McCord, Joseph-Ouni & Lamar, 2001)
Chelidae Mesoclemmys hogei (Mertens, 1967)
Chelidae Mesoclemmys nasuta (Schweigger, 1812)
Chelidae Mesoclemmys perplexa Bour & Zaher, 2005
Chelidae Mesoclemmys raniceps (Gray, 1855)
Chelidae Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt, 1926)
Chelidae Mesoclemmys vanderhaegei (Bour, 1973)
Podocnemididae Peltocephalus dumerilianus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812)
Chelidae Phrynops hilarii (Duméril & Bibron, 1835)
Chelidae Phrynops tuberosus (Peters, 1870)
Chelidae Phrynops williamsi Rhodin & Mittermeier, 1983
Chelidae Platemys platycephala (Schneider, 1792)
Podocnemididae Podocnemis erythrocephala (Spix, 1824)
Podocnemididae Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)
Podocnemididae Podocnemis sextuberculata Cornalia, 1849
Podocnemididae Podocnemis unifilis Troschel, 1848
Chelidae Rhinemys rufipes (Spix, 1824)
Geoemydidae Rhinoclemmys punctularia (Daudin, 1801)
Emydidae Trachemys adiutrix Vanzolini, 1995
Emydidae Trachemys dorbigni (Duméril & Bibron, 1835)
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