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Programa de monitoramento da Biodiversidade em UCs da Amazônia

PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA BIODIVERSIDADE EM UCS DA AMAZÔNIA é uma iniciativa surgida a partir do projeto de cooperação Brasil-Alemanha, intitulado de "Monitoramento da Biodiversidade com relevância para o clima em nível de unidades de conservação considerando medidas de adaptação e mitigação", que foi coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Biodiversidade e Florestas (MMA/ SBF), o Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade (MMA/ ICMBio) e apoio técnico da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH (GIZ). O projeto teve início em junho de 2011, e duração de 3 anos, com término previsto para maio de 2014. Dentre os vários objetivos do projeto, esta o apoio na implantação de um sistema coordenado de monitoramento da biodiversidade em unidades de conservação e outras áreas protegidas nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.Em sua primeira fase (2010-14), o programa está sendo implantado em 8 unidades de conservação da Amazônia (ver mapa). Assim como nos demais programas, o monitoramento da biodiversidade em UCs da Amazônia segue as mesmas diretrizes e principios estabelecidos pelo sistema de monitoramento da biodiversidade do ICMBIO.
Para detalhes sobre modelos e procedimentos adotados nas coletas dos dados veja informações a seguir.

Como estamos trabalhando em unidades de conservação, de tamanhos, formas e localizações diversas, a solução mais viável para a padronização dos levantamentos é a implantação de Estações de Amostragem. Basicamente, as Estações de Amostragem buscam integrar, em um mesmo local, as Unidades Amostrais (UA) dos quatro grupos de indicadores mínimos. Dessa maneira, as Estações de Amostragem são compostas por três Unidades Amostrais distintas:estacoes-de-amostragem

  1. Unidade Amostral de plantas lenhosas
  2. Unidade Amostral de mamíferos de médio e grande porte e de grupos selecionados de aves
  3. Unidade Amostral de borboletas frugívoras

Delineamento

Formada por quatro subunidades retangulares de 20 x 50 metros, dispostas de forma entrecruzada, num arranjo denominado de "cruz de malta", com seus vértices alinhados seguindo os pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste). Cada uma dessas subunidades é dividida em dez parcelas de 10 x 10 metros.ua-plantas-lenhosas

Coleta de dados

Dentro das subunidades e parcelas, o critério de inclusão dos indivíduos lenhosos será aquele que apresente um DAP (diâmetro do tronco medido na altura do peito) maior ou igual a 10 cm. Além das plantas com porte arbóreo, esse critério deverá incluir também as palmeiras, lianas (cipós) e fetos arborescentes (samambaias-açu). Assim, todas as árvores inseridas dentro da área da subunidade, independentemente da parcela em que se encontre, deverão ter o DAP medido e registrado, obedecendo-se o limite de inclusão e tomada sua altura. Todos os indivíduos amostrados deverão ser plaqueados utilizando placas de alumínio numeradas previamente. A numeração das placas será sequencial, iniciando pelo número 1 em cada uma das UC. Cada indivíduo receberá a respectiva placa numerada, a qual será afixada com um prego galvanizado, a uma altura de 10 cm acima do nível de medida do DAP.

Frequência

1 campanha a cada 5 anos na estação seca.

Fichas de campo para coleta de dados

Ver figura.

Saiba mais

Para maiores detalhes na implementação e material necessário, veja documentos detalhados em Biblioteca (Livro amarelo do monitoramento; Delineamento e Protocolos de Amostragem- para monitoramento em UCs da Amazônia, Cerrado e Mata atlântica; Guia de procedimento de campo para Plantas lenhosas).

Delineamento

É adotado o método de transecção linear de 5 km, na forma de uma trilha principal, tomando-se o cuidado de não  interceptar nenhuma das parcelas da UA de plantas lenhosas. Atendendo aos propósitos do monitoramento, de simplicidade metodológica e de facilidade de identificação de espécimes, o módulo básico esta direcionado para os grupos de mamíferos e aves passíveis de amostragem pelo método de transecções lineares. Dentre os mamíferos, estão inclusas todas as espécies diurnas terrestres e semi-aquáticas, além das de médio e grande porte. Para aves serão consideradas as das famílias Cracidae (e.g. jacus e mutuns), Tinamidae (e.g. macucos e inhambus), Odontophoridae (e.g. urus), Psophiidae (e.g. jacamins), Cariamidae (seriema) e Rheidae (e.g. emas) por apresentar maior porte, estar presentes em ambientes florestais e savânicose apresentar comportamento de voo de curtas distâncias.ua-mamiferos-e-aves

Coleta de dados

O grupo indicador (mamíferos e aves selecionadas) será avaliado pelo método de transecções lineares (Burham et al., 1980), que é um método de amostragem classificado como de contagem por distância (Williams et al., 2002), baseado na visualização dos espécimes e obtenção da distância entre o animal e a trilha. O observador deve estar familiarizado com a fauna local, e poderá contar com o auxílio de guias de identificação com fotos e/ou figuras. A amostragem deve ser realizada no início da manhã, assim que a luminosidade natural permita a visualização dos espécimes, e deve durar o tempo necessário para executar todo o percurso da transecção principal selecionada para amostragem neste dia. As transecções deverão ser percorridas por uma dupla de colaboradores, que deverão caminhar de forma cuidadosa e lenta (entre 1 km/h e 1,5km/h), permitindo a visualização de todos os estratos da floresta (do solo à copa). A cada detecção deve ser adotado um tempo padrão máximo de 10 minutos para o registro das informações.

Frequência

Cada uma das transecções principais da UC deve ser percorrida 10 vezes por ano, preferencialmente contemplando os diferentes períodos sazonais na região da UC.

Fichas de campo para coleta de dados

Ver figura

Saiba mais

Para maiores detalhes na implementação e material necessário, veja documentos detalhados em Biblioteca (Delineamento e Protocolos de Amostragem- para monitoramento em UCs da Amazônia, Cerrado e Mata atlântica; Livro amarelo do monitoramento; Guia de procedimentos de campo de mamíferos e aves).

Delineamento

Para o monitoramento de borboletas frugívoras a U.A. é formada por quatro transecções secundárias estabelecidas perpendicularmente à transecção principal (UA de Mamíferos e aves). A 1ª transecção secundária deve ser alocada a uma distância superior a 100m do inicio da transecção principal e as demais transecções com distância mínima de 500 m entre elas. Essas transecções secundárias terão comprimento de 100 a 160 m. Em cada uma delas, haverá um conjunto de quatro armadilhas específicas para a captura de borboletas, distanciadas de 30 a 50 m entre si, dependendo da disponibilidade de locais para pendurá-las nas árvores. Dessa maneira, cada estação de amostragem reunirá 16 armadilhas.ua-borboletas

 

Coleta de dados

armadilha-borboleta1O procedimento de amostragem de borboletas frugívoras seguirá o protocolo estabelecido pela RedeLep, adaptado à realidade do monitoramento, quando necessário. A métrica de indicação biológica selecionada para borboletas frugívoras é a proporção de indivíduos dentro de cada tribo. A identificação de tribos é muito mais simples e viável que a identificação até espécie das borboletas capturadas. A estratégia mais eficaz para capturar borboletas frugívoras é a utilização de armadilhas do tipo Van Someren-Rydon (VSR) (Figura).Cada transecção secundária deverá contar com quatro armadilhas, em cada uma delas deverá ser colocada 1 potinho de 50ml, que pode ser um copinho de café, colocado no centro da base da armadilha contendo a isca. Borboletas frugívoras são fortemente atraídas por banana e caldo de cana. Assim, a isca deve ser preparada com uma mistura de banana bem madura, sem casca (idealmente nanica, d'água ou caturra) com caldo de cana na proporção de 3 kg para 1 litro (ou seja, 3 kg de banana pesada com casca para um litro de caldo de cana). Para aumentar ainda mais a atratividade, essa mistura deverá ser colocada para fermentar dentro de garrafas PET fechadas por 48 horas antes de ser usada. Os colaboradores devem retornar às armadilhas para conferir os resultados a cada 24 ou 48, a depender da logística de campo. Os indivíduos capturados devem ser verificados, um a um, para identificar a qual tribo de borboletas frugívoras pertencem. Esse procedimento deve ser realizado com apoio de guias de identificação para cerrado, mata atlântica norte, mata atlântica sul e amazônia (Silva et al. 2014), que contém imagens dos padrões mais comuns de coloração, tamanho e forma para cada tribo de borboleta frugívora. Após a identificação e registro na planilha de campo, as borboletas devem receber uma marcação. Esse procedimento é feito de forma delicada, na asa,utilizando caneta de tinta permanente. Isso garante que a mesma borboleta não seja contada duas vezes em amostragens posteriores. Após esses procedimentos, as borboletas capturadas devem ser soltas no mesmo local que foram capturadas. Em cada revisão, após a soltura das borboletas, as iscas devem ser trocadas. É importante lembrar que as iscas velhas não devem ser dispensadas no solo, mas sim em um pote que deve ter seu conteúdo despejado em local apropriado e distante dos pontos de amostragem. Essa prática evita possíveis influências nos dados coletados. Outro cuidado a ser tomado durante o processo de revisão é conferir se algum outro invertebrado está presente na armadilha, especialmente aranhas, que são possíveis predadoras de borboletas.

Frequência

2 campanhas por ano, ao final da estação chuvosa na região da UC, com intervalos mínimos de 15 dias ou, idealmente de 1 mês, entre as campanhas.

Fichas de campo para coleta de dados

Ver figura.

Saiba mais

Para maiores detalhes na implementação e material necessário, veja documento detalhado em Biblioteca (Livro amarelo do monitoramento, Guia de procedimentos de campo de borboletas frugívoras, Delineamento e Protocolos de Amostragem- para monitoramento em UCs da Amazônia, Cerrado e Mata atlântica).

Tabela: Resumo da periodicidade, tempo em campo e a época do ano em que deve ser realizada a amostragem dentro de cada UA de grupos selecionados.

Unidades AmostraisPeriocidadeTempo em campo por campanhaÉpoca do ano para amostragem
Mamíferos e grupos
selecionados de aves
2 campanhas
por ano
5 dias seca e chuvosa
(preferencialmente
uma em cada)
Borboletas frugívoras 2 campanhas
por ano
7 dias Fim da estação
chuvosa
Plantas lenhosas

1 campanha
a cada 5 anos

4 dias seca

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