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Enfim, a joia da caatinga retorna ao lar

Publicado: Quarta, 04 de Março de 2020, 16h00
Cinquenta e duas ararinhas-azuis chegaram à Curaçá vindas da Alemanha

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Foto: Acervo ICMBio

O dia 3 de março foi um dia histórico para a comunidade do pequeno município de Curaçá (BA). Neste dia, cinquenta e dois exemplares de ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) retornaram ao seu lar: a caatinga baiana. As aves vieram da Alemanha, por meio da organização não-governamental alemã Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP) que, em parceria com o Governo Federal (representado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e Ministério do Meio Ambiente), repatriou as aves para o Brasil.

As aves chegaram em um voo fretado vindo da Alemanha e desembarcaram em Petrolina (PE). Lá elas foram recepcionadas por servidores do ICMBio e parceiros, além do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Enquanto as aves seguiam para o criadouro situado em Curaçá, as autoridades presentes, como o Ministro do Meio Ambiente; o presidente do ICMBio, Homero Cerqueira; o presidente da ACTP, Martin Guth; e o proprietário da Pairi Daizi, Eric Domb, concederam entrevista coletiva à imprensa.

“A data de hoje representa um marco importante. Nós chegamos a essa situação de quase extinção por causa de atitudes indevidas, seja de quem praticou seja de quem deixou praticar esses atos que levaram à quase extinção da espécie, portanto a educação ambiental desenvolve um papel fundamental”, declarou Salles.

“Hoje nós encerramos apenas uma etapa deste longo processo de conservação da ararinha-azul. Agora, o nosso próximo objetivo é que essas aves se adaptem da melhor maneira possível para que possam ser soltas na natureza novamente”, disse o presidente do ICMBio, Homero Cerqueira.

A repatriação é uma das ações previstas pelo Plano de Ação Nacional (PAN) Ararinhas-Azuis, que está em seu segundo ciclo. Ainda neste ciclo está prevista a soltura branda das ararinhas-azuis, que deve ocorrer em 2021. Com isso, haverá esforços para aumentar a população não somente em cativeiro, mas também o número de aves nascidas livres.

QUARENTENA
A próxima etapa será a quarentena das aves no Refúgio de Vida Silvestre Ararinha Azul, unidade de conservação que foi criada em 2018 especialmente para receber e proteger as aves. Elas ficarão num Centro criado especialmente para elas, com 30 hectares. A quarentena, que durará 21 dias, é um período de observação para verificar e garantir a saúde das aves. O analista ambiental do ICMBio, Ugo Vercillo, explica que qualquer transferência de um animal traz risco de saúde sanitária, pois eles trazem potenciais patógenos de um lugar para o outro. Por causa de uma questão de segurança, apenas um número muito restrito de pessoas poderá ter contato com as ararinhas-azuis.

Após a quarentena, a equipe de especialistas começa a etapa de adaptação. Como sempre viveram em cativeiro, as ararinhas-azuis vão passar por um período de “testes”. No Centro, as aves vão aprender e desenvolver habilidades básicas para que possam sobreviver sozinhas. Inicialmente, suas aves-irmãs, as maracanãs, devem ser soltas juntas a um grupo inicial de ararinhas-azuis para que estas possam aprender com as maracanãs a como sobreviver na natureza.

Não se via uma ararinha-azul pelos céus do sertão nordestino desde 2000, quando o último espécime, um macho, desapareceu. Desde a década de 80, são feitos esforços para conservar a espécie, focados especialmente na última população selvagem conhecida, que residia nos arredores de Curaçá.


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