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Brasil tem mais três sítios Ramsar

Publicado: Segunda, 02 de Outubro de 2017, 12h35
Título foi dado a duas UCs federais e uma estadual, elevando para 22 o número de áreas úmidas brasileiras com esse reconhecimento internacional, que facilita acesso a investimentos para a gestão e outros benefícios

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Brasília (02/10/2017) – A proteção às áreas úmidas brasileiras acaba de ganhar reforço. Três unidades de conservação (UCs) – duas federais e uma estadual – que abrangem municípios dos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul foram designadas como Sítios Ramsar. No total, o Brasil passa a ter, a partir de agora, 22 áreas úmidas com esse título.

A Área de Proteção Ambiental (APA) Cananéia-Iguape-Peruíbe, em São Paulo, o Parque Nacional de Ilha Grande, entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, ambos geridos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e uma parcela significativa da APA de Guaratuba, administrada pelo governo estadual do Paraná, receberam a designação internacional de Sítio Ramsar em setembro.

A Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, ou Lista de Ramsar, é o instrumento adotado pela Convenção Ramsar – tratado internacional aprovado em encontro realizado na cidade iraniana de Ramsar – para atingir o objetivo de promover a cooperação entre países na conservação e no uso racional das zonas úmidas no mundo, de acordo com o reconhecimento da sua importância ecológica e dos seus valores social, econômico, cultural, científico e recreativo.

O título de Sítio Ramsar proporciona aos ambientes úmidos maior visibilidade e acesso a benefícios financeiros ou relacionados à assessoria técnica para ações de conservação e uso sustentável. Confere ainda prioridade na implementação de políticas governamentais e reconhecimento público, tanto por parte da sociedade como por parte da comunidade internacional.

O conceito de zona úmida considera toda extensão de pântanos, charcos e turfas, ou superfícies cobertas de água, de regime natural ou artificial, permanentes ou temporárias, contendo água parada ou corrente, doce, salobra ou salgada. Abrange, inclusive, represas, lagos e açudes e áreas marinhas com profundidade de até seis metros, em situação de maré baixa.

Para o secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa, o reconhecimento como Sítio Ramsar valoriza e colabora com a melhor conservação dos tesouros ambientais brasileiros.

Sítio Ramsar Cananéia-Iguapé-Peruíbe

A APA Cananéia-Iguape-Peruíbe (APA CIP) foi criada pelo Decreto 90.347/1984, declarando área de proteção ambiental regiões situadas nos municípios de Cananéia, Iguape, Peruíbe, Itariri e Miracatu e Ilha Comprida, no Estado de São Paulo.

A região apresenta manguezais, restingas, estuários, rios, lagoas, planícies costeiras, cachoeiras e ilhas costeiras e marinhas, além de outros ecossistemas costeiros e marinhos. Está inserida e integra um importante contínuo de Mata Atlântica e ecossistemas associados, na biorregião da Serra do Mar, com grande presença de manguezais e remanescente importante do bioma.

Os manguezais da APA CIP são de vital importância para região, sendo base econômica e social da região estuarino-lagunar, classificada como Zona de Vida Silvestre da área de proteção ambiental Cananeia-Iguape-Peruíbe, cuja preservação deve ser assegurada pela APA.

A área possui restrições com relação à implantação de atividades antrópicas que possam desencadear alterações das condições ecológicas locais, especialmente na zona de vida silvestre, com extinção das espécies, dentre estas o papagaio-de-cara-roxa, a onça-pintada, o jacaré-de-papo-amarelo e peixes como o cação, a manjuba, a tainha e o boto.

Sítio Ramsar Parque Nacional da Ilha Grande

O Parque Nacional da Ilha Grande está localizado na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, na divisa dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul sobre o arquipélago fluvial de Ilha Grande. Abrange nove municípios: Guaíra, Altônia, São Jorge do Patrocínio, Alto Paraíso e Icaraíma, no estado do Paraná e Mundo Novo, Eldorado, Itaquirai e Naviraí, no Mato Grosso do Sul.

Possui mais de 78 mil hectares inseridos no complexo ecossistema que integra o Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná. Foi criado pelo Decreto s/nº de 30 de setembro de 1997.

A região é caracterizada pela existência de sítios históricos e arqueológicos. Configura-se no último trecho livre de represamento do Rio Paraná e apresenta um cenário dominado por lagos, lagoas e cerca de 300 ilhas e ilhotas, com rica biodiversidade.

O relevo é plano e a vegetação, rasteira, com a presença de figueiras, ingás e paus-d’alho.

Na fauna destacam-se aves como o colhereiro, o mutume e o jaburu, mamíferos como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e a anta, e répteis como o ameaçado jacaré-do-papo-amarelo. Além disso, suas águas estão repletas de peixes, como o jaú, dourado e pacu.

Sítio Ramsar Guaratuba

O Sítio Ramsar Guaratuba, localizado no município com mesmo nome, possui cerca de 40 mil hectares e está localizado na APA de Guaratuba, criada pelo Decreto Estadual 1.234, de 27 de março de 1992.

A região apresenta um potencial particular para o turismo, com suas serras com campos de altitude, rios, cachoeiras, represas, baía, planícies costeiras, manguezais e sítios arqueológicos.

A fauna do Sítio apresenta grande diversidade, como a lontra, a paca, o ouriço, entre outros. Entre as aves está o bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), espécie descoberta em 1995, que ocorre em apenas algumas populações isoladas entre os litorais dos estados do Paraná e do norte do Rio Grande do Sul.

Serviço:

Para saber mais sobre sítios Ramsar do Brasil, clique aqui.

Comunicação ICMBio – (61) 2028-9280 – com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério do Meio Ambiente (Waleska Barbosa) – (61) 2028-1227/1311/1437
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