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Gestão da biodiversidade da ictiofauna pantaneira

cepta 2Ano: 2010

Resumo: Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (Cepta) retornaram da 2a expedição ao Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, unidade de conservação gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Mato Grosso. Nela, o grupo de pesquisadores especialistas em comunidade parasitária analisou 65 espécimes de peixes, componentes de 18 espécies.

Do total de peixes analisados, 57,6% estavam parasitados por pelo menos uma espécie de parasito. Entre elas o grupo de pesquisadores analisou o jaú, Zungaro jahu, presente na lista de espécies ameaçadas de extinção. Entre as espécies estavam o pintado (Pseudoplatystoma corruscans), a cachara (Pseudoplatystoma reticulatum), o dourado (Salminus brasiliensis), três espécies de piranha (Pygocentrus nattereri, Serrasalmus marginatus e S. maculatus), a sardinha (Triportheus nematurus) e a corvina (Plagioscion squamosissimus), entre outros. Todo o contexto que leva peixes a estarem com parasitos pode interferir na dinâmica de populações e influenciar na estrutura das comunidades, exercendo importante papel na seleção natural, o que pode levar a extinção ou não de espécies.

“Os parasitos podem ser um interessante indicador de mudanças na estrutura e função do ecossistema, como estresse ambiental, interação trófica, hipótese evolucionária e condições climáticas”, explica o analista ambiental e pesquisador que integrou a equipe na expedição, Leonardo Milano. O estudo do parasitismo normalmente chama atenção pela patologia e a doença causada ao hospedeiro. A equipe acredita que os resultados obtidos nesta expedição, somada a outras anteriores, fecham gradativamente lacunas de conhecimento acerca da parasitologia de peixes no Pantanal. Essas informações servirão também para desenvolver um instrumento de monitoramento da qualidade ambiental dos ecossistemas aquáticos do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, por meio da estrutura da comunidade de peixes e da adequação do Índice de Integridade Biótica. Para isto, foram feitas coletas de peixes em 13 pontos, que representam diferentes estratos da paisagem pantaneira: rios, baías e corixos. Os resultados estão sendo processados em parceria com o Laboratório de Biologia e Genética de Peixes da UNESP (campus Botucatu).

A 2ª expedição fez parte das ações do projeto “Gestão da Biodiversidade da Iictiofauna Pantaneira: subsídios para monitoramento de UCs por meio de indicadores” e foi coordenada pelos analistas ambientais do Cepta, Carla Natacha Polaz e Paulo Sérgio Ceccarelli e pelo chefe do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, José Augusto Ferraz de Lima. Os trabalhos começaram em 2009 e o projeto foi aprovado para o quadriênio 2009-2012.

Participaram da expedição os pesquisadores do CEPTA/ICMBio Carla Natacha Polaz, Luis Alberto Gaspar e Leonardo Milano, a pesquisadora doutora da Universidade de Taubaté (Unitau), Sonia Maria Cursino dos Santos, o pesquisador doutor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Edson Aparecido Adriano, pesquisadora mestre da Unversidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Patrícia Barizon Cepeda, os pós-graduando Bruno Melo e Ricardo Britzke da Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP Botucatu) e equipe de apoio formada por Ricardo Afonso Torres de Oliveira, Benedito Aparecido Correia, Jairo Aparecido de Oliveira, Noel Donizeti Martins e Roberto Zólio.

Espera-se com os resultados deste trabalho possam dar respaldo para adoção de políticas públicas para proteção e conservação da biodiversidade presente no Pantanal. Outra expectativa é de que tais estudos possam servir como ferramenta para a gestão e o monitoramento continuado da biodiversidade pantaneira, considerando que levantamentos sobre a biodiversidade parasitária, diversidade genética e estrutura de populações de peixes subsidiam o desenvolvimento de indicadores de qualidade ambiental.

Responsável pelo ProjetoUnidade
Paulo Sergio Ceccarelli
paulo.ceccarelli@icmbio.gov.br
CEPTA
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