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Ações para salvar a arara-azul-de-lear

Publicado: Terça, 21 de Junho de 2016, 16h14
Programa faz transferências de aves entre criadouros e zoos. Meta é formar 26 casais até 2017 para reprodução e solturas. Atualmente, existem apenas cerca de 1.300 exemplares na natureza


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Brasília (21/06/2016) – O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), está coordenando, por meio de programa de cativeiro, a transferência de araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) entre criadouros e zoológicos nacionais e internacionais para a formação de casais e a reprodução de filhotes. A meta é ter 26 casais até 2017. Em seguida, serão feitas solturas para estudos e ampliação da população na natureza.

A arara-azul-de-lear encontra-se na categoria Em Perigo (EN) na lista da fauna brasileira ameaçada de extinção (Portaria MMA nº 444/2014). É uma das aves mais cobiçadas pelo tráfico internacional de animais. Censos feitos pelo Cemave indicam a existência de apenas cerca de 1.300 exemplares vivendo livres na caatinga baiana, seu habitat exclusivo.

As aves a serem transferidas são oriundas de mantenedores da espécie em outros países – a Fundação Loro Parque, em Tenerife, na Espanha, e a Lubara Animal Breeding – Al Wabra (AWWP), no Catar. As duas instituições são parceiras do programa de cativeiro coordenado no Brasil pelo Cemave.

Para receber as aves e reproduzi-las em cativeiro, o Cemave identificou dois novos mantenedores brasileiros com experiência na reprodução de psitacídeos (araras, papagaios e periquitos): o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, no Paraná, e a Fazenda Cachoeira, em Minas Gerais. O programa mantém, atualmente, 133 araras-azuis-de-lear em cativeiro.

Maior transferência da história

No dia 25 de fevereiro, ocorreu a maior transferência de indivíduos da espécie já feita na história. A Fundação Loro Parque enviou ao Brasil nove araras-azuis-de-lear nascidas em Tenerife. Elas passaram por um período de quarentena na Estação Quarentenária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Cananéia (SP), e seguiram, depois, para o Parque das Aves.

Uma delas foi encaminhada para a Fazenda Cachoeira para esperar o seu par, que chegou no dia 14 deste mês, juntamente com mais quatro indivíduos, provindos da Al Wabra, que também serão pareados no Brasil. “Esta união tem uma garantia a mais de dar certo. Grande parte dos indivíduos está em idade reprodutiva. A expectativa é que, já no ano que vem, tenhamos a segunda geração em cativeiro”, vislumbra a analista ambiental Camile Lugarini, do Cemave.

Segundo ela, um outro indivíduo será destinado ao Jardim Zoológico de Belo Horizonte (MG) para parear com outra arara nascida no Loro Parque, e mais um outro vai para o Zoo de São Paulo, que investiu em um centro específico para a reprodução, o Cecfau, inaugurado em junho de 2015. “Foi no Cecfau que nasceu a primeira arara-azul-de-lear em cativeiro no Brasil. Justamente ela é a que será pareada com um indivíduo juvenil vindo do Oriente Médio. Ela já tem seis irmãos nascidos em 2016”, informa Camile.

Destruição de habitat e tráfico 

A arara-azul-de-lear é uma espécie endêmica (só existente no local) da caatinga do nordeste da Bahia. Com aproximadamente 1.300 animais em vida livre, já foi considerada criticamente ameaçada. Mais recentemente, ganhou nova chance de sobrevivência em função das ações em campo do Cemave e parceiros que a protegem no seu habitat.

Entre as principais ameaças à arara-azul-de-lear, estão a captura para comércio ilegal (tráfico de animais) e a destruição de seu habitat. A espécie se alimenta, principalmente, de coquinhos da palmeira licuri (Syagrus coronata), cuja disponibilidade vem sendo reduzida pela atividade humana. Assim, as aves acabam atacando plantações de milho de subsistência, gerando conflitos com moradores locais.

Melhorias no estado de conservação

Os programas de proteção melhoraram o status de conservação da arara-azul-de-lear. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), ela passou da categoria Criticamente em Perigo (CR) para Em Perigo (EN). Esse resultado foi alcançado graças a ações do Cemave e parceiros nos dois principais dormitórios e áreas de nidificação (feitura de ninhos), além do programa de ressarcimento à população por prejuízos com suas plantações.

Outras atividades importantes foram o desenvolvimento de um projeto de uso sustentável da palmeira licuri e a criação de alternativas de renda para a população local, ambos financiados pela Fundação Loro Parque.

O Cemave, do ICMBio, coordena o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear, que inclui o programa de reprodução em cativeiro. Os criadouros e zoos são parte importante do programa de reprodução.

Segundo a Instrução Normativa (IN) que rege os programas de cativeiro, eles têm a finalidade de definir, coordenar e implementar as estratégias de conservação ex situ para revigoramento demográfico e genético da espécie de acordo com as diretrizes e ações previstas nos planos de ação nacional para a conservação de espécies ameaçadas.

Serviço:

Clique aqui para ler, na íntegra, nota do Programa de Cativeiro da Arara-azul-de-lear

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
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