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Peixe-boi marinho retorna à natureza no litoral alagoano

Publicado: Segunda, 02 de Setembro de 2019, 15h41
Animal chamado de Raimundo foi achado em 2011 quando era apenas um filhote

Peixe-boi-marinho Raimundo tenta retornar à natureza pela segunda vez (Thiago Hara)
Peixe-boi-marinho Raimundo tenta retornar à natureza pela segunda vez (Thiago Hara)

A história do peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) Raimundo ganhou mais um capítulo. Depois de oito anos e sete meses, o mamífero finalmente retornou à natureza, no litoral alagoano. Ele foi solto na última quinta-feira (29), no rio Tatamunha, em Porto de Pedras, litoral norte de Alagoas. O evento contou com a presença de Henrique Vilela, prefeito do município, e com os alunos do Núcleo Educacional de Tempo Integral do Campo Luiz Cunha que celebraram com muita alegria a soltura do animal.

A soltura é a última etapa de um longo processo de reabilitação em cativeiro conduzido pelo Programa Peixe-boi, executado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene) e a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, em parceria com as fundações SOS Mata Atlântica e Toyota do Brasil. O Programa já reintroduziu 46 animais à natureza e a base avançada de Porto de Pedras é o único ponto de soltura em atividade no país.

Segundo o analista ambiental da APA Costa dos Corais, Iran Campello, a soltura é uma etapa fundamental para que o animal possa cumprir seu papel ecológico na natureza, como a reprodução, contribuindo assim para diminuir o risco de extinção da espécie. De acordo com o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, o peixe-boi-marinho encontra-se Em Perigo de extinção, com população estimada entre 500 e 1000 indivíduos.


Estudantes participaram da soltura do peixe-boi-marinho (Foto: Thiago Hara)História

Raimundo foi achado quando era apenas um filhote, no dia 24 de março de 2011, encalhado na praia de Porto do Mangue (RN). Ele tinha não mais que 20 dias de idade, 127 centímetros e 38 quilos.

Foi resgatado pela equipe do Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB/UERN) que o encaminhou para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos (CRMM) da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) para estabilização do animal e posterior processo de reabilitação, uma vez que não havia condições para tentar a reintrodução imediata.

No mês seguinte, com apoio de uma aeronave cedida pelo Governo do Ceará, o animal foi transportado de Caucaia (CE) para Itamaracá (PE) na chegada ao Centro de Reabilitação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) do ICMBio, o começo de sua reabilitação.

Lá, os técnicos do CMA prosseguiram com a devida lactação do filhote, que durou 14 meses, até o animal chegar a 200 quilos e 170 centímetros. Ele também recebeu marcação e dois transponders de identificação.

Em 2014, o peixe-boi-marinho voltou para Porto de Pedras e foi solto na natureza pela primeira em novembro de 2015, após passar por dezoito meses de aclimatação ao ambiente natural na APA Costa dos Corais. No entanto, ele não conseguiu se adaptar à natureza e desenvolveu alguns problemas de saúde. Assim, precisou ser resgatado novamente.

Depois de mais um período de aclimatação, Raimundo recebeu uma nova chance. Antes da soltura, ele recebeu um transmissor GPS em sua nadadeira caudal e será monitorado por satélite para acompanhar sua adaptação e a necessidade de novo resgate.

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Sobre a espécie

Avaliada atualmente como Em Perigo de extinção, o peixe-boi-marinho possui uma população, de, no máximo mil animais, com número incerto de adultos. No passado, a principal causa da redução populacional foi a caça, já que o animal possui carne bem abundante. Atualmente, as ações do homem, como a poluição do mar e uso desordenado de áreas litorâneas, causam indiretamente danos à espécie ao danificar e restringir o seu hábitat natural. Sem ações de preservação, a população pode cair para 50% em 60 anos.

A espécie pode ser encontrada na costa leste do México e América Central, nas Antilhas, norte da América do Sul e nordeste do Brasil, até o estado de Alagoas, porém com poucas áreas contínuas. Há registros históricos de algumas populações que habitavam desde a foz do Rio Doce (ES) até o Amapá. Já foram avistados alguns animais no Espírito Santo, Bahia e Sergipe, mas atualmente declara-se que o peixe-boi-marinho encontra-se extinto nesses locais.

O peixe-boi marinho tem corpo acinzentado a marrom, podem medir até 4,5 metros e pesar mais de seiscentos quilos na idade adulta. A expectativa e de cerca de sessenta anos, sendo a maturidade sexual em cativeiro alcançada entre três e quatro anos, mas a reprodução com sucesso só vem de cinco a oito anos.

O ICMBio dispõe de um Plano de Ação Nacional (PAN) Peixe-Boi-Marinho desde 2010, quando a espécie foi contemplada pelo PAN Sirênios. O PAN Peixe-Boi Marinho foi formulado em 2018 e tem como meta reduzir as ameaças dos seres humanos, ampliar o conhecimento sobre a espécie e aperfeiçoar as ações de conservação pelos próximos cinco anos.


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados:

ODS Vida na Água


Comunicação ICMBio
(61) 2028 9280

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